O que é ser uma pessoa não-binária, segundo relato de Bárbara Paz
Neste 14 de julho, data que celebra a visibilidade não-binária, conheça os conceitos e as vivências reais de quem recusa os rótulos tradicionais de gênero
O Dia Internacional da Pessoa Não-Binária, celebrado em 14 de julho, foi criado em 2012 para dar visibilidade às pessoas cujas identidades de gênero não se enquadram exclusivamente como homem ou mulher. A data foi escolhida por ficar entre o Dia Internacional da Mulher, em 8 de março, e o Dia Internacional do Homem, em 19 de novembro, simbolizando justamente identidades que existem para além desse modelo binário.
Nos últimos anos, diferentes personalidades passaram a compartilhar suas experiências sobre o tema. Entre elas está a atriz, diretora e cineasta Bárbara Paz, que falou publicamente sobre ter se reconhecido como uma pessoa não-binária.
A autodescoberta de Bárbara Paz
Em uma conversa reveladora ao podcast 'Almasculina', conduzido por Paulo Azevedo, ela compartilhou como foi o seu processo de autodescoberta ao entender que não se encaixava nos padrões tradicionais de gênero.
"Sou uma pessoa inquieta. Uma mulher, um homem, não-binária. Descobri que sou não-binária há pouco tempo. Um amigo meu falou que eu era, e eu acreditei, entendi. Sou uma pensadora, uma diretora, uma cineasta, uma atriz, uma pintora, uma escritora. Nas horas vagas a gente tenta tudo com as mãos, com a cabeça, com o cérebro e com a imaginação", desabafou a artista, em 2021.
"Muitos homens habitam dentro de mim. Quando ouvi esse discurso do não-binário, do transgênero, pensei: 'Será que se tivesse escutado isso com 12 ou 13 anos, eu teria achado que eu era pelo fato de eu sentir isso?'. E não estou falando de sexualidade, mas de sensação", complementou.
Afinal, o que é ser uma pessoa não-binária?
Para compreender a fundo o que Bárbara Paz e tantas outras pessoas sentem, precisamos desconstruir algumas ideias engessadas. Em termos simples, uma pessoa não-binária não se identifica com o gênero que a sociedade lhe atribuiu no nascimento. Portanto, trata-se de um termo que abriga diversas identidades que não se alinham ao binarismo de gênero (ou seja, à ideia de que todo mundo precisa ser exclusivamente homem ou mulher).
Por estarem fora desse padrão biológico tradicional, essas identidades também integram o espectro trans. Segundo o especialistas, esses indivíduos simplesmente rejeitam os sistemas sociais que privilegiam apenas duas categorias de experiência de gênero.
Da mesma forma, as pessoas expressam a não-binariedade de inúmeras formas, já que ela não possui um padrão único:
- Gênero fluido: pessoas que sentem seu gênero transitar e mudar ao longo do tempo.
- Gênero queer: identidades que desafiam e questionam as normas sociais de gênero.
- Neutro ou misto: indivíduos que se sentem constantemente no meio do espectro ou que vivenciam uma mistura única entre o masculino e o feminino.
Celebrar a não-binariedade, então, significa reconhecer que os sistemas tradicionais de identificação não compreendem a imensidão da experiência humana. Compreender relatos como o de Paz nos ajuda a enxergar um mundo onde as pessoas validam a própria existência não por regras biológicas rígidas, mas pela liberdade de ser quem são.
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