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Consumista ou comprador compulsivo? O limite entre desejo e impulso

Nem todo desejo de comprar significa um problema. Especialistas explicam quando o consumo deixa de ser saudável

26 jun 2026 - 20h28
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Comprar algo novo pode trazer uma sensação de prazer e satisfação. Contudo, quando a vontade de consumir começa a fugir do controle, esse comportamento pode indicar que algo merece atenção. A diferença entre uma pessoa consumista e um comprador compulsivo está principalmente na relação emocional criada com a compra. Enquanto o consumo faz parte da vida cotidiana, a compulsão envolve uma dificuldade em controlar o impulso.

Nem todo consumo é um problema, mas o excesso de compras pode indicar uma relação desequilibrada com o consumo
Nem todo consumo é um problema, mas o excesso de compras pode indicar uma relação desequilibrada com o consumo
Foto: Canva / Bons Fluidos

Consumir faz parte da rotina, mas existe um limite

O consumismo está ligado ao desejo de comprar, seja por prazer, necessidade ou até pela influência social. Muitas pessoas gostam de acompanhar tendências, aproveitar promoções ou adquirir algo que desejam. Por outro lado, o comprador compulsivo vive uma relação diferente com o consumo. A compra deixa de ser apenas uma escolha e passa a funcionar como uma tentativa de aliviar sentimentos como ansiedade, tristeza ou frustração. Segundo Tatiana Filomensky, psicóloga e coordenadora do Programa para Compradores Compulsivos do Hospital das Clínicas (PRO-AMITI), o consumista compra pelo desejo e pela inserção social, enquanto o comprador compulsivo consome em excesso para tentar suprir uma necessidade emocional.

"O consumista consome como todo mundo consome, pelo prazer, pelo desejo, para estar inserido em um contexto social e cultural. Já o comprador compulsivo consome em excesso." diz Tatiana em entrevista ao 'G1'.

Quando a compra vira um impulso difícil de controlar

A compulsão por compras, também chamada de oniomania, é caracterizada por uma necessidade repetitiva de comprar e pela dificuldade de resistir ao impulso. Nesse caso, a pessoa pode sentir uma grande necessidade de realizar a compra e, logo depois, experimentar culpa ou arrependimento. De acordo com a psicanalista Monik Sittoni, o comportamento compulsivo envolve uma ação que toma conta da pessoa, dificultando o controle sobre a decisão.

"É uma ação que toma conta da pessoa e a leva para uma execução que depois, quando esse impulso acaba, ela não consegue sequer entender qual foi a lógica que aplicou realizando aquele movimento."  disse.

A compra como tentativa de lidar com emoções

Muitas vezes, o problema não está no produto comprado, mas no sentimento que a pessoa tenta compensar naquele momento. Dessa forma, a compra pode se tornar uma busca rápida por alívio. Entretanto, essa sensação costuma passar e pode abrir espaço para um novo ciclo de impulso. Por isso, especialistas destacam que a compulsão por compras não deve ser vista apenas como uma questão financeira. O comportamento pode estar relacionado ao bem-estar emocional e precisa de atenção.

Dicas para evitar compras por impulso

Mesmo quem não tem compulsão pode acabar comprando mais do que gostaria, principalmente em períodos de grandes promoções.

Para criar uma relação mais saudável com o consumo, algumas atitudes podem ajudar:

  • Faça uma lista antes de comprar e evite adicionar itens apenas pela promoção;
  • Analise se aquele produto realmente é necessário;
  • Pense se a compra cabe no orçamento;
  • Espere um tempo antes de finalizar a compra;
  • Converse com pessoas próximas antes de tomar decisões por impulso;
  • Evite comprar apenas para melhorar um sentimento negativo.

Além disso, observar como você se sente antes e depois de uma compra pode ser uma forma importante de entender seus próprios hábitos.

Comprar com consciência também é autocuidado

O consumo faz parte da vida e não precisa ser visto como algo negativo. A questão está no equilíbrio. Em suma, entender a diferença entre ser consumista e ter uma relação compulsiva com as compras ajuda a olhar para os próprios hábitos com mais consciência. Mais do que controlar gastos, cuidar da forma como consumimos também envolve cuidar das emoções por trás das escolhas.

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