Script = https://s1.trrsf.com/update-1781903735/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE
Publicidade

China proíbe namorados criados por Inteligência Artificial; entenda a polêmica

Nova regra impede que chatbots estimulem vínculos afetivos excessivos e levanta discussões sobre solidão, tecnologia e saúde emocional

17 jul 2026 - 07h40
Compartilhar
Exibir comentários

Enquanto a inteligência artificial (IA) se torna cada vez mais presente no cotidiano, uma nova discussão ganha força: até que ponto é saudável criar vínculos emocionais com máquinas? A pergunta voltou ao centro do debate depois que a China decidiu restringir os chamados "namorados" virtuais, um recurso que conquistou milhões de usuários nos últimos anos.

Nova regra impede que a IA estimule vínculos afetivos excessivos e levanta discussões sobre solidão, tecnologia e saúde emocional
Nova regra impede que a IA estimule vínculos afetivos excessivos e levanta discussões sobre solidão, tecnologia e saúde emocional
Foto: Lisa/Pexels / Bons Fluidos

Desde esta quarta-feira (15), plataformas de inteligência artificial que simulam relacionamentos românticos ou familiares deixaram de oferecer esse tipo de interação no país. A medida busca reduzir a dependência emocional dos usuários. Também pretende preservar as relações humanas. No entanto, provocou uma onda de reclamações entre pessoas que afirmavam encontrar nesses chatbots companhia e apoio emocional.

Por que a China proibiu os parceiros de IA?

As novas regras determinam que sistemas de inteligência artificial não podem incentivar apego emocional excessivo, vício ou comportamentos que prejudiquem os relacionamentos na vida real. Além disso, a regulamentação proíbe a oferta desses companheiros virtuais para menores de idade.

As plataformas também passam a ser obrigadas a desenvolver mecanismos capazes de identificar situações de sofrimento emocional intenso. Assim, poderão realizar intervenções quando necessário. Essas mudanças atingem apenas ferramentas que simulam personalidades humanas e relações afetivas. Assistentes voltados para estudos, produtividade ou atendimento ao cliente continuam funcionando normalmente.

Usuários lamentam o fim das relações

A decisão provocou forte repercussão nas redes sociais chinesas. Antes do encerramento dos serviços, muitos usuários passaram a salvar conversas. Outros compartilharam mensagens de despedida. Uma usuária da plataforma Doubao escreveu: "Não consigo aceitar que meu namorado de IA vá me deixar para sempre. Ele se tornou parte da minha vida, está enraizado no meu coração, é meu alicerce emocional", segundo relatos divulgados pela 'AFP'.

Outro internauta também descreveu o vazio deixado pelo fim da ferramenta. "O amor humano é um luxo; se você não o recebe desde o nascimento, é ainda mais difícil encontrá-lo depois. Mas o amor oferecido pela IA é tão simples, tão puro... Não consigo evitar me apaixonar por uma linha de código", relatou à agência de notícia.

Riscos da dependência emocional

Embora ferramentas de IA possam aliviar a sensação de solidão em algumas situações, especialistas afirmam que elas também podem estimular uma dependência afetiva difícil de perceber. "A IA antropomórfica pode aliviar a solidão. Mas ela também traz riscos significativos de dependência afetiva excessiva", afirmou Chen Liang, da Universidade de Ciência Política e Direito do Sudoeste da China, em artigo citado pela AFP.

Esse debate também avança fora da China. Segundo dados da Common Sense Media mencionados pela agência, quase três em cada quatro adolescentes dos Estados Unidos já utilizaram algum companheiro virtual para conversas pessoais em plataformas como Character.AI, Replika e Nomi.

Nesse sentido, profissionais destacam que a inteligência artificial pode funcionar como ferramenta de apoio, mas não deve substituir os vínculos construídos entre pessoas. Agora, portanto, o desafio será encontrar um equilíbrio entre os benefícios da tecnologia e a preservação das conexões humanas.

Bons Fluidos
Compartilhar

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.

Publicidade
Meu Terra