Candidíase de repetição: entenda as causas, os sintomas e como a alimentação influencia no tratamento
A nutricionista e especialista em saúde da mulher, Fabiola Rodrigues, conta todos os detalhes sobre esta infecção que, apesar de muito comum, é pouco conhecida
Você já ouviu falar sobre candidíase de repetição? A doença normalmente surge em mulheres, mas também pode afetar o público masculino, e, apesar de ser comum, precisa ser mais disseminada. Sendo assim, conversamos com a nutricionista e especialista em saúde da mulher, Fabiola Rodrigues, para você saber mais sobre o assunto. Confira:
O que é a candidíase de repetição?
Primeiramente, antes de entendermos o que é a candidíase de repetição, devemos compreender o que a precede. Vamos lá! O fungo cândida - geralmente, da espécie candida albicans, mas estão surgindo outras bastante resistentes - está, naturalmente, no nossa pele, região íntima e cavidade oral, mas o problema é quando este cresce, causando um desequilíbrio. No caso da disbiose, ocorre no intestino, e surge junto com a imunidade baixa, fazendo com que as bactérias boas enfraqueçam, e a cândida aumente. E tudo está interligado, então, consequentemente, atinge a região vulvovaginal. Já a candidíase de repetição surge quando acontecem quatro quadros em doze meses.
Quais são as causas?
Alimentação
O que muitas pessoas normalmente não sabem - mas deveriam - é que a disbiose intestinal é a principal causa da candidíase de repetição. Ou seja, com a imunidade baixa, ocorre a má digestão, e toda vez que você não digere bem os alimentos, deixa de absorver tudo o que come. "Então não adianta se alimentar bem sendo que não consegue aproveitar as vitaminas dos ingredientes. Com isso, abre o espaço para que esse fungo cresça mais". Dessa forma, a alimentação tem tudo a ver, pois açúcar, leite e seus derivados, além dos alimentos industrializados alimentam a espécie.
Excesso de antibióticos
A automedicação, apesar de errada, está muito presente no dia a dia das mulheres, e o uso repetitivo de remédios - especialmente os antifúngicos e pomadas - torna os fungos robustos. "Toda vez que usamos muito antibióticos, seja por cistite, dor de garganta e amigdalite, por exemplo, as bactérias boas são as que morrem, fazendo com que a proteção do corpo enfraqueça. Inclusive, uma problemática bastante comum é a resistência aos medicamentos, pois o microorganismo maléfico se adapta", esclarece Rodrigues.
Diabetes, estresse crônico e menopausa
Ademais, a diabetes facilita a candidíase de repetição, mas não é uma regra. "99% das minhas pacientes não têm diabetes, mas têm candidíáse de repetição", informa. O estresse crônico também pode ser a outra causa, pois baixa a imunidade, assim como a menopausa, em que ocorrem as flutuações de estrogênio, além de outras alterações hormonais.
E quanto aos sintomas?
Os sintomas costumam ocorrer na região vulvovaginal. "Muita coceira tanto dentro do canal como na parte da vulva. Corrimento muito característico, esbranquiçado com aspecto de leite talhado, com aqueles gruminhos. Inchaço, vermelhidão, e dor na relação sexual e ao urinar. Além disso, é muito comum acontecer a infecção mista, junto da vaginose. Já no intestino, como ocorre a disbiose, inchaço abdominal, constipação, intolerância à lactose, inchaço, irritação, enxaqueca são outros sinais", explica.
Como cuidar da candidíase de repetição?
Primeiramente, busque o ginecologista para fazer o uso convencional de pomada e medicamento. É interessante também cuidar da alimentação, e evitar certos hábitos e produtos. "Não ingira alimentos industrializados, açúcar e leite. Não faça duchas vaginais, pois elas são muito perigosas e tiram a proteção. E nada de receitas caseiras agressivas, como introduzir alho, vinagre e iogurte, pois eles devem ser usados na nutrição", alerta.
De resto, os sabonetes cheirosos e absorventes diários não são as melhores alternativas. "Quanto mais naturebas formos, mais conseguiremos ter uma saúde íntima boa, e claro, sempre cuidando de dentro para fora e da imunidade também", indica.
Balanopostite: a candidíase do homem
Por fim, apesar de as mulheres contraírem a candidíase de repetição com mais facilidade, por possuírem uma região úmida e quentinha, os homens também podem ser diagnosticados. Normalmente, a balanopostite é adquirida durante a relação sexual. Mas, atenção, não se trata de uma doença sexualmente transmissível (DST), e isso não acontece em todos os casos.
"Quando o homem tem, geralmente chamamos de balanopostite, que seria a candidíase no pênis. Os sintomas são: manchas vermelhas, descamação e prurido no pênis. Por outro lado, se o homem tiver diabetes, por imunidade muito baixa, ele também pode ter candidíase de repetição sem ter relação sexual, mas cura mais rápido por ser algo externo, muito mais fácil de tratar", conclui.