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6 livros para quem quer retomar as rédeas da vida, enfrentar o medo e outros obstáculos

Obras abordam temas como medo, raiva, excesso de produtividade, escolhas profissionais e a relação com a própria trajetória

21 ago 2026 - 10h15
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Resumo
Uma seleção de seis livros propõe ferramentas para quem busca retomar o controle da vida e superar desafios cotidianos. As obras abordam temas como o vício em telas, a sobrecarga de produtividade e a ressignificação de emoções complexas como medo e raiva. Ao debaterem autonomia profissional, novos hábitos e a revisão da própria trajetória, os títulos funcionam como guias práticos de autoconhecimento e equilíbrio para transformar a rotina e as decisões pessoais.

Há momentos em que a vida parece sair do lugar. O medo começa a pesar nas decisões, a rotina fica presa ao trabalho e às obrigações, a raiva se acumula ou o excesso de estímulos dificulta até mesmo ficar longe do celular. Nessas horas, olhar para os próprios hábitos, emoções e escolhas pode ser um primeiro passo para entender o que está incomodando e, quem sabe, mudar algumas coisas pelo caminho. E, nesse processo, a literatura pode ser uma ótima aliada.

Pensando nisso, o Estadão selecionou seis livros que abordam diferentes desafios do dia a dia e ajudam a refletir sobre como lidar com eles. As obras falam sobre medo, raiva, excesso de produtividade, uso de telas, escolhas profissionais e a maneira como cada pessoa enxerga a própria trajetória. Confira:

1. 'Geração dopamina', de Michaeleen Doucleff

‘Geração dopamina’, de Michaeleen Doucleff
‘Geração dopamina’, de Michaeleen Doucleff
Foto: Editora Record/Divulgação / Estadão

Em Geração dopamina, a Dra. Michaeleen Doucleff parte de uma ideia que contraria uma percepção comum sobre a dopamina: ela não seria o neurotransmissor do prazer, e sim da motivação.

A partir de pesquisas em neurociência e psicologia e da própria experiência da autora com a dependência de telas e alimentos ultraprocessados em casa, o livro apresenta um método voltado para recuperar o controle sobre o tempo, a alimentação e o bem-estar.

A proposta inclui estabelecer limites, substituir estímulos considerados viciantes, reconhecer gatilhos e construir hábitos mais saudáveis. Com um método dividido em cinco etapas e um plano de quatro semanas para criar "santuários sem telas", a obra também aborda maneiras de fortalecer os vínculos familiares e favorecer uma rotina com mais presença e equilíbrio.

2. 'Medo e raiva: O que os mitos e as filosofias revelam sobre nossos afetos sombrios', de Renato Noguera

‘Quem dá conta de tudo não dá conta de si mesmo’, de Mariane Santana
‘Quem dá conta de tudo não dá conta de si mesmo’, de Mariane Santana
Foto: Harper Collins/Divulgação / Estadão

Medo e raiva costumam ser tratados como sentimentos que precisam ser contidos ou escondidos. Em Medo e raiva, o filósofo Renato Noguera propõe justamente uma mudança nesse olhar. Para ele, compreender esses afetos é importante porque, quando o medo não é bem compreendido, pode paralisar, enquanto a raiva acumulada pode aparecer de maneira explosiva e afetar a relação com outras pessoas e consigo mesmo.

O autor usa narrativas míticas de diferentes tradições, entre elas a iorubá, a judaico-cristã, a guarani, a inuíte e a japonesa, para investigar como diferentes culturas interpretam o temor e a fúria.

3. 'Quem dá conta de tudo não dá conta de si mesmo', de Mariane Santana

‘O que realmente importa é a vida vivida’, de Verena Kast
‘O que realmente importa é a vida vivida’, de Verena Kast
Foto: Planeta/Divulgação / Estadão

Em Quem dá conta de tudo não dá conta de si mesmo, Mariane Santana questiona uma rotina marcada pela intensificação do trabalho e produtividade a todo tempo. A autora defende que descanso e tempo livre não deveriam ser tratados como privilégios ou recompensas depois de uma lista de tarefas cumprida.

Ao discutir o antiprodutivismo, entendido como a recusa de fazer da produção o centro da existência, o livro propõe outras possibilidades de viver. O título combina análises sobre a sociedade, relatos de uma rotina automática e reflexões de pensadores para defender uma relação diferente com o tempo, que deixe de ser visto apenas pelo seu valor associado ao capital.

4. 'O sentido da raiva: estímulos para autoafirmação e autodesenvolvimento', de Verena Kast

‘O sentido da raiva: Estímulos para autoafirmação e autodesenvolvimento’, de Verena Kast
‘O sentido da raiva: Estímulos para autoafirmação e autodesenvolvimento’, de Verena Kast
Foto: Editora Vozes/Divulgação / Estadão

O sentido da raiva, de Verena Kast, propõe enxergar esse sentimento como uma força psíquica que pode participar do desenvolvimento humano e ajudar na afirmação de si. A partir dessa mudança de olhar, a autora explora o potencial transformador da raiva.

A emoção pode estar relacionada à construção de limites, à autenticidade e à autorrealização, tornando-se uma aliada em processos de crescimento e autonomia. O livro convida o leitor a não tratar os próprios sentimentos como inimigos, mas a compreendê-los como parte da integração da personalidade.

5. 'O que você faria se não tivesse medo?', de Borja Vilaseca

‘O que você faria se não tivesse medo?’, de Borja Vilaseca
‘O que você faria se não tivesse medo?’, de Borja Vilaseca
Foto: Principium/Divulgação / Estadão

O medo pode influenciar a maneira como uma pessoa pensa, sente e age, interferindo em escolhas profissionais, relações e projetos para o futuro. No livro O que você faria se não tivesse medo?, o autor Borja Vilaseca parte dessa questão para discutir como esse sentimento pode limitar decisões e impedir que determinados desejos sejam colocados em prática.

A obra também relaciona essas escolhas às transformações na economia e no mundo do trabalho, passando pela evolução das grandes corporações, dos governos e da lógica do consumo. Com uma abordagem prática, o autor incentiva a sair da zona de conforto, transformar paixões em projetos criativos e rentáveis e conduzir suas escolhas com mais autonomia e clareza.

6. 'O que realmente importa é a vida vivida', de Verena Kast

‘Medo e raiva: O que os mitos e as filosofias revelam sobre nossos afetos sombrios’, de Renato Noguera
‘Medo e raiva: O que os mitos e as filosofias revelam sobre nossos afetos sombrios’, de Renato Noguera
Foto: Editora Vozes/Divulgação / Estadão

Em O que realmente importa é a vida vivida, Verena Kast propõe um exercício de olhar para trás e para si. Para a autora, revisitar a própria biografia pode fazer parte do processo de individuação e ajudar a compreender o significado das escolhas, dos desvios, das perdas e dos períodos de sofrimento que compõem uma trajetória.

Essa retrospectiva também permite reinterpretar experiências que foram encaradas como erros ou fracassos. Ao rever a própria história, pode ser possível encontrar sentido em etapas difíceis e integrar aspectos da personalidade que haviam sido rejeitados ou esquecidos.

Estadão
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