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Comportamento adolescente vai além dos hormônios

Hormônios não explicam tudo. Estudo clínico revela que o ambiente também tem poder de moldar comportamento adolescente

22 mai 2026 - 14h33
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A endocrinologista Angela Maria Spinola e Castro, membro da diretoria da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia Regional São Paulo (SBEM-SP), desafiou uma plateia em recente congresso pediátrico com uma provocação: e se o "comportamento adolescente" - rebeldia, vaidade, gírias - não fosse obra exclusiva dos hormônios da puberdade, mas sim do ambiente familiar e social?

Comportamento adolescente vai além dos hormônios
Comportamento adolescente vai além dos hormônios
Foto: Revista Malu

O que explica, então, o comportamento adolescente?

Em sua apresentação "Puberdade e Comportamento", Spinola apresentou dois casos clínicos irrefutáveis de meninas de 8 anos. No primeiro, a puberdade precoce estava confirmada pelos exames, mas a meninas tinha traços infantilizados: dependência materna extrema, usava mamadeira aos 9 anos de idade e apresentava zero confronto ou vaidade. No segundo caso, os exames clínicos não indicavam qualquer sinal hormonal de puberdade na menina, mas ela demonstrava comportamento típico da adolescência: confrontos com adultos, comportamento similar ao da irmã de 14 anos, uso de gírias, posturas de "mais velha" e rejeição de coleguinhas da idade.

"Os hormônios abrem janelas neurobiológicas, mas o ambiente constrói a identidade", afirmou Dra. Angela. Seus achados desafiam o senso comum e explicam por que tratamentos para puberdade precoce podem frear desenvolvimento puberal, mas não desfazem a rebeldia já instalada por redes sociais, comportamentos espelhados em irmãos mais velhos ou expectativas familiares.

Quatro observações importantes emergem do estudo clínico apresentado

(1) é preciso que médicos e pais façam uma dissociação entre a puberdade hormonal e o comportamento;

(2) o ambiente influencia o comportamento 'de adolescente', mesmo sem hormônios envolvidos;

(3) existe uma superestimação hormonal popular, ou seja, 'tudo vira culpa dos hormônios';

(4) a orientação familiar é essencial em cada caso.

"Tratar hormônios é necessário, mas sintonizar o comportamento ao ambiente, é indispensável", conclui Dra. Spinola.

Revista Malu Revista Malu
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