Como o cigarro afeta a saúde bucal? Veja riscos e formas de prevenção
Segundo dentistas, além dos impactos nos pulmões e no coração, o tabagismo pode causar alterações na boca e até provocar danos permanentes
O tabagismo afeta a saúde bucal ao diminuir a imunidade e a circulação gengival, elevando o risco de mau hálito, perda dentária, infecções e câncer de boca, além de prejudicar a cicatrização. Abandonar o cigarro reduz esses danos e recupera tecidos a curto e longo prazo. Para mitigar riscos e obter diagnósticos precoces, é fundamental manter uma higienização diária rigorosa, boa hidratação e acompanhamento odontológico regular.
No Dia de Combate ao Fumo, os efeitos do cigarro sobre a saúde bucal ganham destaque. Além dos riscos já conhecidos para os pulmões e o coração, o tabagismo também pode prejudicar dentes, gengivas e outras estruturas da boca, aumentando a probabilidade de infecções, perda dentária e complicações em tratamentos odontológicos.
"O tabagismo afeta diretamente toda a cavidade oral. As substâncias tóxicas presentes no cigarro reduzem a circulação sanguínea na gengiva, diminuem a resposta imunológica e favorecem o acúmulo de placa bacteriana. Como consequência, o fumante apresenta maior risco de desenvolver doenças gengivais, perda óssea e perda dentária", explica Samara de Oliveira, profissional de odontologia no 'AmorSaúde'.
Quais sinais o cigarro pode causar na boca?
De acordo com a especialista, algumas alterações podem aparecer antes mesmo do desenvolvimento de problemas mais graves. Entre os sinais que merecem atenção estão:
- Mau hálito persistente;
- Manchas e escurecimento dos dentes;
- Sangramento ou alterações na gengiva;
retração gengival;
- Aumento do acúmulo de tártaro;
- Sensação frequente de boca seca.
Vale ressalta, no entanto, que a ausência de sangramento nem sempre significa que a gengiva esteja saudável. Isso porque cigarro pode reduzir a circulação sanguínea na região e mascarar esse sinal.
Doenças também podem ser consequência do tabagismo
Mesmo quando os sintomas iniciais parecem discretos, o tabagismo pode favorecer o surgimento de diferentes doenças e alterações na boca. Samara de Oliveira cita, por exemplo:
- Xerostomia: a redução da produção de saliva favorece o acúmulo de bactérias, cáries e mau hálito.
- Gengivite e periodontite: o tabagismo aumenta a vulnerabilidade da gengiva e pode prejudicar os tecidos que sustentam os dentes.
- Perda dentária: infecções e alterações nos tecidos de sustentação podem aumentar o risco de os dentes ficarem comprometidos.
- Leucoplasia oral: o hábito pode favorecer o surgimento de placas brancas na boca, que precisam de avaliação profissional.
- Candidíase oral: alterações nas defesas da cavidade oral podem facilitar o aparecimento da infecção.
- Câncer de boca: as substâncias presentes no cigarro estão associadas a um risco maior de desenvolver tumores na região.
Além disso, o tabagismo pode dificultar a recuperação após procedimentos odontológicos. No caso dos implantes dentários, por exemplo, a alteração da circulação e da resposta dos tecidos pode prejudicar a integração do implante ao osso.
Parar de fumar também beneficia a boca
Segundo a dentista, interromper o consumo de cigarro é a principal maneira de reduzir os danos associados ao tabagismo. Parte das alterações pode melhorar depois que a pessoa abandona o hábito, embora alguns efeitos possam ser permanentes.
As mudanças podem começar a ser percebidas relativamente cedo. Nas primeiras semanas, o hálito e a sensação de boca seca começam a voltar ao normal, enquanto paladar e olfato tendem a se recuperar gradualmente. "Já nos meses seguintes, a circulação sanguínea da gengiva melhora, favorecendo a cicatrização e reduzindo o risco de progressão das infecções na região. A longo prazo, há diminuição significativa do risco de câncer de boca e de perda dentária", explica profissional.
Como cuidar da saúde bucal?
Mesmo para quem ainda não conseguiu parar de fumar, alguns cuidados ajudam a reduzir problemas e identificar alterações precocemente. Escovar os dentes pelo menos três vezes ao dia com creme dental com flúor é uma das principais medidas de prevenção.
Também é importante usar fio dental diariamente para remover resíduos e placa bacteriana entre os dentes, além de realizar limpezas profissionais periodicamente. As consultas regulares com o cirurgião-dentista ajudam a acompanhar a saúde da boca e identificar possíveis alterações logo no início.
Beber água ao longo do dia pode ajudar a reduzir a sensação de boca seca. Também é recomendado evitar o consumo excessivo de álcool, especialmente porque a combinação entre álcool e cigarro aumenta os riscos para a saúde bucal.
Feridas que não cicatrizam, manchas brancas ou avermelhadas e outras alterações persistentes devem ser avaliadas por um profissional. O diagnóstico precoce é importante para iniciar o tratamento adequado e evitar a evolução de problemas mais graves.
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