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Comer menos ultraprocessados pode diminuir sintomas da depressão, diz estudo

Participantes apresentaram redução nos sintomas de depressão e ansiedade durante período em que diminuíram drasticamente os ultraprocessados

24 set 2026 - 17h04
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Resumo
Um ensaio clínico da Universidade da Califórnia publicado no JAMA Psychiatry indicou que diminuir o consumo de alimentos ultraprocessados pode atenuar sintomas de depressão e ansiedade. Ao reduzirem a ingestão desses itens em até 85%, os 20 participantes acompanhados registraram uma melhora expressiva nos índices avaliados. Apesar de promissores, os achados demandam cautela e estudos mais amplos, reforçando que ajustes na alimentação auxiliam a saúde mental, mas não substituem os tratamentos clínicos.

A relação entre alimentação e saúde mental tem despertado cada vez mais o interesse da ciência. Agora, um pequeno ensaio clínico conduzido por pesquisadores da Universidade da Califórnia, em São Francisco, encontrou resultados que reforçam essa conexão: pessoas com depressão apresentaram melhora nos sintomas depressivos e de ansiedade durante períodos em que reduziram significativamente o consumo de alimentos ultraprocessados.

Reprodução: sanjagrujic/Getty Images
Reprodução: sanjagrujic/Getty Images
Foto: Bons Fluidos

Publicado no periódico científico JAMA Psychiatry, o trabalho acompanhou 20 adultos e comparou como os participantes se sentiam enquanto mantinham a alimentação habitual e quando adotavam uma dieta com uma redução de até 85% no consumo de ultraprocessados.

Embora os resultados sejam promissores, o número reduzido de voluntários exige cautela. A pesquisa também não significa que mudanças na alimentação substituam psicoterapia, medicamentos ou outros tratamentos indicados para a depressão.

O que são alimentos ultraprocessados?

Antes de entender o experimento, é importante diferenciar esses produtos de qualquer alimento que tenha passado por algum processamento.

Os ultraprocessados são formulações industriais produzidas principalmente a partir de substâncias derivadas de alimentos e ingredientes utilizados para modificar características como sabor, textura, aparência e durabilidade. Refrigerantes, salgadinhos, biscoitos recheados, macarrões instantâneos e determinados produtos prontos para consumo são alguns exemplos comuns.

Na prática, portanto, reduzir ultraprocessados não significa necessariamente eliminar tudo o que vem em uma embalagem, mas diminuir a presença desse tipo específico de formulação na alimentação.

Como foi realizado o estudo?

Os pesquisadores selecionaram adultos entre 18 e 80 anos que tinham diagnóstico de depressão e apresentavam pontuação compatível com sintomas relevantes em um questionário utilizado para avaliar o transtorno. Outro critério era o consumo elevado de alimentos ultraprocessados antes do início da pesquisa.

Os voluntários também apresentavam questões relacionadas à saúde metabólica. Todos tinham sobrepeso e aproximadamente metade convivia com pressão alta.

O tratamento de saúde mental não era igual entre eles. Quase dois terços utilizavam pelo menos um medicamento psiquiátrico, enquanto cerca de um terço não fazia uso desse tipo de medicação. Aproximadamente metade também realizava psicoterapia.

Durante o experimento, os participantes alternaram entre a alimentação que costumavam manter no cotidiano e uma dieta com forte redução dos ultraprocessados. Esse modelo permitiu comparar os resultados de cada pessoa em diferentes momentos, fazendo com que o próprio participante servisse como referência para a análise.

Sintomas de depressão diminuíram durante a mudança alimentar

Foi durante o período com menos ultraprocessados que os pesquisadores observaram a diferença mais expressiva. Em uma escala utilizada para mensurar sintomas depressivos, a pontuação média inicial dos participantes era de 21,6. Durante a dieta com redução de ultraprocessados, o índice ficou próximo de 8. Já no período de alimentação habitual, permaneceu em torno de 19. Os sintomas de ansiedade também apresentaram redução durante a intervenção alimentar.

Os números chamam atenção porque sugerem que a composição da dieta pode estar relacionada à intensidade de sintomas psicológicos. Ainda assim, o estudo não permite concluir que os ultraprocessados sejam, isoladamente, responsáveis pela depressão ou que retirá-los da dieta seja suficiente para tratá-la.

Por que a alimentação poderia afetar a saúde mental?

Essa é justamente uma das perguntas que a pesquisa ainda não conseguiu responder. Quando os participantes diminuíram os ultraprocessados, outros aspectos da alimentação também podem ter mudado ao mesmo tempo. É possível, por exemplo, que tenha ocorrido redução na quantidade de açúcar, gorduras ou até no total de calorias consumidas.

Outra possibilidade investigada pelos cientistas envolve características próprias dos alimentos ultraprocessados, incluindo determinados aditivos, aromatizantes e conservantes.

Por isso, ainda serão necessários estudos maiores para entender quais fatores estão por trás dos resultados e se os efeitos encontrados se repetem em grupos mais amplos e diversos.

Alimentação pode ser uma aliada, mas não substitui tratamento

O estudo acrescenta uma peça importante à investigação sobre a influência dos hábitos cotidianos na saúde mental, mas não transforma a dieta em tratamento único para depressão.

A condição envolve diferentes fatores biológicos, psicológicos e sociais e pode exigir acompanhamento profissional, psicoterapia, medicamentos ou uma combinação de estratégias, dependendo de cada caso.

Os novos achados apontam, portanto, para outra direção: cuidar da qualidade da alimentação pode fazer parte de uma abordagem mais ampla de saúde. E entender exatamente qual é o papel dos ultraprocessados nessa relação será um dos próximos desafios para os pesquisadores.

Bons Fluidos
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