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Ansiedade infantil: "pais e professores precisam observar mudanças" (até na pele)

Ansiedade infantil pode aparecer de formas que passam despercebidas. Veja quais mudanças na rotina e na escola merecem atenção.

24 set 2026 - 17h30
(atualizado às 17h31)
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Resumo
A ansiedade infantil manifesta-se através de mudanças persistentes de comportamento, como queda no rendimento escolar, isolamento, recusa em ir às aulas e alterações no sono ou até na pele, que pode sofrer com dermatites causadas pelo estresse. Segundo especialistas, pais e educadores não devem culpar apenas o uso de telas, mas analisar todo o contexto da rotina do jovem, investigando fatores como bullying, pressão excessiva e falta de acolhimento para identificar e tratar o sofrimento.

Seu filho sempre gostou de ir à escola, mas começou a inventar desculpas para faltar? As notas caíram de repente, ele anda mais irritado, passou a se isolar ou está dormindo pior?

Uma mudança isolada não significa necessariamente ansiedade. Mas, quando comportamentos novos persistem e começam a interferir na escola, no sono, nas relações ou em outras atividades, vale olhar com mais atenção para o que está acontecendo.

Nem sempre crianças e adolescentes conseguem dizer que estão ansiosos ou sofrendo. Muitas vezes, a primeira pista aparece justamente na rotina.

O comportamento pode mudar antes de a criança falar sobre o que sente

Recusar a escola, perder o interesse por atividades que antes davam prazer, ficar mais isolado ou apresentar dificuldade para se concentrar são mudanças que merecem atenção.

O mesmo vale para irritabilidade, alterações no sono, medo intenso diante de provas ou resistência em falar sobre determinados colegas e situações.

Nenhum desses comportamentos, sozinho, confirma ansiedade. Eles podem ter diferentes causas.

O que importa é perceber uma mudança em relação ao comportamento habitual e o impacto que ela começa a provocar.

Para o doutor em Educação Lucelmo Lacerda, referência em educação inclusiva, é importante observar a criança dentro do contexto em que ela vive.

"Não podemos discutir o sofrimento de uma criança sem observar o contexto em que ela passa boa parte do dia. Uma escola que não reconhece diferenças, que permite situações recorrentes de exclusão ou que transforma desempenho em medida de valor pessoal pode contribuir para aumentar um sofrimento que muitas vezes já existe", explica Lacerda.

Quando a escola deixa de ser um lugar tranquilo

Uma criança que começa a não querer ir às aulas pode estar enfrentando algo que ainda não conseguiu contar aos adultos.

Bullying, conflitos com colegas, exclusão, medo de determinada situação e pressão por desempenho estão entre os aspectos que merecem ser investigados.

Ansiedade infantil
Ansiedade infantil
Foto: SaúdeLAB

Ansiedade infantil / Canva

A queda repentina nas notas também pode ser um sinal de que algo mudou, principalmente quando aparece junto de outras alterações na rotina.

"Pais e professores precisam observar mudanças de comportamento. Uma criança que começa a não querer ir à escola, se isola, apresenta queda repentina no desempenho, deixa de participar ou demonstra medo de determinados colegas ou situações está comunicando alguma coisa", orienta Lacerda.

Para o especialista, ouvir a criança sem minimizar o que ela sente e aproximar família e escola são passos importantes para entender o que está acontecendo.

"Em situações de bullying ou exclusão, por exemplo, não podemos esperar que a própria criança resolva sozinha", prossegue.

Ansiedade infantil antes de uma prova pode ser normal

Sentir frio na barriga antes de uma prova, ficar apreensivo com um trabalho ou se preocupar com o resultado faz parte da experiência escolar.

A atenção aumenta quando esse medo se torna intenso ou frequente e começa a interferir na rotina, levando a criança ou o adolescente a evitar avaliações, perder o sono ou deixar de participar de atividades por medo de errar.

Mais do que uma nota ruim, o que importa é perceber quando a preocupação começa a limitar a vida do estudante.

As telas fazem parte da rotina, mas não explicam tudo

A TIC Educação 2025 mostrou que 80% das escolas brasileiras de Ensino Fundamental e Médio abordaram os impactos das tecnologias digitais na saúde mental dos alunos.

Em 2025, 92% das crianças e adolescentes brasileiros de 9 a 17 anos eram usuários de internet. Mas a presença das telas não explica, sozinha, uma mudança emocional.

"Reduzir o tempo de tela pode fazer parte do cuidado, mas não resolve sozinho uma rotina desorganizada. Crianças e adolescentes precisam de sono adequado, movimento, convivência, tempo para brincar ou realizar atividades prazerosas e também momentos sem estímulo digital", orienta Lacerda.

O especialista também chama atenção para o ambiente escolar.

"Na escola, é preciso observar se existe pressão excessiva por desempenho, bullying, exclusão ou dificuldade de pertencimento. Não adianta olhar apenas para o celular e ignorar todo o ambiente ao redor do aluno", aponta o doutor em Educação.

Ansiedade infantil / Canda

O estresse também pode piorar a pele

A ansiedade não causa, necessariamente, uma doença de pele. Mas períodos de estresse podem piorar sintomas de algumas condições que a criança já apresenta.

A médica Dra. Telma Giordani, especialista em saúde da pele, explica que essa relação pode aparecer em sintomas que já existem.

"A pele e o sistema nervoso têm uma relação muito próxima. Em períodos de maior estresse, algumas pessoas podem perceber aumento de coceira, sensibilidade ou piora de condições inflamatórias que já apresentam, como dermatites", explica Telma.

Quando essas alterações se repetem ou começam a interferir na rotina, a avaliação médica ajuda a identificar o que está acontecendo.

"Se uma alteração aparece repetidamente, causa coceira intensa, interfere no sono, provoca feridas ou afeta a autoestima da criança, é importante procurar avaliação médica. Se os pais percebem que a piora coincide com períodos de provas, conflitos na escola, mudanças de comportamento ou ansiedade, essa informação também deve ser levada à consulta. O cuidado precisa olhar para a criança como um todo", orienta a médica.

Em vez de procurar um único culpado, observe o conjunto

Quando uma criança muda, é tentador encontrar uma explicação imediata. Pode ser o celular, a escola, uma prova ou uma situação com os amigos.

Para Lucelmo, porém, é preciso olhar para a rotina como um todo:

"Antes de perguntar apenas quanto tempo aquela criança fica no celular, precisamos perguntar como ela está vivendo. Está dormindo? Tem amigos? Brinca ou pratica alguma atividade? Sente-se segura na escola? Está sendo pressionada além do que consegue suportar? Existe bullying? Consegue conversar com algum adulto quando algo não vai bem?"

Conforme o doutor em Educação, "essas perguntas ajudam muito mais do que procurar um único culpado".

Leitura Recomendada: A inclusão que deixa para trás quem mais precisa

Fonte: SaúdeLAB
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