Com qual frequência devemos trocar a esponja da cozinha? Veja dicas indispensáveis
Pesquisa mostra que a esponja pode acumular bactérias perigosas mesmo parecendo limpa; entenda os riscos e saiba qual é a frequência ideal para substituí-la
Ela parece limpa, não tem cheiro ruim e continua fazendo bastante espuma. Ainda assim, a esponja de cozinha pode esconder milhões de microrganismos invisíveis a olho nu. Por permanecer úmida e entrar em contato diariamente com restos de alimentos, gordura e utensílios, ela cria o ambiente perfeito para a proliferação de bactérias.
Um estudo publicado no Journal of Food Protection reforça esse alerta: confiar apenas na aparência ou no odor da esponja pode ser um erro. Segundo os pesquisadores, mesmo esponjas que parecem limpas podem acumular bactérias capazes de causar doenças transmitidas por alimentos.
Por que a esponja acumula tantas bactérias?
A estrutura porosa da esponja favorece a retenção de água, resíduos de alimentos e gordura. Esse conjunto cria condições ideais para que diferentes microrganismos sobrevivam e se multipliquem.
Na pesquisa conduzida pelo Instituto Federal Alemão de Avaliação de Riscos (BfR), os cientistas analisaram a sobrevivência de três bactérias frequentemente associadas a infecções alimentares: Escherichia coli (E. coli), Salmonella Enteritidis e Staphylococcus aureus.
Os resultados mostraram que esses microrganismos conseguem permanecer vivos na esponja e se multiplicar por pelo menos 14 dias, mesmo quando ela não apresenta cheiro desagradável, aspecto oleoso ou sinais visíveis de sujeira.
"Muitos consumidores decidem quando substituir suas esponjas de cozinha com base na aparência ou no cheiro. No entanto, esse é um indicador pouco confiável, já que os pesquisadores não observaram mudanças perceptíveis nas esponjas testadas, mesmo quando a contagem bacteriana era alta", informou o BfR em comunicado.
A contaminação pode trazer riscos à saúde?
Os pesquisadores explicam que não é possível afirmar que toda esponja contaminada será capaz de causar doenças, já que isso depende da quantidade de bactérias presentes e de diversos outros fatores. Ainda assim, o risco merece atenção, principalmente para idosos, crianças pequenas, gestantes e pessoas com doenças crônicas ou imunidade comprometida.
"Muitos casos de infecção transmitida por alimentos têm origem em residências particulares e nem sempre se limitam a um ou dois dias de mal-estar. Essas infecções podem ser particularmente perigosas para grupos vulneráveis, como idosos ou pessoas com problemas de saúde preexistentes, bem como crianças pequenas", afirmou Andreas Hensel, autor do estudo.
Afinal, de quanto em quanto tempo a esponja deve ser trocada?
Embora a frequência possa variar conforme o uso da cozinha, especialistas recomendam substituir a esponja aproximadamente uma vez por semana. Em casas onde muitas refeições são preparadas diariamente, esse intervalo pode ser ainda menor.
A troca também deve acontecer imediatamente quando a esponja: entrar em contato com carne, frango, peixe ou ovos crus; apresentar cheiro persistente; ficar pegajosa ou muito desgastada; começar a soltar pedaços; for utilizada para limpar o chão, a lixeira ou outras superfícies muito contaminadas.
É possível higienizar a esponja?
Sim, mas isso não elimina a necessidade de substituí-la regularmente. Segundo o estudo, tratar a esponja com água acima de 70°C por pelo menos dois minutos ajuda a reduzir a quantidade de bactérias presentes. Outras pesquisas também mostram que métodos como o uso do micro-ondas (seguindo orientações de segurança) ou da lava-louças com ciclo de secagem podem diminuir a carga de microrganismos. No dia a dia, alguns cuidados simples também fazem diferença:
- Enxágue bem a esponja após cada uso;
- Retire todos os resíduos de alimentos;
- Esprema o excesso de água;
- Deixe-a secar em um suporte aberto e ventilado;
- Nunca a mantenha mergulhada na pia ou em recipientes fechados.
A pia também merece atenção
Os pesquisadores chamam atenção para outro hábito bastante comum: deixar louças sujas acumuladas por muito tempo. Além da esponja, pias e torneiras estão entre os locais com maior concentração de bactérias dentro da cozinha. Resíduos de alimentos e umidade favorecem a sobrevivência de microrganismos que podem contaminar utensílios durante a lavagem. Por isso, manter a pia limpa e evitar o acúmulo de louça também contribui para reduzir o risco de contaminação cruzada.
E o pano de prato?
Ele também merece cuidados especiais. Como costuma ser usado para secar louças, mãos e até limpar bancadas, o pano de prato pode transportar bactérias de uma superfície para outra. O ideal é substituí-lo diariamente ou sempre que ficar úmido, entrar em contato com alimentos crus ou apresentar sujeira visível. Se possível, utilize panos diferentes para funções distintas, como secar as mãos, enxugar a louça e limpar a bancada.
Pequenos cuidados fazem grande diferença
Apesar de ser um dos utensílios mais utilizados na cozinha, a esponja costuma passar despercebida quando o assunto é higiene. No entanto, mantê-la limpa, deixá-la secar adequadamente e respeitar o momento certo de substituí-la são medidas simples que ajudam a reduzir a proliferação de bactérias e tornam a preparação dos alimentos muito mais segura.
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