Com Carolina Dieckmann e Rodrigo Lombardi, filme 'A Viagem' reconta novela sobre Espiritismo
Produção dos Estúdios Globo sob a direção de Henrique Sauer começou a ser rodada em maio; enredo revisita conceitos de obsessão e transcendência espiritual
O clássico da teledramaturgia brasileira A Viagem está prestes a conquistar as telas dos cinemas. Conduzido como um projeto de longa-metragem pelos Estúdios Globo, o filme se propõe a recontar a icônica e emocionante narrativa de Ivani Ribeiro, que marcou gerações de telespectadores. As gravações da nova produção tiveram início este mês, operando sob a direção artística de Henrique Sauer. O elenco escalado para reviver os célebres personagens traz nomes de peso do cenário artístico nacional, apresentando Carolina Dieckmann no papel da protagonista Diná, Rodrigo Lombardi dando vida ao advogado Otávio Jordão, o jovem Pedro Novaes encarnando o perturbado e revoltante Alexandre, e a veterana Lucinha Lins interpretando a matriarca Dona Maroca.
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A Viagem
A espinha dorsal da trama acompanha a trajetória trágica de Alexandre, um jovem de classe alta e comportamento problemático que acaba cometendo um homicídio doloso durante a execução de um assalto. A derrocada do rapaz se intensifica quando ele é delatado às autoridades policiais por seu próprio irmão, Raul, e pelo cunhado, Téo, culminando em uma prisão onde o influente advogado Otávio Jordão se recusa terminantemente a assumir a sua defesa jurídica. Incapaz de lidar com a rejeição e o confinamento, Alexandre tira a própria vida dentro da cela, jurando vingança espiritual eterna contra todos aqueles que julga terem sido responsáveis pelo seu abandono.
A partir desse ato extremo, a narrativa cinematográfica mergulha em momentos inesquecíveis que ditam o ritmo dramático da obra, a começar pela representação do Umbral, o cenário denso, sombrio e assustador para onde a alma do jovem é atraída logo após o suicídio, movida unicamente pelo ódio e pelo desejo latente de revanche.
Livre das amarras do corpo físico, o espírito de Alexandre regressa ao plano terreno para deflagrar um processo de obsessão espiritual crônica, passando a influenciar de forma invisível e negativa a rotina de seus antigos desafetos por meio de possessões fluídicas que desestruturam casamentos e geram o caos familiar.
Em contrapartida a essa densidade, o enredo caminha para o amor transcendental quando Diná, debilitada por uma grave enfermidade, falece e desperta no plano espiritual elevado. É nessa colônia de luz, que remete à icônica representação do céu descrita como "Nosso Lar" — um ambiente pacífico, repleto de luminosidade, gramados verdejantes e habitado por almas vestidas com roupas brancas e leves —, que a protagonista reencontra o espírito de Otávio Jordão. Embora tenham vivenciado um relacionamento marcado por conflitos e antipatias na Terra, os dois descobrem um amor eterno de nível superior e passam a trabalhar em conjunto na espiritualidade para resgatar a alma decaída de Alexandre, culminando no tocante momento de redenção em que o rapaz finalmente reconhece seus equívocos, suplica por perdão e aceita o amparo necessário para iniciar sua evolução.
Por fim, a obra evidencia que a obsessão ocorre por uma questão de sintonia psíquica, já que o obsessor só consegue perturbar os encarnados porque encontra neles brechas emocionais compatíveis com o rancor. Em suma, o longa consolida a visão de que o Espiritismo não concebe penas eternas. No entanto, reforça que a evolução integral do ser humano se processa por meio do arrependimento sincero, do auxílio de mentores protetores e da oportunidade regeneradora de novas reencarnações.
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