Com câncer de mama, neta de Carlos Alberto de Nóbrega vai congelar os óvulos
Diagnosticada com câncer de mama aos 24 anos, neta de Carlos Alberto de Nóbrega decidiu congelar óvulos antes da quimioterapia e ampliou o debate sobre oncofertilidade entre mulheres jovens
Entre consultas, decisões difíceis e planos para o futuro, Bruna Furlan de Nóbrega, de 24 anos, transformou um diagnóstico duro em uma conversa necessária. Antes de iniciar a quimioterapia contra um câncer de mama, a criadora de conteúdo optou por um passo preventivo: a preservação da fertilidade por meio do congelamento de óvulos - um cuidado que amplia as possibilidades de escolha depois do tratamento.
Um cuidado que olha para o amanhã
A decisão de coletar e congelar óvulos foi tomada porque a quimioterapia e a terapia hormonal podem comprometer a função ovariana e antecipar a menopausa. O tratamento oncológico de Bruna será realizado na Oncoclínicas, sob supervisão do médico Jacques Tabacof. A previsão é iniciar a quimioterapia no fim de janeiro; durante as sessões, ela usará uma touca de resfriamento para tentar reduzir a queda de cabelo.
Após cerca de quatro meses, está indicada a retirada total das mamas, com reconstrução por próteses, considerando critérios preventivos e estéticos. Na sequência, Bruna fará radioterapia na coluna lombar - região onde identificaram uma metástase óssea - e, por fim, terapia hormonal para reduzir o risco de recorrência. Um teste genético também está no planejamento para investigar possíveis mutações associadas ao tumor, apesar de não haver histórico familiar próximo.
O diagnóstico e o impacto de ser jovem
A descoberta do câncer aconteceu de forma inesperada, no fim de dezembro, quando Bruna Furlan de Nóbrega percebeu um nódulo na mama durante a rotina de cuidados pessoais. Após o pedido de Renata Domingues, médica e esposa de seu avô, a influenciadora passou por uma série de exames que identificaram a gravidade da situação.
A notícia não foi fácil. Nos dias seguintes ao diagnóstico, Bruna alternou momentos de choque e revolta com tentativas conscientes de manter a normalidade, cercada pela família e pelo companheiro. Ela mesma descreveu esse período como emocionalmente instável, marcado por choro, questionamentos e, aos poucos, pela necessidade de entender os próximos passos. Tornar a notícia pública foi parte desse processo: uma forma de organizar o turbilhão interno e dar sentido ao que estava vivendo.
Tema tornou-se público
No início de janeiro, Bruna decidiu contar publicamente sobre a descoberta do câncer, feito no fim de dezembro de 2025. Segundo a equipe médica, trata-se de um carcinoma mamário invasivo do tipo não especial, HER2 negativo, com metástase óssea na coluna lombar. O protocolo está definido e segue conforme o planejamento clínico.
Em seu relato, a neta de Carlos Alberto de Nóbrega falou sobre o choque de receber o diagnóstico aos 24 anos - e a escolha consciente de não se esconder. "Vai ser uma longa jornada de exames, quimioterapia, cirurgia e radioterapias. Mas também vai ser uma jornada de amor, felicidade e aprendizados", escreveu. Ao usar o laço rosa, símbolo da conscientização sobre o câncer de mama, explicou por que decidiu falar abertamente: "Eu descobri que o câncer de mama tem crescido em mulheres mais jovens. E isso foi algo que me chocou muito".
A força do apoio e a honestidade emocional
A repercussão foi imediata. A publicação ultrapassou centenas de milhares de visualizações e reuniu mensagens de apoio de artistas, amigos e seguidores. Em meio à mobilização, a influenciadora reafirmou o compromisso de seguir sendo quem é: "Prometo ser fiel a quem eu sou - viciada em viver". Ao mesmo tempo, Bruna não romantiza o processo. Ela fala sobre oscilações emocionais, medo das mudanças no corpo e o cuidado com a saúde mental durante o tratamento. "Minha maior preocupação é a minha saúde mental", afirmou, em entrevista à Marie Claire.
Por que falar de fertilidade importa
O debate levantado por Bruna dialoga com um cenário maior. Dados do Instituto Nacional do Câncer estimam dezenas de milhares de novos casos de câncer de mama no país em 2025, com crescimento proporcional entre mulheres jovens. No mundo, a Organização Mundial da Saúde aponta que uma parcela significativa dos diagnósticos ocorre antes dos 40 anos.
Nesse contexto, a oncofertilidade ganha protagonismo. "O diagnóstico de câncer em mulheres jovens traz impactos que vão além do tratamento do tumor. A preservação da fertilidade precisa ser considerada como parte do cuidado integral", explica a oncologista Marcela Bonalumi, da Oncoclínicas, ao portal A Gazeta. Segundo ela, a conversa sobre congelamento de óvulos deve acontecer já no diagnóstico, sempre que houver tempo e condições clínicas.
Preservar escolhas também é cuidado
Entre as estratégias disponíveis, o congelamento de óvulos é a mais comum e garante autonomia reprodutiva. Há ainda a criopreservação de embriões. Apesar dos avanços, o acesso ainda é desigual no Brasil, seja pela disponibilidade na rede pública ou pelos custos na privada - um desafio que reforça a importância da informação.
Entre exames, dias difíceis e planos de futuro, a história de Bruna lembra que tratar a doença também passa por preservar projetos de vida. Informar, acolher e ampliar escolhas é parte essencial de um cuidado mais humano - agora e depois.