Cirurgia plástica: remédios para emagrecer e tempo de operação exigem atenção
Uso de medicamentos, cirurgias combinadas e escolha do profissional estão entre os pontos que devem ser avaliados para reduzir riscos
Medicamentos usados para emagrecimento, duração da operação e associação de diferentes procedimentos estão entre os fatores que devem ser avaliados antes de uma cirurgia plástica. Os cuidados começam ainda na escolha do profissional e incluem exames, avaliação do histórico de saúde e planejamento conjunto com a equipe responsável pelo procedimento.
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O cirurgião plástico Fernando Amato afirma que o primeiro passo é verificar se o médico está registrado no Conselho Regional de Medicina (CRM) e se possui Registro de Qualificação de Especialista (RQE) em cirurgia plástica.
“Esses são passos fundamentais, mas não os únicos. A segurança de uma cirurgia plástica envolve uma jornada que se constrói ao longo de múltiplas consultas e exige o envolvimento do paciente em cada etapa”, afirma.
Amato recomenda que seus pacientes passem por pelo menos três consultas antes da operação. A primeira é destinada à avaliação e ao alinhamento das expectativas, além da solicitação de exames. Na segunda, o médico revisa o planejamento e os resultados dos exames. A última é usada para esclarecer dúvidas e confirmar as condições para a cirurgia.
Segundo o cirurgião, a participação de um familiar que ajudará durante a recuperação também pode ser útil. O planejamento deve deixar claro quais procedimentos serão realizados, quais materiais serão utilizados e quais resultados podem ser esperados.
A tecnologia pode auxiliar nesse processo. Sistemas de simulação em 3D, por exemplo, permitem projetar possíveis resultados e facilitar a conversa sobre as expectativas do paciente. A simulação, porém, não garante que o resultado final será idêntico ao apresentado.
Remédios para emagrecer devem ser informados
A lista completa dos medicamentos utilizados pelo paciente deve ser apresentada à equipe antes da cirurgia. A orientação ganhou importância com a disseminação dos agonistas do receptor GLP-1, classe que inclui medicamentos como Ozempic, Wegovy e Saxenda.
Esses medicamentos podem retardar o esvaziamento do estômago, fator relevante em procedimentos com anestesia geral ou sedação. Segundo Amato, a preocupação é com a possibilidade de ainda haver conteúdo no estômago no momento do procedimento. Sob anestesia ou sedação, o paciente pode perder mecanismos de proteção e aspirar esse conteúdo para os pulmões.
“Muitas vezes, o paciente não considera um medicamento para emagrecimento como um ‘remédio’ relevante para a cirurgia. Mas essa omissão pode levar a riscos graves durante a anestesia”, diz.
As recomendações sobre a interrupção dos medicamentos mudaram nos últimos anos e não há um prazo único que possa ser aplicado a todos os pacientes, segundo Amato. Há protocolos institucionais diferentes, que levam em consideração fatores como o medicamento utilizado, o período de uso e a avaliação do paciente.
O médico cita protocolos que preveem desde períodos mais longos de suspensão até sete dias para Ozempic e um dia para Saxenda. Em outros casos, pacientes em tratamento crônico podem continuar usando a medicação, desde que sejam adotadas medidas para avaliar o risco.
Uma das possibilidades é o uso de ultrassom para verificar o conteúdo do estômago antes da anestesia. “É importante entender que existem vários protocolos e várias recomendações e que isso deve ser discutido com a equipe do cirurgião e do anestesista para trazer mais segurança para o procedimento”, afirma.
Por isso, o paciente não deve interromper ou alterar o tratamento por conta própria.
Cirurgias combinadas podem elevar riscos
Outro ponto de atenção é a realização de diferentes cirurgias no mesmo procedimento. É possível, por exemplo, combinar abdominoplastia, mamoplastia e lipoaspiração, mas tanto a extensão das intervenções quanto o aumento do tempo de operação precisam ser considerados.
Segundo Amato, associar procedimentos amplia o trauma cirúrgico e o processo inflamatório, o que pode elevar o risco de complicações. Uma operação mais longa também está relacionada a riscos como infecção e sangramento.
“Quando a gente fala em cirurgia plástica, principalmente nas cirurgias estéticas, o paciente deve fazer a cirurgia no melhor momento da sua vida. Deve ser uma cirurgia segura, não pode expor o paciente ao risco”, afirma.
Em abril deste ano, Bianca Naufel Saliba, de 43 anos, que havia realizado lipoescultura, abdominoplastia e mastopexia, morreu após os procedimentos. O médico responsável afirmou que a cirurgia durou 10 horas e transcorreu normalmente. Após ela acordar, o companheiro dela foi avisado. Entretanto, 50 minutos depois, ela apresentou engasgo e falta de ar. A investigação sobre este caso ainda continua.
O tempo de uma operação, porém, não pode ser analisado isoladamente. Cirurgias reparadoras, transplantes e outros procedimentos necessários podem durar muitas horas. A avaliação é diferente no caso das cirurgias exclusivamente estéticas, que são eletivas e podem ser planejadas para outro momento ou divididas em etapas.
Idade, peso, doenças associadas, histórico ou risco de trombose e possibilidade de perda de sangue também devem entrar na avaliação. “Tudo isso precisa ficar muito bem esclarecido entre equipe médica e equipe de anestesia”, diz Amato.
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