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Cientistas identificam qual seria o "ponto G" masculino

1 abr 2026 - 17h00
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Estudo neuroanatômico detalhado descreve o chamado "delta do frênulo" como centro sensorial do pênis - uma área pouco analisada pela medicina e vulnerável a danos durante a circuncisão.Uma equipe de pesquisadores afirma ter localizado o equivalente masculino ao "ponto G": trata‑se do delta do frênulo, uma pequena área triangular na junção entre a glande e o corpo do pênis.

A descoberta foi publicada na revista científica Andrology e representa o estudo neuroanatômico mais detalhado do pênis já realizado.

O delta do frênulo possui múltiplos ramos nervosos perineais e dorsais que se sobrepõem parcialmente, com alta concentração de feixes nervosos e receptores corpusculares. Essas terminações geram "sensações intensamente prazerosas e altamente especializadas", detalha o artigo.

O termo, cunhado pela primeira vez em 2001 pelo pesquisador neozelandês Ken McGrath, deve‑se ao formato triangular da região, situada entre as abas em forma de "V" da glande. No vértice está o frênulo, uma pequena ponte de pele que conecta o prepúcio ao pênis. Popularmente, é conhecida como "freio".

"Embora isso possa parecer evidente para qualquer pessoa atenta às sensações do próprio pênis durante a atividade sexual, nosso trabalho confirma cientificamente a existência de uma região anatômica ventral do pênis que atua como centro da sensação sexual", escreve o estudo liderado por Alfonso Cepeda‑Emiliani, da Universidade de Santiago de Compostela, na Espanha.

"Em essência, a existência de um centro sensorial no pênis, semelhante ao 'ponto G', se delineia como uma realidade neuroanatômica", acrescenta.

Como o "ponto G" foi definido?

Os cientistas analisaram o pênis de 30 fetos entre 8 e 24 semanas e de 14 adultos falecidos entre 45 e 96 anos. O objetivo não era apenas identificar a área, mas também observar o desenvolvimento do sistema nervoso da região - algo até então pouco compreendido.

Os autores identificaram que o nervo dorsal do pênis já se encontra bastante desenvolvido às 8 semanas de gestação, mas a maioria dos receptores sensoriais só aparece a partir das 16 semanas.

Durante anos, livros de anatomia descreveram a glande como a parte mais sensível do pênis. O novo estudo revisa essa afirmação. O delta do frênulo contém maior densidade de terminações nervosas e agrupa os corpúsculos sensoriais — receptores táteis especializados — em conjuntos de até 17, enquanto na glande eles aparecem isolados e dispersos.

Eric Chung, urologista da Universidade de Queensland que não participou do estudo, afirmou à revista especializada New Scientist que o delta frenular contém "uma bomba sensorial que justifica chamá‑lo de 'ponto G masculino' do pênis". E acrescentou: "é um dos pontos mais prazerosos para a estimulação sexual masculina".

O risco e o debate sobre a circuncisão

O delta do frênulo fica exatamente na área onde é realizada a circuncisão. Algumas técnicas envolvem incisões ao longo dessa região, o que pode danificar suas redes nervosas e reduzir a sensibilidade sexual caso os cortes sejam profundos.

O problema é que essa zona é pouco conhecida entre especialistas. "Ela não aparece mencionada nos livros de texto mais prestigiados de anatomia cirúrgica urológica. Nem mesmo nas edições mais recentes", disse à mesma publicação a urologista Kesley Pedler, do Port Macquarie Base Hospital, na Austrália, que também não participou do estudo.

Os autores ressaltam que o prepúcio "é um tecido erógeno especializado e específico" e que "sua remoção cirúrgica deveria ser limitada" apenas a razões médicas. Pedler, que só realiza circuncisões quando são clinicamente necessárias, concorda.

"Agora que conhecemos essa zona de nervos, é ainda mais importante realizar essas operações apenas quando absolutamente indicadas", diz.

Na Alemanha, a circuncisão masculina chegou a ser condenada por um tribunal, mas sua legalidade voltou a ser reconhecida pelo Parlamento.

Quão comum é a circuncisão no mundo?

Segundo o portal IFLScience, a circuncisão é incomum na maioria dos países, mas, nos Estados Unidos, é realizada em quase metade dos recém‑nascidos do sexo masculino.

Um estudo realizado na Bélgica constatou que homens não circuncidados relatam sentir mais prazer ao estimular o delta do frênulo, embora uma pesquisa nos EUA não tenha encontrado diferenças na qualidade do orgasmo entre circuncidados e não circuncidados.

O próximo passo: estudar melhor a vulva e o clitóris

Os cientistas agora querem repetir o estudo com vulvas e clitóris. O "ponto G" feminino também enfrenta dificuldades de reconhecimento, e alguns médicos negam sua existência devido à falta de agrupamentos nervosos claramente definidos na região.

"Embora avanços significativos tenham sido feitos no estudo da neuroanatomia do pênis, a neuroanatomia e a morfologia da vulva continuam muito pouco investigadas", admitem os pesquisadores. O objetivo, concluem, é "lançar luz sobre o que foi ignorado, mal interpretado ou deliberadamente deixado de lado".

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