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Ciência comprova: repor o sono perdido traz benefícios para a saúde mental de adolescentes

Estudo aponta que dormir mais nos fins de semana pode reduzir sintomas depressivos em adolescentes e jovens, embora a rotina regular de sono siga sendo o cenário ideal

24 jan 2026 - 15h10
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Dormir mal durante a semana virou quase regra entre adolescentes e jovens adultos. Acordar cedo para a escola ou faculdade, passar horas em frente às telas e lidar com pressões acadêmicas e sociais acaba empurrando o sono para segundo plano. Ainda assim, uma nova evidência científica sugere que colocar o descanso em dia no fim de semana, embora não seja o cenário ideal, pode trazer ganhos importantes para a saúde mental.

Compensar noites mal dormidas no fim de semana pode ajudar a diminuir sintomas de depressão em adolescentes; entenda
Compensar noites mal dormidas no fim de semana pode ajudar a diminuir sintomas de depressão em adolescentes; entenda
Foto: Reprodução: Canva/Larisa Stefanuyk / Bons Fluidos

Um estudo publicado em novembro no Journal of Affective Disorders indica que jovens entre 16 e 24 anos que recuperam parte do sono perdido nos dias de folga apresentam redução de até 41% nos sintomas associados à depressão. O dado chama atenção especialmente porque esse grupo etário está entre os mais afetados por transtornos do humor.

Dormir mais ajuda - mas não substitui a rotina

Os pesquisadores deixam claro: compensar o sono no fim de semana não faz milagres. Manter horários regulares ao longo da semana continua sendo a estratégia mais eficaz e pode mais que dobrar os benefícios, reduzindo sintomas depressivos em até 105%. Ainda assim, a compensação surge como uma alternativa possível dentro da realidade de muitos jovens, especialmente adolescentes, cujos relógios biológicos não combinam com os horários escolares.

Durante a adolescência, o ciclo circadiano (ou seja, o relógio interno do corpo) sofre um atraso natural. Isso faz com que o sono chegue mais tarde à noite e se estenda pela manhã. Para jovens de 16 a 17 anos, a recomendação é dormir de 8 a 10 horas por noite; entre 18 e 24 anos, de 7 a 9 horas. O problema é que o horário ideal de sono, geralmente entre 23h e 8h, entra em choque com aulas que começam cedo demais.

O que mostram os dados

A análise utilizou informações da National Health and Nutrition Examination Survey, coletadas nos Estados Unidos entre 2021 e 2023. Os participantes registraram seus horários de dormir e acordar durante a semana e nos fins de semana. Cerca de 59% relataram usar os dias de folga para compensar o sono perdido.

Além disso, os jovens também informaram como se sentiam emocionalmente. Aqueles que relatavam tristeza ou desânimo diário foram classificados como apresentando possíveis sintomas de depressão. O estudo reforça um dado já conhecido: cerca de 17% das pessoas entre 16 e 24 anos enfrentam episódios depressivos significativos todos os anos.

Adolescência, telas e o "jetlag social"

Esse desajuste entre o relógio biológico e a rotina tem nome: jetlag social. No Brasil, ele afeta mais de 80% dos adolescentes, segundo pesquisa publicada em 2025 na revista Sleep Health. A principal causa são os horários escolares muito antecipados, que não fazem com que os jovens durmam mais cedo - apenas dormem menos.

Pesquisas recentes indicam que atrasar o início das aulas em pelo menos uma hora poderia melhorar não só o sono, mas também o humor e o desempenho escolar. O desafio é que mudanças desse tipo envolvem transporte, jornada de professores e a rotina de trabalho das famílias.

Sono e saúde emocional caminham juntos

A relação entre descanso e saúde mental já é bem estabelecida pela ciência. Dormir mal afeta diretamente a regulação do humor, a atenção, a memória e a capacidade de lidar com o estresse. Na juventude, essa relação se torna ainda mais delicada, já que é um período de intensas transformações físicas, emocionais e sociais.

"É normal que adolescentes sejam notívagos, então que eles compensem o sono nos finais de semana caso não consigam dormir o suficiente durante a semana, porque há chances disso protegê-los de alguma forma", afirmou em comunicado a psicóloga Melynda Casement, uma das autoras do estudo.

Quanto recuperar é saudável?

Os pesquisadores observaram que dormir até duas horas a mais nos fins de semana parece trazer benefícios emocionais consistentes. Por outro lado, exagerar no tempo de sono pode bagunçar ainda mais o ritmo biológico, dificultando o retorno à rotina nos dias úteis.

O equilíbrio, portanto, segue sendo a palavra-chave: tentar manter horários razoavelmente estáveis durante a semana e usar o fim de semana como um ajuste moderado - não como uma virada completa do dia pela noite.

Um olhar mais realista sobre o sono juvenil

Embora a rotina regular de sono continue sendo o ideal, os estudos mais recentes apontam para uma abordagem mais pragmática. Reconhecer que muitos jovens não conseguem dormir o suficiente durante a semana abre espaço para estratégias de compensação que ajudem a reduzir danos emocionais.

O descanso adequado não atua sozinho - alimentação, atividade física, vínculos sociais e manejo do estresse também importam. Ainda assim, o sono aparece como um dos pilares mais negligenciados da saúde mental juvenil. E talvez seja justamente nos pequenos ajustes possíveis, como dormir um pouco mais no fim de semana, que esteja parte do cuidado necessário para atravessar essa fase com mais equilíbrio.

Bons Fluidos
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