Tendências de arquitetura de interiores para 2026
Especialistas apontam quais escolhas perderam força e indicam como atualizá-las sem precisar recomeçar do zero
As tendências de arquitetura de interiores para 2026 superam o minimalismo padronizado em prol de lares com personalidade, afeto e sofisticação. Segundo especialistas, os projetos ganham camadas sensoriais com paletas terrosas e vibrantes, madeiras nobres escuras, pedras marcantes e paredes texturizadas. O novo décor celebra a identidade e a latinidade ao misturar estilos, peças artesanais e elementos retrô com o design moderno, transformando as casas em refúgios acolhedores e autênticos.
Durante algum tempo, a impressão era a de que havia uma fórmula bastante similar para um projeto contemporâneo residencial. Parede claras, poucos móveis, formas puras e uma paleta neutra entregava um resultado elegante. Mas quando as mesmas características se tornaram repetitivas nos projetos de arquitetura de interiores, ficou para trás uma referência fundamental: a personalidade.
A boa notícia é que esse cenário deixou de ser realidade. À medida que passamos a compreender as moradas como parte de nós, os ambientes passaram a transmitir quem somos por meio de objetos afetivos, lembranças de viagens, peças garimpadas e outros recursos que demonstram nossa essência.
Para as arquitetas Danielle Dantas e Paula Passos, à frente do escritório Dantas & Passos, e o arquiteto boliviano Eduardo Baldelomar, esse movimento reflete a sintonia entre projetos mais quentes, sofisticados e pessoais.
O 'menos é mais' ainda vale?
Para Eduardo Baldelomar, o minimalismo que marcou tantos projetos nos últimos anos já não traduz tão bem o nosso período atual. O problema, segundo ele, não está no estilo em si, mas na repetição de uma mesma linguagem.
"Antigamente todos adoravam morar em casas com visuais mais 'clean' e poucas informações, pois prevalecia a máxima de que menos é mais. Entre tons off-white, formas e volumes puros, a natureza era o único elemento capaz de produzir um contraste dentro dessa composição", analisa.
Para o profissional, está ligada à forma como passamos a perceber nossas casas. "Depois do período de reclusão que precisamos viver, passou-se a compreender que nossas moradas vão além de edificações com ambientes muito bem elaborados. Elas são refúgios espirituais que nos abraçam, recarregam a nossa energia e onde revisitamos nossas memórias. No meu ponto de vista, essa conexão só ocorre quando cultivamos nossas raízes, reconectamos com nossos ancestrais e valorizamos nossa identidade", argumenta.
É nesse ponto que entram as cores, os objetos e as referências pessoais. "Nossa latinidade sempre foi colorida e cheia de detalhes. Por isso ouso dizer que esse fluxo nos leva a ser quem somos", completa.
E a famosa base neutra para decorar a casa?
Substituir totalmente o décor de interiores por entender que a composição ficou datada está longe de ser o único caminho. Um ambiente neutro é capaz de ganhar uma nova leitura com pequenas intervenções. Principalmente quando passa a incorporar novos materiais, tecidos e objetos que acrescentam profundidade.
As profissionais Danielle Dantas e Paula Passos reafirmam a tendência de trabalhar com uma paleta mais conectada com a natureza a partir do uso de tonalidades como terracota, argila, areia, marrom chocolate, caramelo, verde oliva, verde musgo, vinho e ameixa. De acordo com elas, essas cartelas tanto surgem em grandes superfícies, como em detalhes, sempre com o intuito de evidenciar uma atmosfera mais envolvente.
A mesma lógica vale para a composição dos ambientes com a aplicação de cortinas encorpadas, tapetes grandes, livros, mantas, objetos pessoais, iluminação indireta e obras de arte. Tudo para entregar diferentes camadas visuais e sensoriais. "Estamos caminhando para casas mais vibrantes e autorais", resume a dupla.
Toque de materiais naturais
Entre os materiais que representam essa conjuntura estão as madeiras mais escuras e nobres como nogueira, carvalho escuro, ébano, freijó de tom médio e pau-ferro. Com veios aparentes e texturas mais marcadas, as espécies acrescentam calor e profundidade aos espaços.
Entretanto, a recomendação não é a de escurecer a casa inteira. Conforme interpretam Danielle e Paula, essas tipologias de madeira surgem como pontos de destaque. Justamente equilibrando sua presença com outros acabamentos mais claros como o cumaru e o jequitibá que continuam presentes nos projetos contemporâneos.
No caso das pedras, travertinos, quartzitos verdes, mármores vermelhos e vinho e pedras com veios fortes surgem para substituir as variações mais claras. A finalidade é que elas sejam capazes de chamar atenção por sua própria aparência. "O feito à mão, a beleza da imperfeição e o artesanal terão uma presença importante dentro das casas e o intuito é que esses elementos se conectem com nossa memória afetiva", opina Eduardo Baldelomar.
Mistura de épocas
Uma das maneiras mais interessantes de evitar que o ambiente pareça excessivamente calculado é mesclar diferentes estilos decorativos. Entre as possibilidades, um sofá contemporâneo divide serenamente o espaço com uma mesa antiga; uma marcenaria de linhas limpas se alinha com uma cadeira clássica e uma obra de arte moderna convive em sinergia com uma peça garimpada em antiquário ou adquirida em uma viagem.
Na interpretação do arquiteto, essa mistura também é uma oportunidade para aproveitar o que já existe em casa. "Uma poltrona antiga, desde que esteja com sua estrutura conservada e faça feat com o projeto, é tranquilamente renovada ao substituir os tecidos, quando são realocadas em uma nova configuração ou acompanhada por novos elementos", defende.
Nesse cenário, o maximalismo surge como uma justificativa para associar peças diferentes. "O estilo é um aliado para o mix entre artefatos modernos e itens retrô", diz Eduardo.
Paredes e espelhos pela casa
Depois de tantos ambientes dominados por superfícies lisas e uniformes, as paredes passaram a participar mais ativamente da composição. A dupla de profissionais Danielle Dantas e Paula Passos destaca as pinturas minerais, massas texturizadas finas e papéis de parede sofisticados como recursos para acrescentar profundidade sem necessariamente recorrer ao uso de cores muito fortes.
Outro elemento que ganha novas possibilidades é o espelho. Com a intenção de explorar sua forma, proporção e enquadramento, as arquitetas citam espelhos orgânicos, modelos côncavos e convexos, composições geométricas, peças de chão de grandes dimensões, molduras elaboradas e versões retroiluminadas.
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