As 4 maiores tendência para decoração de ambientes
Casa com personalidade vira tendência e muda forma de decorar ambientes
Empresária e designer de interiores Francielli Lopes explica como tendência global aposta em conforto, identidade e menos padronização na decoração
Eventos internacionais como o Salone del Mobile, em Milão, e a Maison & Objet, em Paris, vêm apontando uma mudança clara no comportamento dentro da arquitetura e do design de interiores: a busca por ambientes mais personalizados e acolhedores. Em vez de seguir padrões estéticos rígidos ou tendências passageiras, cresce a valorização de espaços que reflitam a identidade de quem mora, priorizando conforto, funcionalidade e bem-estar no dia a dia.
A empresária brasileira e designer de interiores Francielli Lopes afirma que as pessoas já demonstram esse movimento de forma clara, inclusive no Brasil. "A influência digital mudou muito a forma como enxergamos a decoração. Hoje existe um acesso muito maior a referências do mundo todo, e isso fez com que muita gente começasse a valorizar o que é mais real, mais tradicional, como a madeira, os materiais naturais, mas ao mesmo tempo misturando isso com cores, com personalidade e com elementos que contam a história de quem vive ali. No Brasil, esse movimento acontece de forma mais leve, com mais abertura, mais luz e uma conexão maior com o estilo de vida", afirma.
Neste cenário, cresce a valorização de ambientes que transmitam acolhimento, verdade e simplicidade. O foco deixa de estar apenas na escolha de cores ou materiais específicos e passa para a forma como esses elementos se conectam com a vida de quem ocupa o espaço. A casa deixa de ser um cenário e ganha ares de um verdadeiro lar.
Veja as quatro principais tendências:
Cores vibrantes criam ambientes mais intimistas
No exterior, esse novo olhar se traduz no uso de cores mais profundas e ambientes com menor contraste visual. Tons como vinho, marrom, verde escuro e terrosos aparecem com mais frequência, criando espaços mais envolventes e com sensação de continuidade.
Mais do que uma escolha estética, estas tonalidades ajudam a construir ambientes mais intimistas, alinhados à proposta de conforto e permanência. No Brasil, porém, essa aplicação passa por ajustes naturais. "No exterior, esses ambientes funcionam porque muitas vezes são mais fechados. Aqui, quando você aplica isso sem adaptação, o espaço pode ficar pesado. Por isso, esses tons costumam ser equilibrados com mais luz natural e elementos claros", explica Francielli.
Materiais naturais e acabamento menos industrial
Outra característica forte das tendências para 2026 é o uso de materiais naturais com acabamento menos industrial. Madeira, pedra, cerâmica e tecidos como linho aparecem com textura mais evidente, valorizando imperfeições e aspectos orgânicos.
Esse movimento está diretamente relacionado na busca por autenticidade. Ao invés de superfícies perfeitas e artificiais, cresce o interesse por elementos que tenham história, variação e identidade.
"Mais do que isso, no Brasil existe uma valorização de criar os próprios elementos do espaço, como peças artesanais, quadros, cerâmicas, colagens e objetos feitos em casa. Isso traz um senso de pertencimento, porque a pessoa passa a se reconhecer naquele ambiente que ela mesma ajudou a construir", afirma Francielli.
Espaços mais flexíveis e alinhados à rotina
A forma como os ambientes são utilizados também muda. Cômodos multifuncionais seguem em alta, com áreas que combinam trabalho, descanso e convivência.
Segundo a designer, essas são necessidades que acompanham as mudanças e evoluções da nova geração que passa boa parte da sua vida em casa. Seja no trabalho remoto ou em confraternizações, quem mora na casa precisa de uma estrutura que atenda plenamente ao seu estilo de vida.
"Hoje os projetos já partem de uma rotina híbrida. É comum, por exemplo, integrar um home office discreto na sala, com marcenaria que esconde a área de trabalho quando não está em uso. Em quartos, vemos bancadas que funcionam tanto para estudo quanto para cuidados pessoais, com iluminação adequada para as duas funções. Até a cozinha passou a assumir outros papéis, com ilhas que servem para cozinhar, trabalhar com notebook e receber convidados ao mesmo tempo. O espaço precisa acompanhar esse dia a dia mais dinâmico sem perder conforto", explica.
Iluminação acolhedora
O uso de luzes deixa de ser apenas funcional e ocupa um lugar importante no planejamento do ambiente. Abajures, luminárias e spots criam pontos focais e tornam os espaços mais convidativos.
Neste contexto, a claridade contribui diretamente para a forma como o lugar é percebido e vivido. "A iluminação muda completamente a forma como a gente percebe um espaço. Hoje existe uma preferência maior por luzes mais quentes, que trazem aconchego e deixam o cômodo mais confortável. Além disso, a iluminação indireta, como fitas de LED em marcenaria, sancas ou pontos de luz mais baixos, cria um contraste mais interessante, diferente daquela luz central mais dura. Isso valoriza a decoração e torna a casa mais agradável no dia a dia", explica Francielli.