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Câncer de boca: 70% dos casos tem diagnósticos tardios

Especialista da Croma Oncologia alerta que hábitos como tabagismo e etilismo elevam o risco da doença

27 mai 2026 - 09h40
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Com mais de 15 mil novos casos anuais, o câncer de boca é duas vezes mais incidente em homens

O câncer de boca é, atualmente, um dos tumores mais frequentes entre a população masculina no Brasil. Além da alta incidência, um dado gera mais preocupação entre especialistas: aproximadamente 70% dos diagnósticos ocorrem em estágios avançados. O que exige tratamentos mais agressivos e reduz bastante as chances de cura.

Foto: Revista Malu

Os desafios do diagnóstico tardio

Para Álvaro Guimarães Paula, médico oncologista clínico especialista em tórax, cabeça e pescoço da Croma Oncologia, o diagnóstico tardio é um dos maiores desafios no combate a esse tipo de tumor. "Como todo tipo de câncer, as formas precoces são as que apresentam as maiores taxas de cura. Quando descobrimos a doença no início, conseguimos utilizar modalidades únicas de tratamento, que são menos invasivas e preservam melhor a funcionalidade e a estética do paciente", explica.

O câncer de boca pode se manifestar em qualquer região da cavidade oral. Isso inclui os lábios, gengiva, língua e o assoalho ou teto bucal, conhecido como palato. Segundo o especialista, a população deve estar atenta a alterações que persistem por mais de duas ou três semanas, tendo em vista que o reconhecimento rápido desses sinais é fundamental para o sucesso do tratamento.

Atenção aos sinais

O oncologista explica que a atenção deve ser redobrada para feridas ou aftas na boca que não cicatrizam em um período de até três semanas. Assim como lesões que surgem em decorrência de próteses dentárias mal adaptadas. Além disso, sangramentos na cavidade bucal, dificuldades persistentes para falar ou para a ingestão de alimentos, e a presença de massas ou nódulos na região da mandíbula, do maxilar ou do pescoço podem ser indicativos de câncer de boca e exigem investigação imediata. Nódulos no pescoço, especificamente, podem ser significar casos já avançados.

A maior incidência da doença entre homens pode ser justificada por fatores comportamentais, como maiores índices de tabagismo e etilismo. No caso dos lábios, a exposição solar também atua como um fator de risco relevante. 

O especialista reforça que a prevenção passa por hábitos saudáveis, como higiene bucal adequada, cessação do tabagismo e do consumo excessivo de álcool, além da correção de próteses mal ajustadas. "Ainda existem muitos mitos relacionados ao câncer bucal, como a falsa ideia de que só quem fuma ou bebe pode desenvolver o câncer. Além disso, diferente dos tumores de orofaringe, não temos dados que comprovem que a vacina contra o HPV previne tumores na cavidade bucal", finaliza o médico da Croma Oncologia.

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