Slugging para pele oleosa: como evitar acne sem abrir mão da tendência
A técnica de *slugging*, que sela a hidratação noturna, pode ser adaptada para peles oleosas e acneicas, desde que feita com cautela. Para evitar cravos e espinhas causados por fórmulas pesadas, dermatologistas recomendam trocar a oclusão espessa por camadas finas de cremes reparadores adequados e limpeza facial suave. O método deve ser evitado durante crises de acne inflamatória e nunca combinado a ácidos ou retinoides, sob o risco de causar irritações e queimaduras químicas na pele.
Se você tem pele oleosa e vive na dúvida se pode entrar na trend do slugging sem ganhar espinhas no caminho, a resposta é: dá para adaptar, mas com cuidado.
A dermatologista Ana Luiza Barbosa, a convite da Avène, explica como fazer a técnica funcionar para quem tem tendência a acne. Assim, é possível evitar transformar o rosto em um campo minado de cravos e lesões inflamatórias.
O que é slugging e por que a técnica virou febre
Slugging é o nome dado à técnica de selar a rotina noturna de skincare com uma camada de produto emoliente. Geralmente, o produto é bem oclusivo. Dessa forma, ele reduz a perda de água da pele durante o sono.
O efeito é uma barreira que protege contra agressores externos. Além disso, pode melhorar a penetração dos ativos aplicados antes.
Nas redes sociais, a prática ganhou apelido de "lesma" (slug, em inglês). Isso acontece pela aparência brilhante e úmida que o rosto fica ao acordar. É aquele efeito "glass skin" que todo mundo ama.
Só que, como toda trend, o que funciona para um tipo de pele pode ser desastroso para outro.
Slugging e pele oleosa: dá para fazer sem piorar a acne?
A princípio, o slugging é mais indicado para peles secas e ressecadas. Mas isso não significa automaticamente que quem tem pele oleosa está fora do jogo. O segredo está em entender que o princípio da técnica é a oclusão.
Ou seja, formar uma película que diminui a perda transepidérmica de água. Ao mesmo tempo, ajuda a recuperar a barreira cutânea.
O problema surge quando pessoas com tendência a acne tentam reproduzir exatamente o que veem nos vídeos. Isso inclui uma camada grossa de produto pesado.
"Fórmulas muito pesadas ou inadequadas para aquele tipo de pele podem favorecer o acúmulo de sebo e células dentro do folículo", explica a dermatologista Ana Luiza Barbosa.
Portanto, isso contribui para o aparecimento de comedões, os conhecidos cravos. Em algumas pessoas, também favorece lesões inflamatórias de acne.
Como adaptar o slugging para pele oleosa e acneica
A boa notícia: pessoas com pele oleosa podem, sim, incluir essa prática no skincare, mas com cautela. Diferente da rotina de quem tem pele seca, que pode tolerar uma oclusão maior, quem tem tendência a acne precisa de outro cuidado. Por isso, a adaptação é essencial.
"Na pele oleosa, muitas vezes não é necessário reproduzir o slugging clássico que vemos nas redes sociais", afirma Ana Luiza. Isso vale para camadas extremamente espessas e oclusivas. "Podemos adaptar a técnica usando uma quantidade menor de um produto reparador adequado àquela pele".
O objetivo não é deixar o rosto coberto por uma camada pesada. Assim, ajuda-se a reduzir a perda de água. Além disso, favorece-se a recuperação da barreira cutânea.
Escolha do produto é tudo
Para quem tem pele com tendência à acne, a escolha do produto é fundamental. "Quem tem pele com tendência à acne deve priorizar formulações adequadas ao seu tipo de pele", explica a dermatologista. Essas fórmulas devem contribuir para a reparação da barreira cutânea.
Elas não devem acrescentar uma oclusão excessiva. Fórmulas reparadoras como o Cicalfate+, da Avène, associam ingredientes voltados à recuperação da pele sensibilizada. Além disso, incluem sulfatos de cobre e zinco.
Dessa forma, ajudam a controlar a proliferação bacteriana sem pesar. A médica e comunicadora Amanda Meirelles é adepta da prática. "Uso Cicalfate+ como uma máscara facial à noite, com aplicação de uma camada bem generosa".
"Acordo com a pele muito mais hidratada e com aquele viço e a aparência descansada". Isso sem sensação de peso ou de oleosidade. "Faço pelo menos uma vez por semana".
"Quando estou fora da rotina, intensifico ainda mais o slugging", conta Amanda.
Rotina de limpeza: o passo que muita gente erra
Para complementar a técnica em peles acneicas, o ideal é manter uma rotina simples e adequada ao tipo de pele. A limpeza tem um papel importante. No entanto, não deve ter a intenção de "retirar toda a oleosidade" da pele.
"Uma limpeza muito agressiva pode comprometer ainda mais a barreira cutânea". "Para a pele oleosa e sensível, o ideal é utilizar um produto de limpeza adequado". Ele deve remover impurezas e o excesso de oleosidade.
Isso sem provocar aquela sensação de pele repuxando. Produtos formulados especificamente para peles oleosas e sensíveis podem fazer parte da rotina de limpeza. Isso antes dos demais cuidados.
Na prática, isso significa que peles com tendência a acne podem incorporar a técnica com mais segurança. Desde que usem um produto adequado ao seu tipo de pele. E observem como ela responde à oclusão.
Quando evitar o slugging (mesmo adaptado)
Dermatologistas alertam que há situações em que o slugging deve ser evitado, mesmo em versões mais leves. Se você está com espinhas ativas, especialmente as mais profundas (císticas ou nodulares), o ideal é esperar. Assim, evita-se introduzir qualquer produto oclusivo no momento errado.
Outro ponto crucial: nunca aplique slugging por cima de ativos potentes. Isso inclui retinoides, ácidos (AHA, BHA) ou esfoliantes químicos. A oclusão aumenta a penetração desses ingredientes.
Por isso, pode causar irritação severa ou até queimaduras químicas. Em climas muito úmidos ou no verão, quem tem pele oleosa também pode sentir que a técnica pesa demais. Nesses casos, vale reduzir a frequência.
Ou aplicar apenas nas áreas mais ressecadas do rosto. Isso como ao redor da boca e nas bochechas. Dessa forma, evita-se a zona T.
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