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"Cenografia do SPFW terá planta com olho e que acende", diz artista

28 out 2012 - 12h40
(atualizado em 28/10/2012 às 09h16)
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A 34ª edição do São Paulo Fashion Week começa nesta segunda-feira (29) e os preparativos estão a todo vapor. Próximo ao portão do Detran do Parque Villa-Lobos, a tenda que receberá o evento ganha novos detalhes a cada minuto e se transforma uma grande estufa. O idealizador da cenografia do primeiro SPFW fora da Bienal é o multiartista Felipe Morozini. “Na hora que o Paulo Borges me falou sobre o tema “garden party”, eu já comecei a pensar no conceito do Ceasa em 2052. Então, quis imaginar como será, que tipo de planta terá lá. E ainda coloquei a ideia de que seria sem oxigênio, por isso teriam algumas mutações”, contou ele. Por isso, Felipe utilizará alta tecnologia para criar plantas com cara de ficção científica. “Algumas plantas vão ter olho, algumas acendem”, disse.

Felipe Morozini criou um conceito futurista com o tema de Ceasa 2052 para o SPFW
Felipe Morozini criou um conceito futurista com o tema de Ceasa 2052 para o SPFW
Foto: Ricardo Matsukawa/Terra

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Confira a entrevista completa com o idealizador da cenografia do SPFW, Felipe Morozini:

Terra: Como surgiu o convite para você planejar a cenografia do São Paulo Fashion Week?

Felipe Morozini:

Eu já fiz cenografia para diversos lounges no São Paulo Fashion Week. Essa é a primeira edição que não será na Bienal, então o Paulo Borges [idealizador do evento] queria uma coisa diferente e ele sempre gostou do que eu fazia, porque sempre pensei a cenografia de outro jeito. Daí ele veio com o convite de pensar em uma coisa que ele usou o termo “garden party”, que é uma festa no jardim.

T: Como surgiu o conceito?

FM:

Na hora que o Paulo Borges me falou sobre o tema “garden party”, eu já comecei a pensar no conceito que estamos trabalhando do Ceasa em 2052. Então, quis imaginar como será, que tipo de planta terá lá. E ainda coloquei a ideia de que seria sem oxigênio, por isso teriam algumas mutações. A partir daí comecei a brincar com o conceito. Vamos reforçar a ideia da falta de oxigênio colocando cúpulas de vidro em torno das plantas para dar um aspecto de frágil, mas ao mesmo tempo protegida. Algumas plantas vão ter olho, algumas acendem, com uma tecnologia supermoderna fizemos uma espécie de dente de leão que tem um LED que brilha. A tenda não dava para ser apenas branca, porque a ideia era fazer uma espécie de estufa, já que é nesse tipo de ambiente que você germina e cresce. Acho que é um momento apropriado para a

moda

pensar sobre isso, falar de um crescimento voltado para o futuro, pois não podemos ser mais ingênuos.

T: Foi muito difícil o processo de criação?

FM: Já passou tanto tempo de Fashion Week que acho que já é hora de nascer uma coisa nova. E acho que esse é o momento, com a saída da Bienal. Estava todo mundo receoso. Foi difícil para eu entender o espaço, uma coisa é 300 metros a outra é 3 mil metros. Eu sempre trabalhei como fotógrafo no São Paulo Fashion Week antes de fazer cenografia. Meu primeiro Fashion Week foi há nove anos. Já passei por redação na sala de imprensa, trabalhei como artista em longe, então consegui entender mais ou menos a estrutura do evento. E uma coisa que sempre me deixou triste é que ninguém liga para a sala de imprensa. E agora os jornalistas também terão uma estrutura com o conceito de estufa, com o mesmo conceito de plantas diferentes. Para mim essa coisa de brincar e se divertir no processo é muito importante. Não vou conseguir fazer um arranjo, mas posso fazer uma planta sorrir quando você entrar. Então, a poesia do meu trabalho é um pouco isso.

T: Há quanto tempo está no envolvido com o projeto do SPFW?

FM:

Estou me dedicando integralmente há duas semanas. E começamos a pensar há três semanas. Eles me chamaram e foi engraçado porque eu achei que seria para a edição de março, mas daí eles me falaram que era para outubro. Falei: “mas isso é daqui a uns 15 dias?”. E eles responderam: “é. Daqui a dois dias você apresenta o projeto e a gente começa a executar”. Parei tudo, cancelei viagem de trabalho. Não é nem uma questão de valores, mas é tão legal poder fazer isso que eu sempre quis, adoro brincar com o mundo da moda, que eu não podia falar que não dava tempo.

T: O trabalho que você desenvolvia nos lounges ajudou na hora de criar o conceito?

FM:

Acho que isso me deu uma experiência de logística. Mas quando faço um projeto eu não consigo reaproveitar ideia, nada daqui tem a ver com o que eu já fiz, é sempre uma coisa nova. Eu tenho isso de buscar sempre o novo e inusitado. Um vasinho qualquer um planta, mas um com dois olhos eu nunca vi. Então, o tempo todo eu fico me estimulando a pensar diferente. E acho que o resultado vai dar para ver na segunda-feira.

T: Você participou de todo o processo da montagem?

FM:

Eles me pediram opinião sobre tudo. O tecido veio de uma parceria da organização com a La Estampa e eu achei lindo. Ele tem uma mistura entre folhas brasileiras e especialmente de longe, em áreas mais amplas ele fica muito bonito formando gomos. É muito orgânico.

T: As plantas da cenografia vieram do próprio Ceasa? Como foi a escolha?

FM:

Elas vieram do próprio Ceasa. Fiquei pesquisando espécies diferentes, sem muita flor. Elas têm muita folhagem, uma coisa meio estranha, meio seca. Na hora eu vou misturar isso com alta tecnologia para fazer uma planta que terá uma luz que sai da terra e vai até o teto, por exemplo. Vou misturar um cacto com um olho na testa junto com um pezinho de tomate prateado.

T: O que será feito com essas plantas depois do Fashion Week?

FM:

São 1.500 vasos e no final do evento todos serão doados. Metade vai para o parque, que pega as mudas e planta, e a outra para os convidados. Quando a organização me questionou em relação a isso eu sugeri isso muito ingenuamente que no último dia a gente fizesse que nem em casamento, com todo mundo saindo com um vasinho. Todo mundo adora, são plantas lindas. Acho que você trabalha a sustentabilidade também do pensamento. Rolou um “ai, será? Mas a gente nunca fez isso”, e pensei que era uma ótima oportunidade de ser gentil. Quem não tem acesso aos lounges geralmente sai de mãos abanando e agora pode sair com uma plantinha. É fofo.

T: Atualmente você é considerado um multiartista. Como você começou no mundo da arte?

FM:

Comecei como advogado, mas logo que comecei a atuar no Direito já percebi que a poesia não existe. Eu me formei, trabalhei por três anos e vi que não dava. Eu era muito idealista, queria mudar o mundo. Fui viajar, trouxe umas fotos bonitas e mostrei para um amigo que na época trabalhava na (revista) Capricho. Eles falaram que estavam precisando de um fotógrafo lá, eu topei. Tinha uma câmera que ainda era cromo, então era um drama, mas comecei a fotografar para as revistas. Eu sempre era chamada para o Fashion Week ou para fazer backstage e depois uma coluna que tinha que fazer um novo olhar, o que me deu uma liberdade poética dentro de um evento de moda que até o momento ninguém tinha. Daí foi natural. Hoje vejo que a fotografia é mais uma forma de me expressar, então posso aplicar minha criatividade também em cenografia. Eu gosto disso, desse universo do pensamento.

T: Como você começou a pensar em cenografia? Como foi o convite para seu primeiro longe no Fashion Week?

FM:

O meu primeiro longe foi há seis edições. Fui convidado pela Joyce Pascowitch. Eu tinha feito a cenografia da festa da Adriana Barra, que é minha amiga e me pediu isso. Só que eu fiz um negócio que deixou todo mundo tão chocado que começaram a falar “o Felipe que fez, o Felipe que fez”. A Joyce viu e me pediu um projeto. O mais legal é que eu não sei fazer 3D, então eu levo uma folha de papel com umas setas e vou falando. Se há uma coisa que eu não sou é cenógrafo, eu não consigo imaginar isso aqui [o ambiente do SPFW] como uma cenografia. Para mim é uma instalação, é a proposta de você entrar em um lugar com o pensamento de Ceasa 2052 e olhar para lugares diferentes e perceber detalhes, não é uma cenografia.

T: Como está sendo essa experiência?

FM:

Dá uma ansiedade, porque é uma grande responsabilidade. Tenho que lidar especialmente com a expectativa dos outros  e eu me exijo bastante. Se eu tenho uma verba que não dá para eu fazer grandes coisas do nada eu tenho que tirar. Eu também sou conhecido por isso. Você me dá pouca verba e eu resolvo. Tive uma coluna durante dois anos na revista Gloss que era para transformar um cômodo com R$ 500. Isso me permitiu praticar a criatividade. Se você pegar uma poltrona bem velha, forrar de grama e colocar junto com outra coisa, isso pode ficar ótimo. Acho que isso me ajudou até mais do que a experiência de montar os lounges no quesito de ficar olhando as coisas para tentar descobrir o que ela pode ser.

T: Teve alguma dificuldade?

FM:

De domingo (14/09) para segunda teve um vento aqui de 90 km/h. E a estrutura ainda não estava completamente montada, então toda a tenda foi parar quase no Shopping VillaLobos. Tivemos que chamar 40 costureiras para costurar tudo. Foi emergencial, mas ainda bem que foi na segunda e conseguimos resolver. Mas é engraçado pensar que esse tipo de coisa pode acontecer com uma montagem desse porte.

Fonte: Terra
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