Milão 2027: A feminilidade sem pedir licença da Dolce & Gabbana, por Cris Buffara
Na Semana de Moda de Milão, a Dolce & Gabbana apresentou sua coleção Spring/Summer 2027, "Stravaganza Siciliana", resgatando sua essência maximalista e raízes barrocas sicilianas. Marcado por alfaiataria impecável, lingeries, rendas, transparências e a clássica estampa de oncinha, o desfile celebrou uma feminilidade ousada e sofisticada. O visual foi potencializado por bordados ricos, jeans artesanais com cristais e exuberantes acessórios dourados, como os tradicionais crucifixos da grife italiana.
A coleção Spring/Summer 2027 resgata a essência da maison em uma celebração à feminilidade, à extravagância e às raízes sicilianas
Eu já acompanhei muitos desfiles, mas nenhuma marca é capaz de representar a feminilidade clássica e a sofisticação madura de uma mulher como a Dolce & Gabbana. A coleção apresentada neste sábado (26), durante a semana de moda de Milão, grita para os quatro cantos do mundo: "Domenico Dolce e Stefano Gabbana passaram por aqui". A alfaiataria marcada, a renda e, principalmente, a transparência traduzem a maison de uma forma muito simples e objetiva.
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O trabalho dos estilistas sempre é muito intimista e pessoal, mas sinto que, nessa coleção, a memória, a família, a cultura e as referências pessoais foram transformadas em moda de maneira especial. Dizem que o barroco siciliano é a maior referência da marca, e eu particularmente concordo. Além de ser um reencontro entre a atual Dolce & Gabbana e peças antigas e icônicas da marca, a coleção "Stravaganza Siciliana" contemplou rendas pretas e brancas, bordados manuais complexos, cristais e estampas, principalmente a de oncinha, um dos códigos mais imediatamente associados à marca.
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Os acessórios também foram protagonistas na passarela, principalmente os dourados, extravagantes e com toques de cor, que trouxeram ainda mais personalidade para os looks. Brincos, colares e peças com pedras apareceram em proporções generosas, reforçando essa estética maximalista que é tão característica da Dolce & Gabbana. Os crucifixos ganharam destaque entre as produções e reforçaram a forte conexão da coleção com a identidade da maison. Gosto especialmente de como esses acessórios não aparecem apenas como complementos, mas funcionam quase como parte central do look, criando contraste e deixando a produção ainda mais marcante.
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A feminilidade é muito marcada pelo uso de lingerie e transparência, enquanto o poder aparece através da alfaiataria. "Stravaganza Siciliana" foi feita para mulheres que não têm medo de chamar atenção. A coleção não tenta ser minimalista: calças jeans estilizadas de maneira artesanal, com aplicações de cristais e brilho; conjuntos xadrez com sobreposição floral; casacos de tweed com vestidos de poá.
Talvez seja justamente essa a maior força da Dolce & Gabbana: não ter medo de ser reconhecida. No fim, é isso que faz a coleção ser abraçada pelo público. Ela olha para tudo aquilo que tornou a Dolce & Gabbana icônica e nos lembra que, quando existe identidade, não é preciso escolher entre tradição e contemporaneidade. O que seria da moda se não fosse a liberdade de representar o que é? Dolce & Gabbana nasceu maximalista e sempre será identificada por suas características extremamente marcantes.
Sobre a colunista: Cris Buffara é comunicadora com forte atuação nos universos de moda, luxo, viagens e lifestyle. Em 2026, Cris tem se destacado em eventos internacionais, como o Festival de Cinema de Veneza e as semanas de moda.
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