Um espírito inquieto e jovem num homem de 60 anos
- Rosângela Espinossi
- Direto do Rio de Janeiro
Conversar com o empresário Renato Kherlakian em seu estande do Rio-à-Porter me fez voltar no tempo. A primeira entrevista que fiz com ele ao vivo foi lá pelos anos de 89, 90, quando trabalhava na Cláudia Moda.
Lembro da pauta: falar sobre lançamento da linha infantil da Zoomp. Claro que o tempo passa, mas a fagulha do criador, do impaciente e do pronto para enfrentar os desafios da vida mantém-se no homem hoje de 60 anos.
A entrevista foi interrompida várias vezes, tanto para ele orientar seus funcionários, quanto para atender ele mesmo o cliente e amigos que iam vê-lo, como Costanza Pascolato que foi dar um abraço nele. Me mostrou a curvatura do gancho da calça, que faz toda a diferença na silhueta. Mostrou cós, costuras, o avesso das peças.
Vi uma pessoa calma, mas inquieta. Inquieta com o que estar por vir e pelo muito que ainda tem a fazer pela moda brasileira. Ele mesmo disse que não haverá outra Zoomp, como daquela época. Talvez não. A marca teve percalços e mudou de donos, mas existe. A alma dela agora porém migrou para outros desafios. Sim Renato Kherlakian tem projeto de lançar logo que der, malharia e tricô. Depois das calças femininas, já lançou jeans masculinos, e agora começa com uma linha de couro de jaquetas e coletes. Essa inquietação está nos olhos de Renato e no seu jeito jovial de ser, com tênis, camiseta, jeans e jaqueta. Ele faz parte da construção da história da moda brasileira e seus coração ainda procura coisas novas.
Os olhos também mudam de expressão ao falar da Zoomp e de seu destino (foi vendida para o grupo I´M em 2006 e Renato permaneceu lá por um período, mas sem ter voz ativa; em 2008, já sem cláusulas que o segurasse, começou a fomentar sua nova marca, a RK Denim). Pois quando lembra disso tudo é possível perceber um certo marejamento no olhar. O assunto não está totalmente resolvido na justiça. E nem em seu espírito.
E talvez os fashionistas que acompanharam aquela época também se ressintam deste destino. Nomes como o dele e de Tufi Duek, que criaram a cultura do jeans fashion no Brasil, fazem falta no circuito atual da moda. Mas os anos 80, 90 ou 2000 voltam agora apenas como referências de tendências. Fiquemos com o futuro.