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Um espírito inquieto e jovem num homem de 60 anos

30 mai 2010 - 00h08
(atualizado às 12h10)
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Rosângela Espinossi
Direto do Rio de Janeiro

Conversar com o empresário Renato Kherlakian em seu estande do Rio-à-Porter me fez voltar no tempo. A primeira entrevista que fiz com ele ao vivo foi lá pelos anos de 89, 90, quando trabalhava na Cláudia Moda.

Lembro da pauta: falar sobre lançamento da linha infantil da Zoomp. Claro que o tempo passa, mas a fagulha do criador, do impaciente e do pronto para enfrentar os desafios da vida mantém-se no homem hoje de 60 anos.

A entrevista foi interrompida várias vezes, tanto para ele orientar seus funcionários, quanto para atender ele mesmo o cliente e amigos que iam vê-lo, como Costanza Pascolato que foi dar um abraço nele. Me mostrou a curvatura do gancho da calça, que faz toda a diferença na silhueta. Mostrou cós, costuras, o avesso das peças.

Vi uma pessoa calma, mas inquieta. Inquieta com o que estar por vir e pelo muito que ainda tem a fazer pela moda brasileira. Ele mesmo disse que não haverá outra Zoomp, como daquela época. Talvez não. A marca teve percalços e mudou de donos, mas existe. A alma dela agora porém migrou para outros desafios. Sim Renato Kherlakian tem projeto de lançar logo que der, malharia e tricô. Depois das calças femininas, já lançou jeans masculinos, e agora começa com uma linha de couro de jaquetas e coletes. Essa inquietação está nos olhos de Renato e no seu jeito jovial de ser, com tênis, camiseta, jeans e jaqueta. Ele faz parte da construção da história da moda brasileira e seus coração ainda procura coisas novas.

Os olhos também mudam de expressão ao falar da Zoomp e de seu destino (foi vendida para o grupo I´M em 2006 e Renato permaneceu lá por um período, mas sem ter voz ativa; em 2008, já sem cláusulas que o segurasse, começou a fomentar sua nova marca, a RK Denim). Pois quando lembra disso tudo é possível perceber um certo marejamento no olhar. O assunto não está totalmente resolvido na justiça. E nem em seu espírito.

E talvez os fashionistas que acompanharam aquela época também se ressintam deste destino. Nomes como o dele e de Tufi Duek, que criaram a cultura do jeans fashion no Brasil, fazem falta no circuito atual da moda. Mas os anos 80, 90 ou 2000 voltam agora apenas como referências de tendências. Fiquemos com o futuro.

Renato Kherlakian no estande da RK Denim ao lado de modelo que veste uma de suas calças
Renato Kherlakian no estande da RK Denim ao lado de modelo que veste uma de suas calças
Foto: AgNews
Fonte: Terra
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