Escola de Divinos, marca alternativa dos anos 90, volta com novas propostas
A Escola de Divinos que marcou a moda underground dos anos 1990 está de volta com novo espaço na rua Augusta em São Paulo. A loja será inaugurada este mês e celebra uma nova fase na Escola, criada por Heitor Werneck e que vestia alternativos, drag queens e promoters da noite paulistana.
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O espaço de 230 metros quadrados abriga as peças da Escola de Divinos, mas também agora uma linha para bebês, um ambiente especial para crossdressers (homens que se vestem de mulheres sem nenhuma relação com orientação sexual) e um estúdio de perfuração e tatuagem, outras paixões de Werneck. O ambiente ainda será decorado com imagens fetichistas e outros temas de interesse do estilista, o que ele chama de Museu do Sexo.
Werneck continua passando longe da calça jeans. As roupas mantêm a mesma proposta: são alternativas, na forma, estampas e materiais, como couro, látex e vinil. E a maioria é peça única.
"Sempre tive público da noite, alternativos ou de teatro, nunca segui tendências, faço o quero, do jeito que quero, na hora que quero. Podia fazer 300 camisetas, mas uma era estampada de um jeito diferente da outra. E vou continuar fazendo isso", diz o punk que ficou um tempo afastado da moda para tratar de problemas de saúde.
Bebês
As roupas para bebês seguem a mesma linha. Em vez de anjinhos, as peças terão morcegos, ratinhos, teias. Há fuseaux de oncinha, jaquetinha camuflada e outras que até brincam com fetiche. "Fiz uma estampa de uma bebê dominatrix com a palavra Rainha para dizer que o bebê se torna a rainha do lar", disse Werneck, que classificou as peças como infantis e divertidas e para pais alternativos.
A linha inclui até fraldas de vinil nas cores preta, amarelo e vermelha. Werneck buscou orientação junto a médicos para desenvolver a peça. O espaço de crossdresser terá roupas, maquiagem, cílios postiços. E a loja ainda vai vender calçados masculinos da marca argentina Coturnos e os femininos, vindos de Nova York.
Apesar de muitas das roupas da Escola de Divinos terem referências fetichistas, Werneck também está criando peças-fetiche, que vão além do uso de couro, vinil e látex. "Não acho isso fetiche. Uso esses materiais desde que me conheço como punk", disse.
Paralelamente à marca, Heitor Werneck segue com o projeto de festas fetiche, o Luxúria, e deve retomar o Pulgueiro, feira de novos talentos na moda e cultura, a partir de 2010.