Com biquínis por R$ 350, marca brasileira conquista Middleton
A Vix, de Paula Hermanny, nasceu há 10 anos nos EUA e tem sido vista em celebridades como a princesa britânica, Jennifer Aniston e Kate Moss
Com DNA brasileiro, uma marca de moda praia que veste celebridades como a princesa Kate Middleton, Kate Moss, Jennifer Aniston, Kim Kardashian, Sienna Miller, Thaila Ayala, Carolina Dieckmann e Aline Weber. É assim a Vix, que nasceu há 10 anos quase sem querer. A capixaba Paula Hermanny foi estudar inglês nos Estados Unidos e suas companheiras de quarto adoravam os biquínis que usava. “Vi nisso uma oportunidade”, disse Paula ao Terra, que começou então a produzir as peças inspiradas no sol e nas ondas das praias do Espírito Santo, onde surfava, além de trazer referências herdadas de suas avós: Joana, que tinha muita elegância e senso estético; e Isaura, filha de Imigrantes italianos, que bordava e costurava com perfeição.
Elogiada na imprensa americana, como nos desfiles que realiza na semana de moda praia de Miami, a Vix aposta em modelagens diferenciadas e estampas atemporais, tudo misturado a pedras, couro, juta e cordas. A marca não deixa para trás o que a fez ter sucesso desde o início: os enfeites e acessórios banhados a ouro.
Com mil pontos de venda pelo mundo, sendo 300 multimarcas no Brasil, Paula abriu sua primeira loja no Brasil ano passado e pretende inaugurar mais duas este ano. As peças, encontradas também nas lojas de departamento americanas, como Saks, Neiman Marcus, Nordstrom e Bloomingdale’s, são vendidas separadamente, mas um biquíni completo sai em torno de R$ 350.
Em entrevista ao Terra, Paula Hermanny, que mora na Califórnia, conta como nasceu a Vix e qual o segredo para cativar celebridades do porte de Kate Middleton.
Terra - Você começou com a Vix quase por acaso, ao aceitar pedidos de suas companheiras de quarto nos EUA. Conte um pouco deste começo e quando realmente percebeu que era uma oportunidade profissional?
P.H - Sempre fui sonhadora e quando fui morar nos Estados Unidos para estudar inglês, tive dificuldades em encontrar biquínis que me vestissem bem. Todas minhas companheiras de quarto gostavam dos biquínis brasileiros que usava, então comecei a criar novos modelos, fiz minha marca. Vi ali então uma oportunidade. Nascia ali a Vix.
T - Você não tinha estudado moda nem estilo, como foi esse aprendizado?
P.H - Aprendi fazendo. Nunca tive medo de desafios, mas venho de uma família que tem ligação com moda. Minha avó, minha mãe e minhas tias sempre criaram as próprias roupas.
T - Como estudante de economia, o que você pensava seguir na profissionalmente?
P.H - Ainda não tinha nada muito claro na minha cabeça, talvez trabalhar em uma grande empresa.
T - Economia te deu base para criar a empresa?
P.H - A minha "expertise" para negócios vem muito mais de um DNA familiar do que de uma educação acadêmica, mas a criação sempre foi muito mais fácil para mim do que a gestão empresarial. Fazia por absoluta necessidade e por uma forma de controlar a empresa que eu ainda estava começando.
T - Ser brasileira, referência de moda praia, ajudou na divulgação e aceitação da marca nos EUA?
P.H - Hoje, sem dúvida, ser uma marca brasileira passou a ser uma referência mais forte do que quando comecei. Enfrentei todas as exigências que o mercado americano impõe prioritariamente: qualidade e entrega. Sem isso, mesmo o País sendo referência no que quer que seja, não se chega a lugar nenhum.
T - Qual o diferencial de suas peças em relação a outras de moda praia, brasileiras ou não?
P.H - O que posso dizer é que na Vix procuro fazer o que gosto, levando em conta beleza, qualidade e conforto. O diferencial da marca desde o começo foram os acessórios banhados a ouro nos biquínis, atrelados à modelagem e à qualidade, além da atenção aos detalhes.
T - Como as celebridades tiveram acesso à sua marca e o que você acha que as cativou?P.H - Através dos editoriais de revistas como Vogue americana e inglesa, Harper's Bazar e outras. O que as cativou foram as características citadas acima: conforto, beleza e qualidade.
T - Você vendeu até para a princesa Kate Middleton? Que tipo de peça ela adquiriu?
P.H - A princesa Kate comprou o biquíni tubo, carro-chefe entre as minhas modelagens.
T - Como você vê o mercado de moda praia brasileiro atualmente?
P.H - Hoje não é mais possível fazer um biquíni comum, o mercado cresceu e apareceu. A cliente hoje quer, além do biquíni, a bolsa, o chapéu, a túnica, a sandália, enfim o look completo.
T - Por que demorou 10 anos para abrir loja no Brasil?
P.H - Por que eu queria me sentir segura em relação a minha estrutura e equipe.
T – Você participa de alguma semana de moda praia? Pretende participar das brasileiras, que estão acontecendo nesta época?
P.H - É uma vontade, sim.
T - Qual a diferença entre vestir a mulher americana e a mulher brasileira para ir à praia?
P.H - A mulher americana é muito mais coberta e, neste sentido, a cultura da túnica sempre foi uma realidade no mercado americano. Além disso, a americana adora "mix and match", misturar e combinar estampas e modelos. A mulher brasileira é mais ousada e começa agora a se interessar por essa moda mais resort.
T - Qual o menor e o maior preço de peças suas peças no Brasil e nos EUA?
P.H - A Vix desde o começo vende as peças separadamente. As peças nos Estados Unidos giram em torno de US$ 90,00 a US$ 200, e no Brasil entre R$ 150 e 300. Ou seja, os conjuntos giram em torno de US$ 180 e R$ 350.
T - Tem algum estilista ou marca brasileira que a inspirou de alguma forma?
P.H - Não exatamente, mas admiro as pioneiras do mercado de moda praia no Brasil.
T - Quantos pontos de venda você tem nos EUA? Vende para outros países também?
P.H - Temos mil pontos de venda no mundo.
T - Quais os planos para o mercado brasileiro, já que abriu a loja nos ano passado? Quer abrir outras? Em quantas multimarcas vende no Brasil?
P.H - Vendemos em 300 multimarcas no Brasil e temos planos de abrir mais duas lojas ainda este ano.