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Aranhas exibem fase de sono semelhante à dos humanos

28 out 2026 - 17h56
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Resumo
Um estudo da Universidade de Bonn revelou que a aranha-saltadora Portia fimbriata possui um sono bifásico com uma fase similar ao sono REM dos vertebrados. Conhecida por sua notável capacidade cognitiva, a espécie atende aos critérios biológicos de sono verdadeiro, incluindo ritmo circadiano e menor reatividade sensorial. A descoberta indica que o sono complexo está mais disseminado no reino animal do que se supunha, tornando o aracnídeo um modelo valioso para investigar a evolução do descanso.

Pesquisa na Alemanha descobre uma fase parecida ao sono REM dos vertebrados em aranhas-saltadoras, tornando aracnídeos um modelo promissor para estudar a evolução do sono.Nos seres humanos e nos vertebrados, o sono passa por uma fase de intensa atividade cerebral, movimentos acelerados e pequenos espasmos oculares, conhecida como REM (de Rapid Eye Movement, ou movimento rápido dos olhos, em inglês). Agora, um estudo com aranhas-saltadoras demonstrou que, em animais com sistemas nervosos mais simples, o descanso também inclui um estado semelhante a esse.

O estudo, publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), foi liderado por Nadja Geiger e Daniela Rößler, do Instituto de Biologia Organísmica da Universidade de Bonn, na Alemanha.

A pesquisa é a primeira confirmação de que uma espécie de aranha (Portia fimbriata) não apenas dorme, mas apresenta um sono regulado em duas fases, uma delas surpreendentemente parecida com a fase REM.

A descoberta consolida as aranhas-saltadoras como modelos biológicos fundamentais para estudar e compreender a evolução inicial do descanso no reino animal.

Uma aranha pequena com grandes capacidades cognitivas

Na fase adulta, esse aracnídeo australiano atinge um tamanho modesto, equivalente aproximadamente ao de uma moeda de 50 centavos. Mas, apesar do tamanho reduzido, essas aranhas possuem capacidades cognitivas extraordinárias e um comportamento de caça sofisticado voltado para a predação de outras aranhas.

Para capturar suas presas, a Portia fimbriata emprega estratégias complexas de aprendizado. Por exemplo, ela imita com precisão as vibrações produzidas por insetos presos em uma teia para enganar e atrair aranhas tecedeiras.

Essas habilidades de aprendizado e resolução de problemas transformaram essa espécie em um objeto fascinante de estudo para investigar se um organismo com esse nível de processamento sensorial necessita de fases complexas de descanso.

Como o sono das aranhas foi estudado

Para demonstrar de forma rigorosa que as aranhas experimentam um sono verdadeiro, e não apenas um estado de repouso passivo, os pesquisadores registraram o comportamento desses aracnídeos durante o sono. Para isso, colocaram vários exemplares em pequenos recipientes de plástico e monitoraram seu comportamento durante vários dias e noites.

As observações foram realizadas sob diferentes condições de iluminação, incluindo ciclos constantes de luz ou escuridão, para avaliar a presença de um ritmo circadiano regulado internamente.

Sono bifásico e ritmo circadiano

O experimento demonstrou que a Portia fimbriata atende rigorosamente a múltiplos critérios biológicos e comportamentais que definem o sono nos vertebrados, incluindo controle circadiano, múltiplas fases do sono, ausência de resposta durante o sono e recuperação após a interrupção do descanso.

Para os autores, a confirmação de um verdadeiro sono bifásico na Portia fimbriata representa uma descoberta de grande relevância para a biologia comparada do comportamento, a cronobiologia e a neurobiologia.

A evolução do sono REM no reino animal

Como o conhecimento sobre o descanso vinha quase exclusivamente de pesquisas com vertebrados, este estudo demonstra que estados semelhantes ao sono REM estão mais disseminados no reino animal do que se imaginava. Trata-se de uma descoberta que abre novas perspectivas sobre a evolução biológica do sono e sobre a função primordial dessa atividade orgânica.

Por isso, os autores recomendam ampliar as pesquisas para uma maior diversidade taxonômica e para espécies com adaptações extremas, superando os limites dos organismos-modelo tradicionais.

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