Após a bariátrica: como resolver o problema do excesso de pele?
Assaduras, infecções e dificuldade para se exercitar podem indicar a necessidade de cirurgia reparadora.
O excesso de pele pós-bariátrica vai além da estética, afetando a saúde e a rotina ao causar infecções, assaduras e perda de mobilidade. A cirurgia plástica reparadora é indicada quando há impacto clínico e funcional, devendo ser feita de um a dois anos após o procedimento inicial, com peso estabilizado e exames nutricionais em dia para evitar riscos de cicatrização. O procedimento, que inclui intervenções como a abdominoplastia, é oferecido pelo SUS mediante avaliação médica criteriosa.
Com a bariátrica, o peso diminui, mas a pele excedente pode virar uma questão de saúde
Perder dezenas de quilos costuma ser tratado como o final feliz de quem passa por uma cirurgia bariátrica. O número da balança muda, assim como a rotina e o guarda-roupa. Mas existe uma parte dessa transformação que aparece pouco nas fotos de antes e depois: a pele nem sempre acompanha o emagrecimento.
Em alguns pacientes, o excesso é pequeno e a questão é predominantemente estética. Em outros, porém, as dobras de pele passam a provocar assaduras recorrentes, feridas, infecções, mau odor, dificuldade para fazer exercícios e até para manter a higiene. Nesses casos, a cirurgia plástica pós-bariátrica deixa de ser apenas uma discussão sobre aparência.
Pacientes de bariátrica
Um estudo multicêntrico publicado em 2025 na revista científica Obesity Facts ajuda a dimensionar essa realidade. A pesquisa acompanhou 380 pacientes durante três anos após a cirurgia bariátrica e constatou que 69,5% manifestaram desejo de realizar cirurgia de contorno corporal. Os pacientes que desejavam o procedimento apresentavam pior qualidade de vida, relacionada principalmente à quantidade e ao incômodo provocados pelo excesso de pele.
Para o cirurgião plástico Tárik Nassif, reduzir essa etapa do tratamento à vaidade é ignorar uma parte importante do que acontece com o paciente depois de uma grande perda de peso. "A Organização Mundial da Saúde define saúde como um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não meramente a ausência de doença ou enfermidade. O paciente tem o direito de buscar uma melhora no seu corpo, que devolva a autoestima e deixe as atividades diárias mais confortáveis", menciona ele. Nassif salienta que a cirurgia plástica pode resolver problemas dermatológicos, facilitar a higiene e também a prática de atividades físicas.
Pele é questão estética?
Não existe uma quantidade específica de pele que, sozinha, determine a necessidade de cirurgia. Segundo Nassif, o que pesa na indicação é principalmente a repercussão que esse excesso provoca na vida do paciente.
"Consideramos um problema de saúde quando o excesso de pele impacta diretamente a qualidade de vida e causa transtornos na rotina", explica. Os problemas dermatológicos podem ir desde assaduras até infecções fúngicas ou bacterianas. Há ainda pacientes que sentem desconforto ao correr ou sofrem com o atrito constante entre as pernas. Nos casos de abdômen em avental, o excesso de pele dificulta a higiene.
Cirurgia reparadora ou estética?
É importante esclarecer a diferença entre cirurgia reparadora e cirurgia exclusivamente estética. Quando a flacidez não provoca repercussões clínicas ou limitações funcionais e a finalidade do procedimento é somente melhorar o contorno corporal, a indicação é considerada estética.
Quando pode operar?
Depois de passar pelo processo de emagrecimento, é compreensível querer resolver rapidamente o excesso de pele. Mas justamente nessa etapa, segundo o especialista, ter pressa pode jogar contra o resultado e contra a própria segurança do paciente. Em geral, a cirurgia reparadora é realizada entre um e dois anos depois da bariátrica, com o peso estabilizado por pelo menos três a seis meses.
"O paciente deve estar com o peso estável, em bom estado nutricional, com boa reserva de proteínas e vitaminas, sem anemia e com o estado metabólico compensado, como glicemia em níveis normais e pressão arterial regular", relaciona o especialista. Esses parâmetros são indispensáveis para uma cirurgia reparadora bem-sucedida, assim como a recuperação adequada.
Antes do procedimento, exames laboratoriais ajudam a verificar reservas de proteínas, vitaminas, ferro, etc. Isso é especialmente importante, porque um corpo que emagreceu muito pode não estar, necessariamente, pronto para enfrentar uma nova cirurgia. "Um estado nutricional inadequado pode atrasar a recuperação e a cicatrização, causando abertura de pontos, infecção e até necrose de tecido", alerta o médico. Deficiências nutricionais e anemia também podem prejudicar a imunidade e trazer complicações como o seroma: acúmulo de líquido que se forma sobre a pele após uma cirurgia.
Como não recuperar o peso?
A cirurgia reparadora não encerra os cuidados iniciados com a bariátrica. Manter os hábitos adquiridos durante o processo de emagrecimento continua sendo fundamental. "Ganhar peso novamente impacta diretamente o resultado da cirurgia. É muito importante que o paciente continue a se alimentar corretamente e a praticar atividade física para potencializar ainda mais o resultado cirúrgico", explica o especialista.
O SUS faz reparadora?
Sim. O Sistema Único de Saúde (SUS) realiza cirurgias plásticas reparadoras pós-bariátricas quando existe indicação clínica. Os pacientes devem procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS) para encaminhamento aos centros de referência. Eles passarão por uma avaliação clínica e, se apresentarem alterações que causem prejuízo nas atividades diárias ou manifestações clínicas em decorrência do excesso de pele, a cirurgia é liberada.
Tipos de cirurgias realizadas:
- Abdominoplastia: trata o excesso de pele abdominal;
- Torsoplastia: retirada do excesso de pele das costas;
- Dermolipectomia: remoção de pele excedente e gordura de braços e coxas, também conhecida como lifting;
- Mastopexia: elevação das mamas.
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