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Aos 80 anos, homem com síndrome de Down é considerado o mais longevo do Brasil

João César Melchiori, o Neno, completou oito décadas de vida cercado pela família e entrou para o RankBrasil como a pessoa com síndrome de Down mais longeva do país

19 ago 2026 - 15h11
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Chegar aos 80 anos já é motivo de comemoração. Para João César Melchiori, conhecido pela família e pelos amigos como Neno, o aniversário trouxe ainda outro reconhecimento: o morador de São Manuel, no interior de São Paulo, entrou para o RankBrasil como a pessoa com síndrome de Down mais longeva do país.

João César Melchiori, o Neno, completou oito décadas de vida cercado pela família e entrou para o RankBrasil como a pessoa com síndrome de Down mais longeva do país
João César Melchiori, o Neno, completou oito décadas de vida cercado pela família e entrou para o RankBrasil como a pessoa com síndrome de Down mais longeva do país
Foto: Reprodução/Instagram / Bons Fluidos

Nascido em 30 de maio de 1946, Neno completou oito décadas de vida em 2026, cercado pelas pessoas que fazem parte de sua história. O reconhecimento ocorreu após a análise de documentos civis e declarações médicas que comprovaram tanto sua idade quanto o diagnóstico.

A marca chama atenção especialmente quando comparada à expectativa de vida das pessoas com síndrome de Down, que atualmente fica em torno de 60 a 65 anos. Mas, para a família, a história de Neno vai muito além dos números. Ela fala sobre vínculos, convivência, cuidado e uma rotina que, aos 80 anos, ainda guarda espaço para exercícios, música, passeios e encontros.

Uma festa de 80 anos com música, dança e muitos abraços

Para celebrar a nova idade, os familiares organizaram uma festa respeitando os desejos do próprio aniversariante. Neno aproveitou como queria: dançou, curtiu a música e circulou entre os convidados para cumprimentá-los mais de uma vez.

A atitude não surpreendeu quem convive com ele. Demonstrar afeto faz parte de sua personalidade. Segundo os familiares, Neno gosta de apertar as mãos das pessoas, distribuir abraços apertados e até beijar a mão daqueles por quem sente carinho, em uma demonstração particular de gratidão.

Assim, o aniversário que marcou a conquista do recorde também se transformou em uma celebração de sua trajetória e das relações construídas ao longo de oito décadas.

Infância no interior de São Paulo

A história de Neno começou em um Brasil bastante diferente. Ele nasceu em uma época em que havia menos conhecimento sobre a síndrome de Down e em que pessoas com deficiência enfrentavam ainda mais barreiras sociais e preconceito.

Filho de João Melchiori e Rosa Dell'Acqua, passou a infância no sítio da família, localizado no Bairro da Pedreira, em São Manuel. Cresceu próximo à lavoura de café e participava da rotina rural de acordo com suas possibilidades.

Neno não frequentou a escola. De acordo com os familiares, a realidade da vida no campo e a postura bastante protetora dos pais influenciaram essa decisão. Isso, porém, não significou que permanecesse isolado. Ele acompanhava a família em missas, comemorações e outros encontros da comunidade.

Com a morte dos pais, os cuidados passaram para as irmãs. Atualmente, vive ao lado da irmã e curadora, Hermínia Angela Melchiori Francisco, e de outros parentes. Também conta diariamente com o auxílio de Marilsa, que acompanha sua alimentação e seus medicamentos.

Rádio é uma de suas grandes paixões

Entre os hábitos que atravessaram os anos está o amor pelo rádio. Na casa onde vive, Neno tem até um cantinho especial no porão que chama de "escritório". É nesse espaço que costuma ouvir seus programas favoritos, acompanhar os locutores, cantar e conversar. Entre os artistas que fazem parte de sua trilha sonora estão nomes tradicionais da música sertaneja, como Tonico & Tinoco e Sérgio Reis.

Se música está entre seus prazeres, comida e passeios também ocupam lugar especial. Neno gosta de macarrão e sopa, aprecia sair para comer e não dispensa uma volta fora de casa. São hábitos cotidianos que ajudam a contar quem ele é para além do recorde.

Como é a rotina de Neno aos 80 anos?

Mesmo depois de completar oito décadas, Neno mantém seus dias organizados e continua ativo dentro de suas possibilidades. Duas vezes por semana, realiza exercícios físicos com supervisão. Durante as tardes, costuma ouvir rádio. À noite, janta com os familiares e assiste à televisão. Nos fins de semana, os passeios e a participação na missa também fazem parte da programação.

Naturalmente, a idade trouxe algumas limitações. Ele passou a caminhar mais devagar, por exemplo, mas continua disposto a sair e participar das atividades de que gosta.

Sua trajetória de saúde também teve momentos delicados. Ao longo dos anos, Neno enfrentou pneumonias, cirurgias e outros problemas. Ele ainda sofreu um AVC isquêmico, mas, segundo os familiares, conseguiu se recuperar sem sequelas importantes, com acompanhamento médico e os cuidados recebidos em casa.

Uma história que virou orgulho para São Manuel

O certificado de pessoa com síndrome de Down mais longeva do Brasil representa uma conquista para a família, mas Neno já havia recebido outro tipo de reconhecimento muito antes disso.

Pessoas próximas o consideram uma espécie de "patrimônio humano" de São Manuel. O apelido carinhoso está relacionado justamente à forma como construiu vínculos na cidade ao longo da vida, sendo lembrado pelo jeito afetuoso e alegre de receber quem encontra pelo caminho.

Foi sua sobrinha, Rosane Cristina Melchiori Francisco, quem reuniu e encaminhou ao RankBrasil os documentos necessários para que a trajetória do tio fosse oficialmente reconhecida.

Para os familiares, os 80 anos de Neno também carregam uma mensagem importante sobre a vida das pessoas com síndrome de Down. Mais do que falar sobre longevidade, sua história reforça a importância de acesso a cuidados, convivência, respeito, direitos e oportunidades ao longo de todas as fases da vida.

E, enquanto o recorde chama atenção de quem conhece sua história agora, Neno continua aproveitando aquilo que sempre fez parte de seu cotidiano: a família por perto, o rádio ligado, os passeios e muitos abraços.

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