Aos 29 anos, atriz de 'Coração Acelerado' superou dois AVCs antes da novela: 'Não sonhava mais'
Antes de estrear na TV como Rosinha, em Coração Acelerado, Yrla Braga enfrentou o luto pela morte da mãe, superou dois AVCs e encontrou no humor um caminho para recomeçar
Com seu jeito espontâneo e bem-humorado, Rosinha se tornou uma das personagens mais queridas de Coração Acelerado, novela das sete da Globo que chega ao fim em 14 de agosto. Mas, longe das câmeras, a atriz Yrla Braga enfrentou desafios que transformaram completamente sua trajetória antes de estrear na televisão.
A atriz precisou lidar com a morte da mãe, que foi sua maior incentivadora artística, e também enfrentou dois acidentes vasculares cerebrais (AVCs), sendo o segundo considerado extremamente grave. Hoje, ela enxerga essas experiências como parte do caminho que a levou de volta aos palcos e, posteriormente, à TV. "No momento em que a minha vida estava desabando, chega um trabalho incrível como esse", celebrou, em entrevista ao gshow.
O luto afastou Yrla da atuação
O vínculo entre Yrla e a arte começou ainda na infância, graças ao incentivo da mãe, professora apaixonada pelo universo artístico. Foi ela quem apresentou o teatro à filha quando ela tinha apenas nove anos e acompanhou seus primeiros passos como atriz.
Quando perdeu a mãe, porém, a artista conta que deixou de encontrar sentido na profissão. A atuação passou a estar diretamente ligada à dor da despedida. "Eu havia desistido da carreira de atriz porque eu coloquei a atuação num lugar de dor. Quando perdi minha mãe, eu meio que associei atuar a um lugar de dor, já que foi ela que me levou para esse palco", relembrou.
Alguns anos depois, um convite para participar de um espetáculo de stand-up marcou o início de uma nova fase. Aos poucos, Yrla voltou a subir ao palco e encontrou no humor uma forma de homenagear a mãe e reconstruir sua relação com a profissão.
O susto com a saúde mudou sua perspectiva
Quando a carreira começava a ganhar um novo rumo, outro desafio surgiu. Aos 29 anos, a atriz sofreu um AVC isquêmico e, inicialmente, os sintomas foram confundidos com uma crise de ansiedade, o que atrasou o diagnóstico correto. "Os médicos me explicaram que foi um fio de cabelo que me separou da morte. Teve um momento em que eu pensei: 'Se eu não morrer, eu vou sair daqui e vou pisar com tudo no acelerador'", contou.
Yrla revelou ainda que esse não foi seu primeiro AVC. Aos 19 anos, ela já havia passado pela mesma condição, mas com manifestações completamente diferentes. "Na verdade, eu tinha tido um AVC aos 19 anos. Senti apenas um sintoma. Aos 29 anos, foi um sintoma completamente diferente. Eu estava em um aniversário, super feliz, quando comecei a me sentir mal e fui para o pronto-socorro. O primeiro diagnóstico que eu tive foi de uma crise de ansiedade. Eu cheguei embolando a fala e sentindo um pouco de dormência no meu rosto, que paralisou um pouco do lado esquerdo." Após receber o diagnóstico correto, a atriz iniciou o tratamento e conseguiu se recuperar.
Humor como ferramenta de recomeço
Depois da recuperação, Yrla decidiu transformar uma experiência tão delicada em algo capaz de acolher outras pessoas. Durante seus shows de stand-up, ela fala sobre os AVCs de forma leve e conta que costuma encontrar pessoas que viveram situações semelhantes.
"Hoje eu faço piadas sobre isso e eu vi que ajuda muita gente também. Toda vez que eu faço esse show eu sempre encontro uma pessoa da mesma faixa etária que teve e cara muita gente tem e não sabe lidar com a situação", explicou.
Mantendo o bom humor que conquistou o público na televisão, ela ainda brincou com a própria história: "Eu tive dois AVCs, aí o terceiro eu estou evitando porque eu não escolhi a música ainda. Dizem que o terceiro a gente pede música para Jesus, estou na dúvida ainda e eu estou evitando".
Recomeços podem nascer da dor
A estreia em Coração Acelerado representou muito mais do que um novo trabalho para Yrla Braga. Foi a confirmação de que, mesmo depois de perdas profundas e de desafios inesperados, é possível reconstruir sonhos.
Sua trajetória também chama atenção para um aspecto importante da saúde: o AVC pode atingir pessoas jovens e nem sempre apresenta os mesmos sintomas. Ao compartilhar sua história, a atriz não apenas inspira outras pessoas a acreditarem em novos começos, como também reforça a importância de buscar atendimento médico diante de sinais como dormência, dificuldade para falar e alterações repentinas nos movimentos.
Mais do que uma história de sucesso profissional, a de Yrla Braga é um lembrete de que a vida pode ganhar novos significados justamente depois dos momentos mais difíceis.
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