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Anvisa faz alerta sobre uso de relógios e anéis inteligentes para diagnosticar doenças

Anvisa alerta que dados fornecidos por anéis e relógios inteligentes não devem ser usados para diagnosticar doenças ou substituir avaliações médicas

28 ago 2026 - 17h13
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Resumo
A Anvisa alertou que relógios e anéis inteligentes não devem ser usados para diagnosticar doenças, definir tratamentos ou substituir consultas e exames médicos. Embora esses acessórios monitorem o sono e atividades físicas, a maioria é voltada apenas ao bem-estar e não possui finalidade médica comprovada. A agência destacou que não há dispositivos autorizados para medir glicose ou oximetria de forma não invasiva, reforçando que os dados coletados servem apenas como apoio complementar.

Relógios, pulseiras e anéis inteligentes conquistaram espaço na rotina de quem deseja acompanhar mais de perto informações sobre sono, exercícios e funcionamento do organismo. Apesar da quantidade de dados oferecida por esses dispositivos, porém, é importante entender até onde eles podem ir quando o assunto é saúde. Nesta quinta-feira (27), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) fez um alerta sobre o uso dessas tecnologias. Segundo o órgão, informações apresentadas por wearables não devem ser interpretadas como diagnóstico nem utilizadas, sozinhas, para tomar decisões sobre tratamentos.

Reprodução: Canva/Createya Design
Reprodução: Canva/Createya Design
Foto: Bons Fluidos

"As informações fornecidas por um anel inteligente não devem ser usadas para confirmar ou descartar uma doença, definir tratamentos, alterar medicamentos ou substituir exames e avaliações realizados por profissionais de saúde. Um alerta ou indicador apresentado pelo dispositivo não significa, por si só, que a pessoa esteja doente. Da mesma forma, resultados considerados 'normais' pelo aparelho não garantem que não exista qualquer problema de saúde", diz o alerta da agência.

Na prática, isso significa que uma alteração identificada pelo aparelho pode servir como informação para observar o próprio corpo ou até ser levada a uma consulta, mas não confirma a existência de uma doença. O contrário também merece atenção: números dentro dos padrões indicados pelo dispositivo não são suficientes para garantir que esteja tudo bem.

Anel inteligente é um dispositivo médico?

A resposta depende da finalidade para a qual o produto foi desenvolvido. Muitos dos anéis inteligentes disponíveis no mercado são voltados ao bem-estar e à prática de atividades físicas, e não ao diagnóstico ou acompanhamento clínico de doenças.

"Em geral, anéis inteligentes não são desenvolvidos pelos fabricantes com finalidade médica, mas sim como acessórios de bem-estar e apoio a atividades esportivas. Neste caso e se não medirem parâmetros fisiológicos de uso tipicamente clínico, não são considerados produtos médicos sujeito à regularização", explica a Anvisa.

Quando um dispositivo possui finalidade médica, sua regularização ganha especial importância porque envolve requisitos relacionados à segurança e ao desempenho necessário para o uso proposto.

Um dos pontos que mais chama atenção no comunicado diz respeito a funções que podem passar ao consumidor uma impressão de avaliação clínica. Segundo a Anvisa, atualmente não existem smartwatches ou anéis vestíveis autorizados pela agência para realizar medição não invasiva de glicose ou oximetria. "Ou seja, a capacidade técnica destes produtos em oferecer a medição destes parâmetros ainda não foi comprovada pelos fabricantes", afirma o órgão.

Afinal, para que servem os anéis inteligentes?

Os chamados smart rings fazem parte do universo dos wearables, nome dado às tecnologias desenvolvidas para serem utilizadas junto ao corpo. Smartwatches e pulseiras fitness são outros exemplos bastante populares dessa categoria.

No caso dos anéis, a principal diferença está no formato compacto. Dependendo do modelo, pequenos sensores incorporados ao acessório conseguem acompanhar aspectos como frequência cardíaca, movimentos, temperatura, atividade física e padrões relacionados ao sono.

As informações coletadas normalmente são enviadas por Bluetooth para um aplicativo no celular, onde o usuário consegue visualizar tendências e relatórios ao longo dos dias.

Alguns modelos também podem oferecer outras funcionalidades, como pagamentos por aproximação e integração com aparelhos inteligentes. Os recursos, no entanto, variam bastante de acordo com cada fabricante e dispositivo.

Tecnologia pode ajudar, mas não substitui avaliação profissional

Entre os atrativos dos anéis inteligentes estão o tamanho reduzido e a possibilidade de utilizá-los por longos períodos, inclusive durante o sono. A ausência de uma tela também faz com que sejam mais discretos do que muitos relógios inteligentes.

Por outro lado, essa característica cria uma dependência maior do celular para consultar as informações. Além disso, smart rings podem oferecer menos recursos para determinados exercícios quando comparados a relógios esportivos mais completos, e um ajuste inadequado no dedo pode interferir na coleta dos dados.

Por isso, mais importante do que acompanhar cada número apresentado pelo aplicativo é compreender o propósito dessas informações. Dados de bem-estar podem ajudar a conhecer hábitos e perceber mudanças ao longo do tempo, mas não equivalem a exames médicos.

Caso o aparelho indique repetidamente alguma alteração (ou a pessoa apresente sintomas mesmo quando os números aparecem dentro da normalidade), a orientação da Anvisa reforça um cuidado essencial: a tecnologia pode funcionar como ferramenta complementar, mas não deve ocupar o lugar de uma avaliação realizada por um profissional de saúde.

Bons Fluidos
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