Anti-blush: tendência mostra como a maquiagem vai de um extremo ao outro
Depois da febre das bochechas bem rosadas, técnica aposta em tons terrosos e discretos - mas mostra também como as tendências de beleza vivem em ciclos
Por algumas temporadas, parecia que blush nunca era demais. Bochechas intensamente rosadas, produtos líquidos super pigmentados e até o famoso efeito "chinelada" dominaram tutoriais e redes sociais. Agora, como costuma acontecer no universo da beleza, o movimento começa a apontar justamente para o lado oposto.
A tendência da vez recebeu o nome de "anti-blush" e troca rosas, vermelhos e pêssegos evidentes por marrons, terracotas, tons acinzentados e outras cores mais próximas à pele. O objetivo é criar profundidade e definição sem deixar aquele aspecto visivelmente corado.
Mas calma: apesar do nome um tanto dramático, isso não significa que o blush tradicional tenha sido aposentado. Na verdade, a tendência é mais um exemplo de como a maquiagem vive em ciclos - e de como algo que até ontem era indispensável pode rapidamente ganhar uma versão completamente diferente.
Afinal, o que é o anti-blush?
O anti-blush não significa simplesmente deixar de aplicar blush. A principal mudança está na escolha da cor e no resultado esperado. Enquanto o blush tradicional costuma reproduzir o rubor natural das bochechas, com tonalidades rosadas, avermelhadas ou pêssego, o movimento prefere cores menos óbvias. Marrons frios, terracota, canela, rosa queimado e até tons com fundo acinzentado entram nessa proposta.
O resultado fica em algum lugar entre blush, bronzer e contorno. Em vez de acrescentar uma cor evidente às maçãs do rosto, o produto ajuda a criar sombras suaves e dimensão.
A tendência também se aproxima do chamado "blonzer", termo que nasceu da união entre blush e bronzer. A diferença é que, no anti-blush, o acabamento tende a ser ainda mais discreto e próximo da tonalidade natural da pele.
Então o blush rosa está fora de moda?
Não, e talvez essa seja a parte mais importante dessa história. O surgimento de uma tendência chamada "anti-blush" pode transmitir a impressão de que aquilo que estávamos usando até agora deixou repentinamente de funcionar. Mas maquiagem não precisa ser encarada dessa maneira.
As tendências de beleza raramente substituem completamente umas às outras. Muitas vezes, elas coexistem. Enquanto algumas pessoas continuam preferindo bochechas bem rosadas, outras podem gostar de um acabamento mais neutro - e nada impede que a mesma pessoa escolha um estilo diferente dependendo do dia.
Aliás, existe certa ironia no próprio nome "anti-blush": para aderir à tendência, você continua usando blush. O que muda é apenas a tonalidade escolhida e a maneira de aplicá-lo. É também um bom lembrete de como o mercado da beleza transforma pequenas mudanças de acabamento em novas estéticas. Nem sempre é preciso renovar toda a nécessaire para acompanhar aquilo que aparece nas redes sociais.
Como fazer o anti-blush com produtos que você já tem?
Para experimentar o efeito, o primeiro passo é procurar tonalidades menos vibrantes. Marrons, terracotas, rosa queimado e cores próximas ao tom natural da pele costumam funcionar melhor para a proposta.
A escolha, naturalmente, precisa considerar cada tom e subtom de pele. O que parece um marrom discreto em uma pessoa pode ficar muito mais intenso em outra.
A quantidade também faz diferença. Como a intenção é criar um acabamento suave, começar com pouco produto e construir a cor aos poucos ajuda a evitar que o resultado fique pesado.
E não é obrigatório comprar um produto específico para isso. Uma alternativa é testar um produto terroso que você já tenha ou misturar uma pequena quantidade do blush com a base para suavizar a pigmentação e aproximar a cor do tom da pele.
No fim, o anti-blush pode ser interessante justamente como mais uma possibilidade de maquiagem, e não como uma nova regra. Depois de anos ouvindo que o blush precisava aparecer, agora surge uma estética dizendo que ele deve quase desaparecer. Entre um extremo e outro, talvez a melhor tendência continue sendo escolher o efeito que faz sentido para você.
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