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Abelhas ganham direitos legais históricos e criam marco mundial na Amazônia

Entenda como a nova legislação protege os polinizadores nativos e o que muda para quem destruir a natureza

19 mai 2026 - 12h21
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Cidades do Peru aprovaram normas pioneiras que garantem direitos legais inéditos para as abelhas sem ferrão na floresta amazônica. Essas novas leis municipais ampliam uma reforma aprovada pelo Congresso peruano que já havia incluído os insetos na lista de patrimônios biológicos nacionais protegidos pelo Estado. Agora, as chamadas meliponíneas passam a contar com garantias específicas para assegurar sua sobrevivência e o combate ao desmatamento. O fato é histórico porque transforma esses pequenos polinizadores em sujeitos de direitos diante da justiça. Pesquisadores apontam que esses insetos desempenham um papel essencial para a sobrevivência de cerca de 80% das plantas tropicais, incluindo o cacau, o café e o abacate. Cientistas calculam que metade das 500 espécies conhecidas de abelhas sem ferrão no mundo vive justamente na Amazônia, e o Peru abriga pelo menos 175 delas.

Cidades do Peru aprovam leis inéditas que dão direitos jurídicos a abelhas na Amazônia. Entenda o impacto da medida contra o desmatamento
Cidades do Peru aprovam leis inéditas que dão direitos jurídicos a abelhas na Amazônia. Entenda o impacto da medida contra o desmatamento
Foto: DiyanaDimitrova/iStock / Getty Images Plus / Bons Fluidos

Uma declaração de direitos para os insetos

Os novos decretos funcionam na prática como uma verdadeira declaração de direitos fundamentais para as colônias. A legislação estabelece que as abelhas têm direito à existência, à manutenção de populações saudáveis, à regeneração de seus ciclos naturais e à vida em habitats limpos e climaticamente estáveis. Quem descumprir as regras e causar danos às populações de polinizadores enfrentará punições severas no país. A lei determina que qualquer empresa, órgão público ou cidadão que prejudicar as colmeias responderá judicialmente por seus atos. Os tribunais locais agora são obrigados a avaliar não apenas os prejuízos causados aos seres humanos, mas também os impactos diretos sofridos pelas espécies e pelo ecossistema amazônico.

Ciência e tradição indígena unidas na floresta

A iniciativa inovadora ganhou força a partir de estudos científicos liderados pela bióloga química Rosa Vásquez Espinoza e pela organização Amazon Research Internacional. Durante o período da pandemia, comunidades indígenas pediram análises detalhadas sobre o mel que já usavam tradicionalmente como remédio natural em suas terras. As análises laboratoriais revelaram centenas de moléculas bioativas com fortes propriedades antibacterianas, anti-inflamatórias, antioxidantes e até mesmo potencial para combater o câncer. Essas descobertas comprovaram cientificamente o conhecimento que os povos originários transmitiam de geração em geração. Com o apoio das lideranças locais, os pesquisadores mapearam colmeias em grandes áreas da floresta e provaram como a derrubada de árvores antigas destrói o habitat dos insetos. Para as etnias Asháninka e Kukama-Kukamiria, esses animais possuem uma importância cultural e espiritual profunda, estando presentes em suas músicas e rituais.

O ponto de virada contra as ameaças ambientais

Especialistas em legislação do Earth Law Center ajudaram a traduzir todo esse conhecimento ancestral e científico para o formato de textos jurídicos aplicáveis. A advogada Constanza Prieto celebrou o avanço e classificou a medida como "um ponto de virada" na forma como a humanidade se relaciona com o meio ambiente. A criação dessas leis atende a uma urgência real, pois as abelhas sem ferrão sofrem com o avanço do desmatamento, o uso pesado de agrotóxicos, a expansão da agropecuária e a concorrência com abelhas africanizadas. Moradores da floresta relatam que locais antes cheios de ninhos agora exigem horas de caminhada sem qualquer garantia de encontrar uma colméia. Além do peso da lei, as prefeituras peruanas terão que criar ações práticas como o reflorestamento de áreas degradadas, controle rígido de defensivos agrícolas e monitoramento científico. O modelo já inspira outros países e move uma petição internacional da organização Avaaz para expandir a regra para todo o território do Peru.

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