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A dor persiste, a mente sente e a rotina muda: quando até as tarefas mais simples se tornam difíceis, o sofrimento ultrapassa o corpo e compromete a qualidade de vida

Dor crônica e saúde mental estão mais ligadas do que parece. Entenda como a dor pode afetar a rotina, as emoções e a qualidade de vida.

17 out 2026 - 16h00
(atualizado às 16h02)
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Resumo
As doenças da coluna e a dor crônica — aquela persistente por mais de três meses — lideram os afastamentos do trabalho no Brasil e afetam profundamente a qualidade de vida. Além dos impactos físicos, a condição abala a saúde mental: cerca de 40% dos pacientes relatam sintomas de depressão e ansiedade devido às limitações na rotina e ao medo contínuo. Esses fatores reforçam a urgência de um tratamento médico integrado que contemple tanto o corpo quanto a mente para devolver o bem-estar ao indivíduo.

Os dias 16 e 17 de outubro marcam duas importantes datas de conscientização: o Dia Mundial da Coluna e o Dia Mundial de Combate à Dor. Ambas têm implicações diretas para a prática clínica e a saúde pública.

Dor crônica e saúde mental / Crédito: Magnific
Dor crônica e saúde mental / Crédito: Magnific
Foto: SaúdeLab / SaúdeLAB

Um ponto que exige atenção é o fato de que a dor, muitas vezes, não passa e pode afetar muito mais do que o corpo. A dor é considerada crônica quando persiste ou recorre por um período superior a três meses.

Além dos sintomas físicos, a dor crônica cursa com limitações na realização de atividades cotidianas, impactando diretamente a funcionalidade e o bem-estar.

O reconhecimento dessas incapacidades e de sua relação com a saúde mental é fundamental para proporcionar um cuidado integrado, com o objetivo de resgatar a qualidade de vida do paciente.

Dados do Ministério da Previdência Social reforçam a importância da conscientização sobre essas datas. Em 2025, entre as principais causas de concessão de benefícios por incapacidade temporária no Brasil, as patologias da coluna ocuparam posições de destaque no ranking.

Entre elas estão dor nas costas, dor lombar e transtornos dos discos intervertebrais, como a hérnia de disco, seguidas por fraturas de perna e tornozelo.

Esses dados revelam que as patologias ortopédicas, principalmente as da coluna, cursam com redução da capacidade laborativa em virtude de uma combinação de fatores, como a perda da mobilidade e a impossibilidade de executar determinadas tarefas, associadas à dor contínua.

Na sequência dos afastamentos, surgem a ansiedade, as lesões no ombro e a depressão, consolidando as patologias ortopédicas e os transtornos psiquiátricos como importantes causas de incapacidade laborativa no Brasil.

A relação entre dor crônica e saúde mental

A presença da dor crônica, somada às limitações funcionais, constitui um importante fator de risco para o comprometimento da saúde mental.

É importante reforçar que a dor crônica apresenta diversas causas além das ortopédicas, podendo ser desencadeada por patologias articulares, neurológicas e inflamatórias, além de lesões de diferentes naturezas.

Independentemente de sua origem, a dor crônica pode atuar como um importante fator desencadeante de sofrimento psíquico.

Uma revisão sistemática e metanálise publicada na JAMA Network Open, que reuniu 376 estudos de 50 países e 347.468 participantes com dor crônica de diferentes etiologias, identificou sintomas clinicamente significativos de depressão em 39,3% dos casos e de ansiedade em 40,2%.

Cabe ressaltar que a dor crônica não afeta todas as pessoas da mesma forma, e nem toda pessoa que convive com a dor desenvolverá esses transtornos.

Trata-se de uma relação complexa e multifatorial, na qual a dor atua como um importante fator de risco para o sofrimento psíquico.

A autonomia, a funcionalidade, o sono e a convivência social são afetados pela dor crônica. A persistência desse quadro pode levar à perda de interesse em atividades prazerosas, a mudanças de humor e a preocupações excessivas, como o medo de agravar a condição.

Isso faz com que a pessoa limite seus movimentos e mude seus hábitos.

Somado a isso, o afastamento da rotina gera impactos significativos nos âmbitos profissional e financeiro, provocando um sentimento de perda de independência e intensificando ainda mais os desafios emocionais e práticos de quem convive com a dor.

É importante destacar que nem toda pessoa com dor crônica desenvolverá depressão ou ansiedade. Da mesma forma, a depressão e a ansiedade são transtornos complexos, que decorrem de diversas causas biológicas, genéticas e ambientais, independentemente da presença de um quadro doloroso.

O reconhecimento do impacto da dor e das limitações na realização das atividades cotidianas sobre a saúde mental reforça que corpo e mente não atuam isoladamente.

Ambos precisam ser considerados de forma integrada no cuidado ao paciente, visando recuperar a autonomia, a funcionalidade, o bem-estar e a qualidade de vida.

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Fonte: SaúdeLAB
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