Script = https://s1.trrsf.com/update-1765905308/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

Tratamento de esgoto de emissário de Santos é insustentável

20 jul 2018 - 11h08
(atualizado em 20/6/2018 às 15h37)
Compartilhar

Pesquisa mostra que é preciso rever sistema de lançamento de esgoto no mar. No caso de Santos, por exemplo, o aumento da vazão do emissário submarino e o tratamento preliminar usado para o esgoto tornam o sistema incapaz de controlar e reduzir a concentração de fósforo, que pode levar ao crescimento de algas tóxicas, à contaminação e morte de peixes e espécies vegetais.

Estudo de doutorado, realizado pelo oceanógrafo Eduardo Lucas Subtil, do Departamento de Engenharia Hidráulica e Ambiental da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), aponta opções de pré-tratamento e o principal composto a ser removido no esgoto lançado por emissários submarinos com vazão elevada, como o de Santos, no litoral de São Paulo.

"No caso do emissário submarino de Santos, o tratamento preliminar do esgoto se tornou insustentável. É preciso reduzir a vazão do emissário ou readequar o sistema de tratamento para continuar com a mesma capacidade de vazão autorizada. Isso seria a solução mais factível, até mesmo porque já existe uma rede de coleta de esgoto instalada", afirma Subtil.

Lei - Para Subtil, o País necessita de legislação que estabeleça qual pré-tratamento deve ser adotado por emissários submarinos e quais compostos presentes no esgoto precisam ser removidos antes de chegar ao oceano, de forma a minimizar os impactos ambientais.

"Na maioria dos países já existem leis ambientais para isso. No Brasil, a primeira legislação que menciona emissários submarinos foi lançada em 2011 pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), que estabeleceu como tratamento mínimo obrigatório a remoção de 20% dos sólidos suspensos. Mas essa medida ainda é insuficiente para emissários submarinos de vazão elevada e localizados em regiões de circulação marinha restrita", explica Subtil em reportagem

"A existência de uma legislação ambiental específica para isso, incluindo o conceito de zona de mistura legal, daria segurança tanto para os órgãos ambientais quanto para as empresas que pretendem adotar esse sistema como uma solução para tratamento de esgoto em zona costeira", avalia.

Na sua pesquisa, o cientista concluiu que o tratamento denominado primário avançado, com a aplicação de produtos químicos específicos, é capaz de remover os sólidos suspensos e elementos presentes no esgoto, como o fósforo.

Administrado pela Sabesp, o emissário de Santos, foi construído em 1978 e tem cerca de 4,5 mil metros de extensão. Autorizado a lançar até 5,3 m3 de esgoto por segundo, o emissário não consegue dispersar adequadamente a carga de contaminantes que despeja no mar por meio do sistema de tratamento que utiliza hoje, segundo o pesquisador.

O sistema também adotado em outros emissários submarinos brasileiros utiliza peneiras para retirar as partículas mais grossas da água e lança o restante no oceano por meio de um sistema difusor, localizado no final do emissário, que promove a diluição e a mistura do efluente com a água do mar.

Tratamento - De acordo com o pesquisador, o tratamento primário avançado do esgoto do emissário submarino de Santos indicado pelo estudo representa a melhor solução em termos econômicos e ambientais, em comparação com outros sistemas. Ele já é usado nos Estados Unidos e China. "É um sistema relativamente mais fácil e barato de ser implementado do que os tratamentos secundário e terciário, que podem custar três vezes mais", diz Subtil.

Além da readequação do sistema, o impacto ambiental causado pelo emissário pode ser reduzido, segundo o pesquisador, com o aumento da extensão do emissário que não mais lançaria o esgoto no meio da baía, dificultando a sua dispersão. Mas aí há um problema: a declividade do fundo oceânico da costa paulista é pequena.

"A profundidade de lançamento dos emissários submarinos existentes na Espanha atinge 40 metros, enquanto a dos emissários de Santos e Praia Grande não chega a ser superior a 15 metros", explica.

"Isso faz com que, no caso do emissário submarino de Santos, a diluição alcançada não seja suficiente para reduzir a concentração dos poluentes lançados em níveis seguros, antes de a pluma atingir a superfície e contribuir para aumentar o risco de crescimento de algas", afirma.

Fonte: DiárioNet DiárioNet
Compartilhar
Publicidade

Conheça nossos produtos

Seu Terra