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O lado obscuro da energia solar: estamos criando uma montanha de lixo de 250 milhões de toneladas

O "veneno" da superprodução: como os painéis baratos estão matando o incentivo para consertar

21 jan 2026 - 08h13
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Foto: Xataka

A transição energética está acontecendo a uma velocidade sem precedentes. Segundo o relatório mais recente do IEA-PVPS, somente em 2024 foram instalados 601 GW de potência solar no mundo, alcançando um total acumulado de 2,2 TW. No entanto, esse sucesso esconde um problema ambiental. Como alerta a pesquisadora Rabia Charef no site The Conversation, estamos instalando o futuro sobre uma montanha potencial de lixo que, por projeto, é um "sanduíche de resistência industrial" quase impossível de separar.

Para que um painel suporte granizo, neve e ventos por 30 anos, ele é construído empilhando camadas de vidro, silício e polímeros selados com adesivos tão potentes que os transformam em uma unidade única. Segundo explica Charef, essa virtude é também sua condenação, já que, ao final da vida útil, a separação dos materiais é tão cara que a maioria acaba em aterros sanitários.

Já em 2016, relatórios da IRENA alertavam que, até 2050, os resíduos solares poderiam somar 250 milhões de toneladas, o que representaria 10% de todo o lixo eletrônico do planeta.

China e o "veneno" da superprodução

O relógio dessa crise se acelerou por causa da geopolítica. A China domina 90% da capacidade global de células solares e, nesse esforço para liderar o setor, o gigante asiático fabricou 588 GW no ano passado, o dobro da demanda mundial.

Essa inundação de painéis baratos derrubou os preços e provocou perdas milionárias, mas também criou um incentivo perverso: é tão barato comprar um painel novo que ...

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