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'Frustração é natural. Momento é do realismo', diz chefe da COP-30 após críticas à proposta final

Rascunho de documento decepciona por falta de menção ao mapa para abandonar combustíveis fósseis, vilões do aquecimento global

21 nov 2025 - 13h40
(atualizado às 14h30)
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ENVIADAS ESPECIAIS A BELÉM- O presidente da Cúpula do Clima das Nações Unidas (COP-30), o embaixador André Corrêa do Lago, afirmou nesta sexta-feira, 21, que entende a frustração com o textos em debate para as decisões climáticas, mas que esse é o "momento do realismo".

Na manhã desta sexta, um novo rascunho dos textos em negociação pelas partes foi divulgado e gerou críticas, principalmente pela ausência de uma proposta de mapa do caminho rumo ao fim do uso de combustíveis fósseis, como o petróleo, principais motores do aquecimento global.

A demanda por um roteiro para a transição energética foi crescendo ao longo dos últimos dias na COP-30, em Belém, e alcançou o apoio de cerca de 80 países. O regime do clima, no entanto, é composto por 198 partes e todas as decisões são tomadas por consenso.

Após plenária na manhã desta sexta-feira, Corrêa do Lago comentou sobre o tema: "Como em toda COP, a questão de ambição é central e muito difícil. É natural que haja alguma frustração, mas acho que é o momento do realismo", afirmou.

Durante discurso na plenária de abertura, Corrêa do Lago pediu cooperação dos negociadores para que superem a atual divisão entre países e afirmou que algumas das prioridades do Brasil não estão avançando da maneira como o Brasil gostaria.

Ele acrescentou que sua presidência, porém, não se guia por medidas que atendam ao que o país anfitrião quer e sim "prioriza o fortalecimento de algo que será bom para todos nós."

A fala faz referência principalmente à definição de um mapa do caminho para a transição rumo ao fim dos fósseis - tema que divide os países. A criação desse roteiro para que o mundo abandone combustíveis como o petróleo foi defendido várias vezes pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante discursos na Cúpula de Líderes, que antecedeu a COP-30, no início no mês.

Na quarta-feira, 19, Lula voltou a Belém e se reuniu com representantes de países como China, Índia, nações árabes, entre outros, na tentativa de destravar os temas mais polêmicos, entre eles, o roteiro para o fim dos fósseis.

A presença do presidente, porém, não surtiu o efeito esperado e nesta sexta o texto sobre a mesa dos negociadores não trazia o roteiro para fim do uso de petróleo e outras fontes poluentes. Entre os críticos, estão a União Europeia, que manifestou "decepção".

O embaixador reconheceu a divisão entre os países negociadores. "Essa noção de divisão, tentamos reduzir durante as negociações, através de transparência e soluções que vieram das delegações." Disse também que era preciso superar isso para poder fortalecer o Acordo de Paris, pacto global firmado em 2015 para frear a crise climática.

"Precisamos fazer isso com o espírito da cooperação, não com o espírito de quem vai ganhar ou perder, porque sabemos que, com o Acordo de Paris, se não o fortalecermos, todo mundo vai perder."

No discurso em que convocou todos a negociarem, Corrêa do Lago citou duas vezes o fato de os Estados Unidos, sob a gestão de Donald Trump, terem deixado o Acordo de Paris. Finalizou dizendo ser possível atingir o consenso e ser "mais forte do que aqueles que dizem que esse processo não pode avançar".

Oficialmente, a COP brasileira deveria acabar nesta sexta, mas, nos corredores, participantes do evento já descartam essa possibilidade. O incêndio que atingiu a zona azul da ONU na tarde quinta-feira, 20, também atrapalhou as negociações, que ficaram paralisadas até a reabertura do espaço, às 20h40.

Estadão
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