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Empresa brasileira leva prêmio da ONU com absorvente para combater pobreza menstrual

Startup baiana criou produto biodegradável e foi vencedora do Desafio Inovação com Impacto

14 nov 2023 - 05h00
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Adriele, Hellen e Patricia com prêmio de concurso promovido pela ONU
Adriele, Hellen e Patricia com prêmio de concurso promovido pela ONU
Foto: Divulgação

Em 2018, Hellen Nzinga conheceu Adriele Menezes e Patricia Zanella em um programa de formação de lideranças. Juntas, elas fundaram a EcoCiclo, startup que criou o primeiro absorvente biodegradável do Brasil, e foi uma das vencedoras do Desafio Inovação com Impacto deste ano, durante o Conexão ODS, evento promovido pelo Pacto Global da Organização das Nações Unidas (ONU) e Somos Um

A EcoCiclo, uma empresa nordestina originária de Salvador, surgiu com o objetivo de combater a 'pobreza menstrual', que afeta uma em cada quatro meninas no Brasil, resultando na perda de pelo menos 45 dias de aulas, conforme dados da UNICEF

"Nós nascemos com o objetivo de desenvolver uma solução que fosse acessível e sustentável de protetores menstruais. Como o grupo foi criado por mulheres de periferia, nós convivemos com a questão da pobreza menstrual e em certo momento, entendemos que existia um problema de falta de absorventes, um problema de acesso. Mas, crescendo, estudando, entrando na universidade, fomos perceber que o problema não é só o acesso, mas também a escolha", explica Nzinga, CEO da empresa, ao Terra.

Foi assim que as empreendoras perceberam que o fator não se resumia simplesmente à falta de acesso aos absorventes menstruais, mas também à escassez de opções sustentáveis no mercado. "Uma mulher que menstrua tem acesso a absorventes ou compra aquelas opções que estão sendo dadas. E as que estão sendo dadas são absorventes que levam 500 anos para se decompor na natureza. Hoje, o Brasil vende, por ano, 4 bilhões de unidades de absorvente, que levam 500 anos para se decompor e é tudo lixo", analisa a empresária.

Absorvente biodegradável
Absorvente biodegradável
Foto: Divulgação/EcoCiclo

A companhia se empenhou em pesquisar e desenvolver um produto que atendesse às necessidades de meninas e mulheres, focando em sustentabilidade e saúde. Nzinga enfatiza que o processo de pesquisa levou três anos, envolvendo consultas a professores, acesso a laboratórios e até mesmo a busca por materiais de teste em empresas. 

A liderança da EcoCiclo permanece nas mãos das três fundadoras: Hellen Nzinga, CEO da startup; Adriele Adriele Menezes, responsável pela direção operacional e engenheira química; e Patrícia Zanella, diretora de marketing. Além de criar o primeiro absorvente biodegradável do Brasil, elas deram um passo adiante ao patentear tanto o produto quanto o processo de fabricação.

O compromisso da empresa também está na inclusão de mulheres da periferia na produção de seus produtos, não só para geração de renda, mas também em fornecer oportunidades de trabalho em um mercado muitas vezes carente de oportunidades formais.

A empresa acredita que a produção de absorventes biodegradáveis por mulheres em situação de vulnerabilidade é uma maneira de promover a emancipação financeira e o autocuidado. 

Adriele, Hellen e Patricia, fundadoras da EcoCiclo
Adriele, Hellen e Patricia, fundadoras da EcoCiclo
Foto: Divulgação/EcoCiclo

"Para o produto hoje ser biodegradável, de acordo com as normas de regulamentação da Anvisa, ISO, ABNT, ele precisa se biodegradar até seis meses", explica Nzinga. A Ecociclo atende a esse critério e seus absorventes podem ser descartados no lixo, plantados ou compostados, desaparecendo completamente em seis meses.

No entanto, a produção dos absorventes ainda é manual, um absorvente de cada vez em máquinas de costura. Pensando em mudar essa realidade, as empreendedoras foram vencedoras do concurso promovido pela ONU.

Durante o desafio, a equipe apresentou um projeto sobre sua máquina especializada. Essa máquina foi projetada para ser facilmente replicável e visa realizar o sonho da empresa de estabelecer polos produtivos em todo o Brasil e até mesmo no mundo. A ideia trouxe o prêmio de R$ 50 mil para investimento no negócio. 

"Começamos vendendo para o Brasil inteiro. Só que não temos um processo produtivo em escala, e não falo não só de maquinário, mas, por exemplo, as fábricas, as matérias-primas, a gente só pode comprar a partir de uma tonelada. E, tendo mulheres de periferia, sem herança, sem nada, a gente entrou agora, por exemplo, no processo de captação de investimentos, de investidores, pra poder viabilizar a nossa produção em escala, para gente poder voltar a vender", destaca a CEO. 

Ajuda a outras empreendedoras sustentáveis

Com a pandemia, que trouxe desafios significativos para empreendedoras no Brasil, especialmente para aquelas que tradicionalmente dependiam de canais de venda como feiras e eventos presenciais, muitas mulheres, que frequentemente empreendem por necessidade, viram suas fontes de renda se dissiparem.

Foi enxergando essa realidade que a Ecociclo resolveu ajudar outras mulheres. Por um lado, os clientes que descobriram e apoiaram seus absorventes começaram a perguntar se a empresa produzia outros produtos sustentáveis, como sabonetes ou shampoos sólidos.

Nzinga percebeu que o foco da empresa era a fabricação de absorventes, mas reconheceu que havia um mercado em crescimento de produtos sustentáveis que poderiam ser explorados por outras empreendedoras. E assim a startup criou uma conexão com mulheres empreendedoras na área de sustentabilidade, que compartilhavam o desejo de aprimorar suas cadeias de produção e conhecer as regulamentações relevantes. 

Com o apoio de um prêmio, a Ecociclo fundou um marketplace dedicado a produtos sustentáveis feitos por mulheres empreendedoras. O objetivo inicial era destacar os absorventes, mas a iniciativa rapidamente evoluiu para um ecossistema mais amplo.

Hoje, o site da Ecociclo também oferece produtos sustentáveis de outras mulheres, além de promover treinamento, orientação sobre escalabilidade e certificações, e conectá-las com grandes empresas.

Educação menstrual

Além de seu trabalho em sustentabilidade, a Ecociclo se dedica à educação menstrual. Por meio de um programa de formação, a empresa capacita mulheres e pessoas que menstruam em todo o Brasil para se tornarem educadoras menstruais, com a missão de difundir o conhecimento. A Ecociclo divide suas abordagens nas redes sociais, com o perfil da Ecociclo Absorvente focado em questões de menstruação, saúde menstrual, neurociência e anatomia, enquanto o perfil oficial da Ecociclo concentra-se em promover o empreendedorismo sustentável feminino.

"A gente precisa falar mais de menstruação, que hoje ainda é um tabu gigantesco. É por isso que também temos esse trabalho e trazemos muitas informações sobre o tema de forma gratuita no nosso perfil Ecociclo Absorvente", destaca Nzinga. 

Fonte: Redação Terra
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