COP 27: aumenta a pressão para curar vício em combustível fóssil
Líderes mundiais são pressionados também a financiar uma transição energética justa para os países em desenvolvimento
Os líderes mundiais estarão sob pressão durante a Conferência das Nações Unidas sobre o Clima deste ano (COP27) para assumirem o compromisso de eliminar coletivamente, e de maneira muito rápida, a utilização de combustíveis fósseis. A COP27 começou no domingo (6) e vai até o dia 18 de novembro, em Sharm El-Sheik, no Egito.
Além de se comprometerem a abandonar os combustíveis fósseis - a maior causa das mudanças climáticas -, os governos serão pressionados a financiar uma transição energética justa para os países em desenvolvimento que necessitam de acesso a fontes renováveis acessíveis, baratas e confiáveis.
COP 27: governantes sob pressão para curar vício em combustível fóssil (Foto: Getty Imagens)
Os países deram um passo importante na conferência do ano passado, a COP26, em Glasgow, quando se comprometeram pela primeira vez a reduzir gradualmente a utilização de energia a carvão e os subsídios ineficientes aos combustíveis fósseis. Mas a promessa fica aquém do que a ciência diz ser necessário para atingir emissões líquidas zero até 2050. Para isso, seria necessário um fim imediato aos investimentos em novos projetos de combustíveis fósseis e eliminar a extração de carvão, como a Agência Internacional de Energia observou em 2021.
Gás também precisa se eliminado
A eliminação dos combustíveis fósseis precisa incluir o gás, que tem sido há muito promovido pela indústria poluente como a alternativa energética mais limpa e necessária para a transição.
Mas o gás emite dióxido de carbono e metano, dois potentes gases do efeito estufa.
Nos Estados Unidos, os vazamentos de metano que ocorrem durante a extração de gás já dobram, sozinhos, o impacto climático da produção de gás.
A necessidade de eliminar imediatamente todos os novos investimentos em combustíveis fósseis alimenta o debate sobre como os países mais pobres, incluindo africanos e latino-americanos, deveriam explorar as suas reservas de gás para exportação e energia interna. Mas são exatamente os países pobres aqueles que já estão sob o impacto avassalador do clima instável e não têm o recurso necessário para adaptar cidades e infraestruturas.
Por isso, esses países devem ser proativos em avançar para a energia renovável, que por ser mais barata (ninguém paga pelo vento ou pela luz do sol), é a melhor aposta em segurança energética. O custo da energia solar/eólica e das baterias caiu até 85% desde 2010, e as novas políticas e leis aumentaram a eficiência energética e aceleraram a implantação das energias renováveis, observou o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC).
O problema é que as energias renováveis ainda não estão atraindo o dinheiro necessário para crescer na velocidade que o mundo precisa.
Exemplos
Um passo importante já foi dado na África do Sul. O país é o primeiro a adotar o modelo de Parceria para a Transição Energética Justa (Just Energy Transition Partnership). A iniciativa criou uma plataforma liderada pelo governo sul-africano e que envolve todas as partes interessadas, incluindo empresas, financiadores e representantes de países parceiros. França, Alemanha, Reino Unido, EUA e União Europeia vão mobilizar um compromisso inicial de US$ 8,5 bilhões para ajudar a África do Sul a fechar centrais elétricas a carvão antes do prazo previsto e impulsionar a energia renovável.
O sucesso da parceria dependerá das reformas transformadoras que o governo sul-africano deverá promulgar para ampliar as finanças públicas e privadas, de acordo com o Conselho Atlântico. Mas o financiamento inicial é considerado insignificante por este mesmo Conselho em comparação com os US$ 250 bilhões que o país estima serem necessários para expandir as infraestruturas de renováveis nas próximas três décadas. Por outro lado, a modernização do mercado de eletricidade da África do Sul pode elevar o financiamento no futuro.
Outro exemplo vem da Índia, que caminha para superar sua meta climática no Acordo de Paris de 2015. A estimativa é que os indianos cheguem a uma matriz energética com 40% de fontes não fósseis nove anos antes do prometido, o que é confirmado pela Agência Internacional de Energia. Segundo a Agência, a capacidade de geração de eletricidade renovável do país está crescendo a um ritmo mais rápido do que em qualquer outra grande economia, com crescimento indicando que estes valores dobrarão até 2026.
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