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Contaminação de cocaína em rios e lagos pode afetar o comportamento de salmões, diz estudo

Outros estudos já indicaram que peixes podem agir diferente por terem contato com medicamentos e drogas no geral

22 abr 2026 - 10h21
(atualizado às 10h38)
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Estudo foi feito com o salmão juvenil do Atlântico
Estudo foi feito com o salmão juvenil do Atlântico
Foto: Roger Tabor/USFWS

Vestígios de cocaína encontrados em rios e lagos podem se acumular no cérebro dos salmões e afetar o seu comportamento. É o que mostra um estudo da Universidade Sueca de Ciências Agrícolas, divulgado pelo jornal britânico The Guardian.

Os pesquisadores expuseram artificialmente à droga o salmão do atlântico juvenil. Eles perceberam que o animal nadou mais e se dispersou mais amplamente em um lago, o que pode indicar que a substância pode afetar para onde os peixes vão, o que comem e quão vulneráveis ficarão aos seus predadores.

Ainda é incerto qual seria a consequência desse impacto. O pesquisador Jack Brand reflete que é possível que os salmões passem muito mais tempo expostos no meio da água por estarem sob efeito dos vestígios da cocaina. Até o momento, outros estudos já mostraram que a contaminação de medicamentos e drogas em geral tem afetado a biodiversidade

Segundo o The Guardian, relatos de uma truta "viciada"em metanfetamina aumentaram o alerta feito à indústria farmacêutica para que produzam medicamentos mais ecológicos, que se desfaçam no meio ambiente. No caso da truta, ela teria perdido o medo contra predadores por causa da contaminação com medicamentos antidepressivos. 

Em 2019, testes em camarões de água doce em rios em Suffolk, na Inglaterra, encontraram vestígios de dezenas de drogas diferentes, incluindo cocaína, metanfetamina, antidepressivos, ansiolíticos para ansiedade e antipsicóticos, mas os pesquisadores não tiraram nenhuma conclusão sobre seu potencial para causar danos.

Para explorar se a poluição da cocaína poderia afetar os peixes na natureza, Brand e seus colegas utilizaram três grupos de salmão do Atlântico, criados em cativeiro e monitorados. O primeiro tinha implantes que lentamente liberaram níveis ambientalmente realistas de cocaína; outro ao seu metabólito primário, a benzoilecgonina; o terceiro grupo de peixes não recebeu drogas e serviu como grupo de controle.

Metabólitos são pequenas moléculas produzidas, consumidas ou transformadas durante o metabolismo e são as formas mais comuns da cocaína encontrada na natureza.

Os peixes foram liberados no Lago Vattern, que tem quase 2 mil quilômetros quadrados. Com o passar do tempo, todos os salmões se tornaram menos ativos e mais sedentários em uma parte específica do lago, mas aqueles expostos à cocaína e seu metabólito apresentaram maior atividade no final do estudo.

Os expostos à cocaína nadaram 5 km a mais do que os salmões do grupo de controle, enquanto aqueles expostos ao metabólito nadaram quase 14 km a mais, ou duas vezes mais longe. 

“Foi realmente o metabólito, que sabemos que ocorre em concentrações mais altas na natureza, que teve o efeito muito mais profundo sobre o comportamento e o movimento dos peixes”, disse Brand. “Isso sugere que, se estamos fazendo avaliações de risco e não incluindo compostos como esses metabólitos e derivados, podemos estar perdendo uma grande parte do risco ambiental a que estamos expondo esses animais.”

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Fonte: Portal Terra
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