Erosão amplia engorda de faixa de areia em praia do litoral de SC; veja onde é
Balneário Piçarras aumentou o alargamento da orla em mais de 430 metros; tendência é de que obras desse tipo durem menos por causa do crescimento acelerado do nível do mar
Após estudos realizados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Hidroviárias (INPH), o alargamento da faixa de areia em Balneário Piçarras, litoral norte de Santa Catarina, teve de ser ampliado. O trecho inicial, de 2 quilômetros de extensão, foi aumentado em mais 430 metros. Esta é a quarta vez em 27 anos que o município faz uma obra do tipo para combater a erosão costeira. A primeira intervenção em Piçarras foi feita em 1998, refeita 10 anos depois, em 2008, e novamente em 2012.
A obra atual, iniciada em janeiro, teve um investimento superior a R$ 40 milhões e, com o mudança do projeto original, foram gastos mais R$ 9,57 milhões após o INPH identificar a necessidade de ampliar os trabalhos no sentido norte, após o molhe da Avenida Getúlio Vargas, onde terminava o projeto original. A conclusão dos trabalhos ocorreu na primeira quinzena de abril.
O alargamento da faixa de areia é uma das formas de combater a erosão costeira. Além de Piçarras, Balneário Camboriú e Florianópolis são outras cidades catarinenses que já fizeram intervenções desse tipo. A tendência, no entanto, é de que essas obras durem menos, por causa do aumento acelerado do nível do mar.
"Esse problema afeta o litoral, resultando no avanço do mar e recuo da linha de costa", diz Janete Josina de Abreu, professora da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Desastres Naturais do Departamento de Geociências da instituição.
Janete explica que em praias arenosas, como é o caso de Balneário Piçarras, o fenômeno acontece quando o litoral perde mais sedimentos do que recebe de volta, o que pode levar ao desaparecimento completo da faixa de areia.
A melhor forma de prevenir o problema é evitar a ação humana na linha costeira. Mas em casos onde a erosão já começou, a maneira mais eficaz é utilizar técnicas inspiradas na natureza, como o próprio alargamento da faixa de areia, que repõe os sedimentos levados pelo mar. "São alternativas mais adequadas e menos impactantes, mas é importante ressaltar que frequentemente as obras de proteção são paliativas e não definitivas", afirma a professora.
O processo de alargamento da faixa de areia utiliza grandes barcos conhecidos como dragas, que retiram areia do fundo do mar e recolocam em um aterro na orla da praia. Em Balneário Piçarras, a areia utilizada no alargamento foi retirada de uma jazida localizada a cerca de 10,5 quilômetros da Praia Central, nas proximidades da Ponta da Vigia, no município de Penha. Ao todo, foram mais de 493 mil m³ de areia depositados na orla.
Mesmo com os benefícios da obra, existem impactos trazidos pela recuperação costeira. Balneário Piçarras é reconhecida internacionalmente com o Selo Bandeira Azul, certificado que garante a qualidade da água em praias de todo o mundo. Durante o alargamento da faixa de areia, o município removeu as bandeiras no trecho afetado.
Em nota, a prefeitura explicou que "se trata de uma ação preventiva e responsável, com a retirada das bandeiras ocorrendo conforme o andamento das obras, uma vez que esse tipo de intervenção pode provocar alterações temporárias no ambiente de praia".
Ainda que sem os indicadores, a análise de qualidade da água é feita semanalmente, e não houve, desde o início das obras, grandes alterações. A administração municipal destaca que "não houve descumprimento dos critérios do programa, e a medida reforça o compromisso do município com a transparência e com a manutenção dos padrões de qualidade exigidos pelo Programa Bandeira Azul".
Com o fim da obra, o município prepara a documentação necessária para retomar o selo na temporada de verão 2026/2027.
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