Como é a única mina de terras raras do Brasil; mineradora foi vendida à empresa dos EUA por US$ 2,8 bi
O Brasil tem cerca de um quarto das reservas mundiais e fica atrás apenas da China
O Serra Verde Group, dono da mina Pela Ema e unidade de processamento de terras raras no Brasil, foi vendida à empresa americana USA Rare Earth (USAR), na última semana. O valor da transação foi estimado em cerca de US$ 2,8 bilhões (cerca de R$ 14 bilhões), com pagamento em dinheiro e também em novas ações ordinárias da USAR.
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O acordo definitivo, que deve ter conclusão no terceiro trimestre deste ano, está sujeito a condições usuais e aprovações regulatórias. A negociação ocorre em meio à disputa entre os norte-americanos e chineses pelo domínio de terras raras no mundo. O Brasil tem cerca de um quarto das reservas mundiais e fica atrás apenas da China.
Como é a única mina de terras raras brasileira
Localizada em Minaçu, a cerca de 500 km da capital de Goiás, a mina Pela Ema é um depósito de argila iônica, matéria prima natural rica em minerais e com alta capacidade de troca de íons.
Os elementos magnéticos dessas terras, como Neodímio, Praseodímio, Disprósio e Térbio, usados junto com minerais como lítio, nióbio e cobalto, geram insumos para fabricação de eficientes, turbinas de geração de energia eólica, telas de TV, imãs de discos rígidos de computadores e de sistemas de áudio e circuitos eletrônicos de celulares, entre outras aplicações.
Por ser de fácil e barata extração, pois geralmente se encontra próximo à superfície, chamou a atenção internacional. A unidade da Serra Verde tem capacidade instalada de 5 mil toneladas equivalente de óxido de terras raras (OTR) contido em concentrado de carbonato (produto final).
Previsão de lucro
Em um comunicado feito no último dia 20, a USAR afirmou que a mina Pela Ema “é um ativo único e o único produtor fora da Ásia capaz de fornecer, em escala, os quatro elementos magnéticos de terras raras”.
A combinação entre a Serra Verde e a empresa norte-americana vai criar uma multinacional com operações no Brasil, nos EUA, na França e no Reino Unido, com capacidade para atuar na cadeia completa de suprimentos de terras raras leves e pesadas, como mineração, processamento, separação, metalização e fabricação de ímãs.
Mick Davis e Thras Moraitis, presidente do conselho e CEO do Grupo Serra Verde, respectivamente, vão integrar o conselho de administração da empresa combinada no negócio. Moraitis também deve assumir o cargo de presidente da companhia.
A operação no Brasil será liderada por Ricardo Grossi, atual presidente da Serra Verde Pesquisa e Mineração e COO (Chief Operating Officer) do Grupo Serra Verde.
Com o negócio, segundo o comunicado da USAR, Serra Verde deve apresentar um ebitda — o lucro da companhia antes de juros, impostos, depreciação e amortização — por ano de US$ 550 milhões a US$ 650 milhões até o fim de 2027. Com o negócio, espera-se que a empresa combinada gere US$ 1,8 bilhão em 2030.
A Serra Verde tem um contrato de compra mínima garantida de 15 anos para 100% da produção da Fase 1 dos quatro elementos, com um veículo de propósito específico capitalizado por diversas partes do governo dos Estados Unidos e fontes privadas, incluindo pisos de preço para os elementos.
A companhia cita um pacote de financiamento de US$ 565 milhões da Corporação Financeira de Desenvolvimento Internacional dos Estados Unidos (DFC, uma agência de fomento), com o objetivo de otimizar e expandir até o fluxo de caixa positivo.
**Com informações do Estadão
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