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Na Alemanha, Lula promete parceria em terras raras, mas reforça soberania

21 abr 2026 - 09h56
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Em entrevista à emissora alemã, presidente critica atraso para implementação plena do acordo Mercosul-UE e condena guerras promovidas por países do Conselho de Segurança da ONU.O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira (20/04) que o Brasil pretende manter sua política de "portas abertas" para parceiros comerciais, incluindo a Rússia, mas reforçou sua defesa da soberania do país para definir questões internas, como exploração de terras raras e combate ao desmatamento.

Lula foi recebido por Friedrich Merz em Hannover
Lula foi recebido por Friedrich Merz em Hannover
Foto: DW / Deutsche Welle

Lula foi entrevistado pelo jornalista Ingo Zamperoni, apresentador do programa Tagesthemen, da emissora pública de televisão alemã ARD. O presidente está na Alemanha para acompanhar a maior feira de inovação do mundo, a Feira Industrial de Hannover, da qual o Brasil é parceiro oficial neste ano.

Na ocasião, reforçou a defesa do multilateralismo, tema que tomou conta de seus discursos ao lado do chanceler federal alemão Friedrich Merz nos últimos dois dias. Questionado sobre a parceria estratégica da Europa com o Brasil, Lula afirmou que a Alemanha é um "parceiro privilegiado" mas que "ninguém terá vantagens unilaterais".

"Queremos construir parceria. Se a Alemanha e empresários alemães e da União Europeia vierem ao Brasil para trabalhar conosco, explorar e produzir o processo de transformação lá, serão todos bem-vindos. Não vamos vetar ninguém. A única coisa que queremos é dizer ao mundo: as terras raras e minerais críticos são de propriedade do Brasil, da soberania brasileira. Queremos construir com outros países um processo de desenvolvimento e utilizar isso para o benefício da humanidade", afirmou.

O jornalista ainda questionou se tal política teria algum limite nas relações, por exemplo, com países que atacam militarmente seus vizinhos, como a Rússia. "Não impomos veto a ninguém, nem aos Estados Unidos, nem à China, nem à Rússia, nem à Índia, nem à Alemanha", concluiu.

Lula critica atraso de acordo Mercosul-UE

Apesar de ter celebrado, ao lado de Merz, a entrada em vigor provisória do acordo de livre-comércio entre o Mercosul e a União Europeia, Lula reconheceu durante a entrevista que o constante adiamento europeu à implementação definitiva dos termos "é um problema".

"A União Europeia sempre jogou a culpa em cima do Mercosul que não queria fazer o acordo", pontuou, acrescentando que os países do bloco sul-americano já fizeram a sua parte e ratificaram rapidamente o pacto comercial.

Lula afirmou ter a impressão de que os países desenvolvidos ainda olham para os outros países como "se nós fossemos eternamente colonizados, sabe o colonizador discutindo com o colonizado? Não. Nós queremos ser iguais, ser respeitados e tratados em igualdade de condições".

Trump "não age corretamente"

Lula ainda voltou a criticar a ação do presidente dos EUA, Donald Trump, no Irã e a atuação do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

"Nós temos um problema que é ineficácia dos cinco membros do Conselho de Segurança da ONU que foi criado para construir a paz e está construindo a guerra", destacou. Lula criticou ainda o fato de membros do Conselho de Segurança invadirem outros países, citando as guerras do Iraque, Líbia, Irã, Ucrânia e na Faixa de Gaza.

"Além dessas guerras, temos esse comportamento do presidente Trump, que é inadequado para a harmonia no mundo. Ele é um estimulador de controvérsias desnecessárias", afirmou. Lula contou que conversou com Trump sobre isso e lembrou que precisavam negociar para o bem de seus países.

"Aí estabelecemos uma relação séria e respeitosa. O Brasil tem uma relação boa com os EUA, com a China e com todo mundo. Nós gostamos de respeitar, e também queremos ser respeitados. Eu acho que o presidente dos EUA não está agindo corretamente."

gq/cn (ARD)

Deutsche Welle A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.
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