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Terras raras: guerra no Irã escancara dependência crítica dos EUA à China

A guerra no Irã evidencia uma vulnerabilidade estratégica muitas vezes invisível: a dependência dos Estados Unidos das terras raras produzidas pela China. Essenciais para a fabricação de armas de ponta, esses minerais dão a Pequim um poder discreto, mas real, sobre os equilíbrios militares e diplomáticos globais. O tema pode pesar nas conversas que o presidente Donald Trump terá na China, se confirmar uma visita ao país.

20 mar 2026 - 16h09
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Clea Broadhurst, correspondente da RFI em Pequim

A mina de terras raras de Nanchang, na província de Jiangxi, no sudeste da China. Foto tirada em 31 de outubro de 2010.
A mina de terras raras de Nanchang, na província de Jiangxi, no sudeste da China. Foto tirada em 31 de outubro de 2010.
Foto: REUTERS/Stringer/Files / RFI

As terras raras são os 17 metais indispensáveis às tecnologias modernas. No setor militar, eles são usados na produção de radares, sistemas de orientação de mísseis, motores e ímãs de alto desempenho. Sem esses materiais, grande parte do armamento avançado não pode ser produzida ou renovada - ou seja, seu papel é central nos sistemas militares mais sofisticados.

A China controla cerca de 70% da produção mundial de terras raras e, principalmente, quase 90% do seu refino - etapa mais complexa e estratégica do processo. Há décadas, Pequim investe em toda a cadeia de valor, da extração à transformação, garantindo influência direta sobre o acesso a esses recursos e impondo suas condições ao mercado global.

Dependência crítica dos EUA

Os Estados Unidos importam a maior parte das terras raras da China, especialmente os elementos mais estratégicos, como disprósio e térbio. Esses metais permitem fabricar ímãs que resistem a temperaturas extremamente altas, fundamentais para mísseis, radares e alguns sistemas de propulsão.

Para essas chamadas terras raras "pesadas", praticamente não existem alternativas imediatas fora da China, criando uma vulnerabilidade direta para a indústria de defesa americana, que depende de cadeias de fornecimento sobre as quais tem pouco controle.

Poder indireto nos conflitos

No curto prazo, a dependência não impede operações militares. Os estoques americanos permitem sustentar meses de engajamento, e a capacidade atual ainda é suficiente para ataques no Oriente Médio.

Mas no médio prazo, a reposição de materiais se torna problemática. Em conflitos modernos, o consumo de munição é rápido e contínuo.

Se a China reduzir ainda mais suas exportações, a produção de novas armas pode desacelerar, a reposição de estoques se complicar e os custos, subir. Desta forma, Pequim exerce um poder indireto: não sobre as operações imediatas, mas sobre sua duração, intensidade e a capacidade dos EUA de manter um esforço militar prolongado.

Reduzir a dependência é complexo

Washington tenta diversificar fornecedores, recorrendo a parceiros como a Austrália e relançando produção interna. Mas reconstruir toda a cadeia, da mina ao refino, é longo, caro e tecnicamente complexo. Especialistas estimam que levará pelo menos uma década para os americanos reduzirem significativamente a dependência da China.

As terras raras se tornaram, por si só, um instrumento de poder. Para Pequim, são uma alavanca em negociações comerciais e estratégicas. Para Washington, representam um ponto de fragilidade que exige solução urgente.

Nesse contexto, esses minerais podem se tornar um tema central nas próximas conversas entre Donald Trump e Xi Jinping, na interseção entre interesses militares, industriais e diplomáticos.

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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