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Trump: Nunca foi sobre Bolsonaro e sim reestruturação do plano de poder norte americano

Ao contrário da visão de que Trump atua por impulsividade ou mero improviso, seus movimentos refletem uma nova forma de exercer poder global, marcada pelo pragmatismo e pela habilidade de barganha.

26 ago 2025 - 17h27
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Donald Trump age dentro de uma lógica estratégica que precisa ser compreendida para que países como o Brasil não fiquem à margem do cenário internacional. Ao contrário da visão de que Trump atua por impulsividade ou mero improviso, seus movimentos refletem uma nova forma de exercer poder global, marcada pelo pragmatismo e pela habilidade de barganha.

Trump e Bolsonaro.
Trump e Bolsonaro.
Foto: Alan Santos / PR / Portal de Prefeitura

Os Estados Unidos viveram um longo período de confiança excessiva no chamado soft power, a capacidade de influenciar o mundo por meio de diplomacia, cultura e cooperação. Essa abordagem, no entanto, falhou em momentos cruciais: a China cresceu sob a proteção e financiamento indireto americano, a Europa manteve políticas protecionistas enquanto era sustentada pelo guarda-chuva militar da OTAN, e Washington saiu enfraquecido de operações como a do Afeganistão. Esse conjunto de fatores minou a credibilidade dos EUA.

Trump, por sua vez, foi o primeiro presidente a assumir de maneira explícita que esse modelo estava esgotado. Seu estilo, muitas vezes visto como caótico, é na realidade uma estratégia transacional: cada encontro, cada gesto simbólico, cada crítica pública tem um propósito. Quando pressiona a Europa sobre os custos da OTAN, para em seguida oferecer elogios pontuais, o que está em jogo é a renegociação do equilíbrio de forças. Da mesma forma, tarifas impostas a parceiros comerciais não são um rompimento, mas uma forma de forçá-los a chegar a novos acordos vantajosos para os EUA.

Esse mesmo raciocínio se aplica ao reposicionamento americano em regiões estratégicas. O acordo mediado entre Armênia e Azerbaijão, por exemplo, diminuiu a influência da Rússia sobre a energia do Cáucaso, enquanto movimentos calculados em relação à China e à Rússia criam tensões que servem de instrumento de negociação. Até mesmo detalhes aparentemente banais, como a forma de tratamento entre líderes Trump chamando Macron de "Emmanuel", enquanto é chamado de "Mr. President", carregam significado: são marcas simbólicas de poder, reafirmações sutis de quem ocupa o centro da cena.

O Brasil ainda está preso a um mapa mental ultrapassado, baseado em ideologia e na nostalgia da Guerra Fria. A aposta em alianças Sul-Sul, a retórica contra o dólar e a aproximação com regimes autoritários não trouxeram o protagonismo esperado; pelo contrário, têm isolado o Brasil e reduzido sua relevância internacional. A posição do governo brasileiro, diante da Lei Magnitsky, adotada por diversas nações para punir violações de direitos humanos. Ao declarar que não pretende aplicá-la, o Brasil se arrisca a ficar vulnerável a sanções internacionais e até a exclusão de sistemas financeiros globais, como o SWIFT, um erro estratégico que pode custar caro.

Enquanto os EUA combinam força, pragmatismo e diplomacia simbólica para retomar o protagonismo mundial, o Brasil se perde em discursos ideológicos e alianças frágeis, muitas vezes ao lado de autocratas. Ele observa que até mesmo no caso da Venezuela, em que os Estados Unidos reforçaram sua presença militar como demonstração de poder, o Brasil preferiu ignorar abusos eleitorais e de direitos humanos, optando por uma política de conivência que prejudica sua imagem.

A era das ilusões diplomáticas acabou. O mundo atual é marcado por disputas de poder claras, por negociações duras e por símbolos que definem quem lidera e quem segue. Entender a lógica estratégica de Trump e dos EUA é fundamental para qualquer nação que queira permanecer relevante. Ignorar esse novo cenário, como vem fazendo o Brasil, significa correr o risco de ficar isolado e irrelevante no tabuleiro global.

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