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O dilema da Mercedes F1: trocar o motor de Hamilton ou não?

Toto Wolff, chefe da equipe, afirma que a possibilidade de trocar o motor do carro de Hamilton está sendo avaliada

6 out 2021 18h42
| atualizado às 19h33
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Toto Wolff e Lewis Hamilton: e agora, o que fazer?
Toto Wolff e Lewis Hamilton: e agora, o que fazer?
Foto: Mercedes-AMG F1 / Twitter

O campeonato de 2021 da Fórmula 1 caminha para ser um dos mais disputados de todos os tempos. Com 15 etapas realizadas até o momento, apenas 2 pontos separam Lewis Hamilton e Max Verstappen. Isso seria uma diferença apertada em qualquer época da F1, mas se torna ainda mais expressiva ao se observar que 2021 é a temporada com mais pontos oferecidos na história da categoria. Em uma disputa tão acirrada, cada ponto importa. 

O regulamento da F1 permite que cada piloto utilize apenas três unidades de potência por temporada. As equipes costumam intercalar os três conjuntos disponíveis entre os GPs a fim de balancear o desgaste entre eles. Portanto, é comum que, ao fim da temporada, os três estejam perto do limite de suas vidas úteis, o que aumenta o risco de quebras. Se for necessário fazer uso de um quarto motor, a punição é a perda de posições no grid na corrida de estreia da nova unidade. 

A Red Bull já havia deixado claro desde a volta das férias de agosto que faria uso de um quarto motor no carro de Max Verstappen, e o fez na corrida passada, o GP da Rússia. Para Hamilton e a Mercedes, a chance de vencer com o rival fazendo poucos pontos parecia uma ótima oportunidade de abrir vantagem no campeonato – ainda mais com Valtteri Bottas também trocando o motor para “marcar” Verstappen na pista. 

Hamilton fez sua parte e venceu a corrida, mas Verstappen se livrou de Bottas com facilidade e, se aproveitando da chuva que caiu no fim da prova, conseguiu se colocar num surpreendente 2º lugar, logo atrás de Hamilton.  

E agora, Toto? 
Com os acontecimentos citados, Hamilton é quem tem motores mais desgastados, enquanto Verstappen, que vem logo atrás na tabela de pontos, tem uma unidade de potência novinha em folha para as próximas corridas. Toto Wolff, o chefão da Mercedes, está em uma situação delicada. Vale a pena colocar um novo motor no carro de Hamilton e começar uma corrida do fundo do grid ou dá para arriscar usar somente os três regulamentares? 

A quebra de Hamilton na Malásia, em 2016.
A quebra de Hamilton na Malásia, em 2016.
Foto: Channel 4 F1 / Twitter

O próprio Wolff admitiu ter “pontos de interrogação” na cabeça quando pensa na situação. Ele, que já havia sugerido que a equipe optaria por não usar o motor extra no carro de Hamilton, parece já não estar tão certo disso. Perguntado pela SkySports sobre uma eventual troca de motor, ele afirmou: “É uma possibilidade. Quando e como, ainda não está decidido.”  

Para Toto, o primordial é evitar qualquer risco de quebra, algo ao qual os motores usados estão mais sujeitos. “O mais importante é não ter nenhum abandono por questão de confiabilidade. Você pode lidar com oscilações, se termina em 2º, 3º, 4º, está tudo bem, ainda tem bastante campeonato pela frente. Mas se não termina...” 

As declarações soam quase como uma confirmação de que, mais cedo ou mais tarde, Hamilton vai assumir a punição e adotar uma nova unidade de potência em seu Mercedes-AMG W12. Seguramente, a lembrança de 2016 paira na cabeça de Wolff e, principalmente, de Hamilton, e pode ter influência na decisão. 

Naquele ano, com a disputa interna na Mercedes em seu auge, Hamilton chegou à Malásia 12 pontos atrás do colega/rival Nico Rosberg, com quem disputava o título. Na volta 41, enquanto liderava e se colocava 1 ponto à frente de Rosberg na tabela, Hamilton viu seu motor estourar e foi forçado a abandonar a prova. Com isso, Rosberg abriu uma vantagem confortável e pôde apenas administrar os resultados para faturar seu primeiro (e único título) de Fórmula 1. 

A troca pode ser na Turquia? 
No ano passado, o circuito de Istanbul Park foi palco de uma corrida bastante agitada. A combinação de frio, chuva e asfalto novo transformou a pista em algo como um rinque de patinação no gelo de tão escorregadia. Em condições tão adversas, Lewis Hamilton, que havia largado em 6º, teve uma das grandes atuações de sua carreira e venceu de forma categórica. 

Além da ótima corrida no ano passado, Hamilton já venceu na Turquia pela McLaren, em 2010, e ainda pela GP2 em 2006. Sobre essa última em particular, vale lembrar que ele havia caído para 19º ainda no começo e conseguiu escalar o pelotão até buscar a vitória. 

Mesmo com a recente aplicação de um tratamento sobre a superfície para melhorar a aderência do circuito turco, as condições da pista para a corrida no próximo dia 10 são uma incógnita. E ainda há a possibilidade de chuva novamente, especialmente na classificação, o que pode ser indicativo de mais uma etapa tumultuada. 

O histórico de Hamilton é favorável em corridas adversas na pista de Istambul Park, e a prova do próximo domingo tem tudo para ser mais uma delas. Se a Mercedes optar pela troca do motor já para o GP da Turquia, de uma coisa pode estar certa: Hamilton vai para cima. 

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