F1 busca alternativas para melhorar visibilidade na chuva
Cancelamento do GP da Bélgica faz a Fórmula 1 buscar mudanças que facilitem a realização de corridas na chuva
O Grande Prêmio da Bélgica, que (não) aconteceu em 29 de agosto, ainda gera discussões na Fórmula 1. Para refrescar a memória, essa foi a corrida que não chegou a ter nenhuma volta realizada em bandeira verde em razão da chuva que caia sobre o circuito de Spa-Francorchamps. Após algumas voltas atrás do safety car e mais de três horas de espera por uma melhora do tempo, a prova foi dada por encerrada e os 10 primeiros receberam a pontuação pela metade.
Muitos debates foram levantados a respeito do cancelamento, com opiniões favoráveis e contrárias vindas de pilotos, ex-pilotos, jornalistas e espectadores. Fato é que, mais do que a quantidade de água na pista em si, o que inviabilizou a realização da prova foi a total falta de visibilidade, ocasionada pelo grande spray d’água gerado pelos carros a altas velocidades.
O problema foi apontado por pilotos experientes, como Sebastian Vettel e Fernando Alonso, que afirmaram que os modelos atuais da Fórmula 1 sofrem mais desse problema que os de gerações anteriores pilotados por ambos. Uma das razões seriam os pneus mais largos introduzidos em 2017, que escoam um volume maior de água.
Tanto em termos comerciais quanto da parte do espetáculo, o risco de novos cancelamentos como o do GP da Bélgica se tornou uma preocupação para a F1. Desde então, a categoria tem pensado em formas de resolver o problema da visibilidade dos carros sob chuva.
Pat Symonds, engenheiro com passagens por Benetton, Renault e Williams e atual diretor técnico da F1, está debruçado sobre os modelos feitos com base no novo regulamento de 2022 e analisando como será a questão da propagação de spray nesses carros. Sob supervisão de Ross Brawn, diretor geral da categoria, Symonds tem se reunido com pilotos para colher suas opiniões acerca do tema.
Ao site da Autosport, Brawn falou sobre o assunto: “Pat Symond e algumas pessoas da FIA conversaram com alguns pilotos nas últimas corridas sobre a experiência que tiveram em Spa e suas experiências em geral, especialmente pilotos que correram com outros tipos de carro.”
Segundo o mandatário, o estudo está analisando como a visibilidade impacta carros de endurance, que possuem carenagens maiores e, em alguns casos, cockpits fechados: “O Fernando [Alonso] falou algo bem interessante, que a experiência de correr na chuva é bem melhor com carros protótipo do que na Fórmula 1.”, contou. “Em alguns aspectos, você poderia pensar que seria bem desafiador com um para-brisa, os limpadores e tudo mais, mas ele disse que o jeito que spray chega é diferente.”
Brawn afirmou que os estudos preliminares indicam que o os carros de 2022 vai produzir menos spray, mas o tema ainda será melhor trabalhado pela equipe técnica da F1: “Achamos que vai melhorar um pouco. Mas é, definitivamente, algo que vamos olhar com atenção e ver como podemos mudar.”
“Os dois principais problemas na chuva são a visibilidade e a aquaplanagem. A aquaplanagem é um desafio para os pneus e, depois de certo ponto, você não tem como resolver.”, disse Brawn. “Mas a visibilidade é algo que talvez possamos melhorar, e agora entrou na lista de coisas às quais estamos olhando, e estamos vendo se podemos alterar e melhorar.”
A próxima etapa da Fórmula 1 será no México, em evento realizado no próximo fim de semana, entre os dias 5 e 7 de novembro. A princípio, a direção de prova e os promotores da F1 não precisam se preocupar com a chuva. A previsão é de tempo seco para os três dias de atividades.