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A roda da fortuna acelera para a McLaren muito além da F1

Não é apenas dentro da pista que a McLaren vai bem. As coisas também estão melhorando no lado financeiro

17 set 2021 13h39
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Depois da tempestade, a comemoração - e não foi só pela vitória em Monza.
Depois da tempestade, a comemoração - e não foi só pela vitória em Monza.
Foto: McLaren / Divulgação

As boas notícias chegam para a McLaren não só dentro das pistas nos últimos tempos. Além de ter vencido novamente na F1 após nove anos e de estar diretamente envolvida na disputa do título da Fórmula Indy com Pato O’Ward, o grande trabalho de reorganização das finanças da empresa parece dar resultados.

Alguns dizem que crises são oportunidades para grandes transformações. Podemos enquadrar a McLaren aqui. Conhecemos mais a equipe de F1, mas o grupo é composto da parte da fabricação de carros (que traz mais de 80% da receita total) e da área de tecnologia (fornece a parte eletrônica para a Indy e para a Nascar, por exemplo). Até o ano passado, o plano era que todo o grupo atingisse o equilíbrio financeiro em 2021 e ficasse no azul em 2022. Mas veio a Covid-19.

O que parecia uma “marolinha” se tornou um tsunami. Diante o congelamento geral da economia global, a venda de carros e os campeonatos pararam. Os acionistas do grupo deram um aporte de £300 milhões para fazer frente às necessidades das empresas. Entendam como acionistas: O fundo soberano do Bahrein, TAG (entenda-se Mansour Ojjeh)  e a Nidala, holding de Michael Latifi, pai do piloto da Williams.

É dinheiro demais, não é? É. Mas não deu. A McLaren ainda requereu junto ao governo britânico um empréstimo de £150 milhões, dentro das linhas de crédito oferecidas para enfrentar a pandemia. Foi negado. A situação ficou tensa, pois os acionistas não aceitaram colocar mais dinheiro e os credores ameaçavam usar cláusulas de proteção, chamados de covenants, o que poderia colocar tudo na mão deles.

Uma tática de guerrilha foi iniciada: 1.200 trabalhadores (cerca de 30% da força de trabalho) foi desmobilizada, observando uma série de sobreposições; vários investimentos foram congelados (novo chassi para a área automotiva, novo túnel de vento para a equipe de F1); adiantamento de valores junto à F1 e empréstimo de £125 milhões junto ao Banco Nacional do Bahrein. Ainda houve a entrada de receitas pela fabricação de respiradores para o Serviço de Saúde Britânico.

O imponente MTC segue com a McLaren, mas não a sua propriedade.
O imponente MTC segue com a McLaren, mas não a sua propriedade.
Foto: McLaren / Divulgação

A McLaren chegou a 2021 respirando fundo. Um prejuízo de quase £300 milhões foi anunciado em 2020 e uma série de títulos renegociados. Para levantar mais dinheiro, foi anunciada a venda de 15% do capital da divisão de corridas para um fundo de investimento americano, podendo chegar a 33% até 2023. A joia da coroa, o MTC (sede), foi posto à venda em um regime de leaseback: a empresa vende o imóvel, mas segue o alugando por um prazo determinado. Em junho, perdeu um de seus pilares: Mansour Ojjeh, responsável direto pelo crescimento da empresa a partir dos anos 1980.

Com a retomada da economia global, as coisas foram se ajustando. Nesta quinta, dia 16, foi apresentado o balanço da empresa no primeiro semestre deste ano. A divisão de corridas foi excluída, mas os resultados melhoraram a olhos vistos: O prejuízo de £ 214 milhões do mesmo período do ano anterior foi reduzido para £ 12 milhões. Considerados os efeitos de impostos, o resultado se torna um lucro de £ 24 milhões.

Para este resultado, ajudaram as vendas da área automotiva e o valor obtido na operação de venda do MTC. No segundo semestre, serão contabilizadas a venda da divisão de tecnologia e a entrada efetiva de £ 400 milhões que foi feita através da entrada de um fundo de investimentos inglês e do Fundo Soberano da Arábia Saudita. Outros £ 150 milhões vieram de um aporte dos atuais acionistas. Além disso, procedeu uma troca de uma dívida de US$ 620 milhões que vencia em 2022 para 2026.

Em julho, a empresa anunciou a compra de ações da equipe de Indy, que tinha em sociedade com Sam Schmidt e Ric Peterson, ficando com 75% do capital até o final do ano. Isso também dá resultado a agressiva política comercial do time, que ampliou o número de parceiros para as duas categorias. E não para aí:  Já anunciou a participação na Extreme E e considera também expandir para a Fórmula-E a partir de 2023, com a introdução do Gen3.  Os resultados na F1 acabam por ser a cereja no bolo das boas notícias.

Após tempos tenebrosos, a sorte parece sorrir novamente para a McLaren. Com certeza, Bruce McLaren está fazendo o que pode para ver o seu empreendimento que leva seu nome vencer em qualquer caminho em que estiver participando. Os fãs que viram os bons tempos do time querem acreditar que ventos positivos voltam a soprar.

 

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