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Avaliação: Peugeot 208 supera Onix e Polo em dirigibilidade

Novo Peugeot 208 entrega tecnologia exclusiva e experiência de condução ímpar para compensar motor aspirado; confira pontos altos e baixos

29 dez 2020
11h23
atualizado às 13h27
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Novo Peugeot 208: boas vendas nos primeiros meses no Brasil.
Novo Peugeot 208: boas vendas nos primeiros meses no Brasil.
Foto: Sergio Quintanilha / Guia do Carro

O novo Peugeot 208 chegou rapidamente à casa das 3.000 unidades vendidas no Brasil e se tornou o best-seller da marca francesa, superando (e muito) o SUV 2008 em outubro, novembro e dezembro. Foi uma boa arrancada de vendas para a nova geração do 208, que busca um cliente alternativo dentro do segmento de hatches compactos.

Durante uma semana avaliamos o novo Peugeot 208 na utilização diária, passando por diferentes ruas e estradas. O 208 Griffe não é apenas o topo de linha do hatchback francês, mas também de todo o segmento. Ele traz pelo menos uma dúzia de itens exclusivos numa comparação direta com o Volkswagen Polo e o Chevrolet Onix, duas referências na categoria:

  • Volante de raio pequeno;
  • Quadro de instrumentos digital em forma de holograma;
  • Faróis de LED;
  • Faróis com regulagem de altura;
  • Assistente de farol alto;
  • Alerta de mudança de faixa;
  • Assistente de permanência em faixa;
  • Alerta de de colisão frontal;
  • Frenagem automática de emergência;
  • Teto panorâmico;
  • Leitor de placas de sinalização;
  • Carregador de celular por indução.
Novo Peugeot 208 Griffe: frente imponente e LEDs que simulam dentes do leão.
Novo Peugeot 208 Griffe: frente imponente e LEDs que simulam dentes do leão.
Foto: Sergio Quintanilha / Guia do Carro

Somados, esses itens dão ao Peugeot 208 uma experiência de condução mais segura e moderna. Mais curto, mais baixo e mais estreito do que os concorrentes, o Peugeot 208 demonstra um comportamento dinâmico superior ao do Onix e do Polo. É um carro bom de guiar, com posição de dirigir baixa e bastante equilíbrio nas curvas. O novo 208 “veste” o motorista, coisa que nenhum dos outros hatches compactos consegue.

A Peugeot já havia introduzido o volante menor e em posição mais baixa na geração anterior do 208. Nesta, porém, foi além. O volante é mais achatado e fica à frente de um quadro de instrumentos digital com duas camadas, o que proporciona uma visão única em três dimensões. Tínhamos dúvidas sobre o efeito disso no uso normal, mas não, não se trata apenas de um enfeite -- o painel em forma de holograma é facílimo de ler e consegue modificar toda a experiência a bordo do veículo.

Volante achatado e de ótima empunhadura é um diferencial do 208.
Volante achatado e de ótima empunhadura é um diferencial do 208.
Foto: Sergio Quintanilha / Guia do Carro

Em relação ao Volkswagen Polo, o Peugeot 208 é mais durinho na suspensão; em relação ao Chevrolet Onix, é mais direto na direção, que é levíssima em manobras. Em relação a ambos, o carro francês (fabricado na Argentina) é mais bem acabado. A Peugeot deu especial atenção aos detalhes porque busca um cliente alternativo, muito mais interessado nas novas tecnologias do que em alguns parâmetros mecânicos. Assim, uma saliência no painel da porta praticamente se junta ao prolongamento do painel frontal, formando uma junção interessante.

Essa junção, entretanto, não é exatamente simétrica, o que prejudica um pouco a sensação de bom acabamento. Da mesma forma, o apoio de braço do console central tem um acabamento tosco, que não combina com a proposta do carro. Há muito plástico duro (como nos demais hatches do segmento), mas a Peugeot buscou uma textura que diferencia o interior do 208.

Painel de instrumentos em formato de holograma é sensacional e tem quatro modos.
Painel de instrumentos em formato de holograma é sensacional e tem quatro modos.
Foto: PSA / Divulgação

Bonito e bem assentado, o Peugeot 208 tem um desempenho até surpreendente no trânsito, especialmente quando abastecido com etanol, pois a taxa de compressão do motor é bem maior do que a do Onix e do Polo. Ele é agradável especialmente nas retomadas de velocidade e no funcionamento do motor, que não interfere no conforto do carro por ter número par de cilindros (quatro), enquanto a concorrência usa número ímpar (três), o que provoca vibrações em algumas situações e, eventualmente, maior custo de manutenção.

Ao contrário do Onix e do Polo, que usam motor 1.0 turbo, o 208 utiliza o velho 1.6 aspirado. Embora seja mais potente do que os motores dos rivais (até 2 cv com etanol e até 5 cv com gasolina, em relação ao Onix, mas perde para o Polo em 1 cv), o 208 é mais lento em acelerações de 0 a 100 km/h. A Peugeot relativiza isso, pois ninguém sai fazendo arrancadas no dia-a-dia. É verdade. Porém, quando se compara o consumo, o 208 perde feio para os rivais.

Traseira do novo 208 tem uma faixa preta ligando as duas lanternas.
Traseira do novo 208 tem uma faixa preta ligando as duas lanternas.
Foto: Sergio Quintanilha / Guia do Carro

É o preço que a marca paga por não ter um motor turbo de fabricação no Brasil ou na Argentina, mas sim o 1.6 aspirado. Na Europa, a Peugeot tem o motor 1.2 turbo, que será vendido nas versões importadas no mercado argentino. Já para o mercado brasileiro, a aposta foi no 208 elétrico. Só o tempo vai dizer se essa estratégia foi boa. O ideal teria sido a Peugeot fabricar não apenas o carro, mas também o motor turbo na Argentina, o que deixaria o 208 muito mais competitivo.

Apesar desse dilema, que tem a ver com investimentos e custos, o carro é bom. Como dissemos, agrada em termos de dirigibilidade e oferece maior prazer ao dirigir do que os seus rivais. Usar o 208 no dia-a-dia é uma experiência realmente agradável. O motorista rapidamente se acostuma com as funcionalidades do novo Peugeot. O Cockpit 3D, por exemplo, oferece quatro diferentes opções de visualizações. Ele também é um diferencial da versão Allure, intermediária.

Volante de direção do Peugeot 208 é pequeno e baixo, por isso o quadro de instrumentos é visto por cima.
Volante de direção do Peugeot 208 é pequeno e baixo, por isso o quadro de instrumentos é visto por cima.
Foto: PSA / Divulgação

A potência máxima de 115/118 cv (gasolina/etanol) é entregue a 5.750 rpm. Em acelerações mais fortes, o motor corta a potência em 6.000 rpm, o que significa que a faixa de utilização da potência máxima é muito pequena. Já o torque de 142/152 Nm (g/e) surge antes, a 4.000 rpm. A autonomia com etanol é de 7,5 km/l na cidade e 9,0 na estrada; com gasolina é de 10,9 km/l na cidade e 13,1 na estrada. O antigo 208 com motor 1.2 aspirado era mais econômico: fazia 13,9 km/l de gasolina na cidade e 15,5 na estrada.

É uma pena que a Peugeot tenha sido “obrigada” (pelas circunstâncias) a escolher entre a tecnologia de propulsão e a tecnologia de segurança e comodidade. A marca preferiu apostar no longo prazo, ou seja, em equipamentos como o painel holográfico e assistência à condução, itens que farão mais sentido no 208 e-GT, totalmente elétrico, quando o carro começar a ser vendido. Não sabemos quanto custará o 208 e-GT, mas a escolha mostra que a Peugeot tem grandes pretensões com o 208.

Balanços curtos na dianteira e na traseira dão versatilidade ao novo Peugeot 208.
Balanços curtos na dianteira e na traseira dão versatilidade ao novo Peugeot 208.
Foto: Sergio Quintanilha / Guia do Carro

Além de um motor mais econômico, faz falta no 208 um ajuste de altura do cinto de segurança para o passageiro (item indispensável num carro de quase R$ 100 mil). O câmbio automático de seis marchas não tem opção de trocas manuais pela borboleta do volante, mas, em compensação, proporciona mudanças de marchas bem mais prazerosas na alavanca do que o Polo e o Onix. As marchas reduzem para frente e aumentam para trás, como deveria ser em todos os câmbios sequenciais.

Também é digno de nota o sistema de freios do novo Peugeot 208, muito bem ajustado. Se já não bastasse a assistência de frenagem, que torna a condução muito mais segura, os freios param o carro sem desvios de trajetória.

Nenhuma versão do Peugeot 208 tem opcional; o único acréscimo possível é na cor escolhida, que pode aumentar o preço do carro em R$ 1.890. Além da versão Like para frotistas (R$ 67.690) e Like Pack de entrada (73.990), ambas com câmbio manual, o novo 208 tem quatro versões automáticas:

Active: R$ 77.990;
Active Pack: R$ 84.490;
Allure: R$ 90.990;
Griffe: R$ 95.990.

Bonitas rodas de liga leve diamantadas de 16" com cinco raios duplos inclinados e quatro furos.
Bonitas rodas de liga leve diamantadas de 16" com cinco raios duplos inclinados e quatro furos.
Foto: Sergio Quintanilha / Guia do Carro

Para comparação, o Volkswagen Polo 1.6, versão intermediária com potência similar, custa R$ 70.850. Ele tem ainda uma versão 1.0 de R$ 60.690 e duas versões 1.0 turbo de 128 cv: Comfortline por R$ 79.790 e R$ Highline por R$ 92.990. Já o Polo GTS 1.4 turbo de 150 cv sai por R$ 109.890, mas tem outra proposta.

No caso do Chevrolet Onix, são seis versões com motor 1.0 turbo com potência similar ao Peugeot 208: Onix básico (R$ 65.390), LT (R$ 71.690), LTZ (R$ 74.790), RS (R$ 75.790), Premier I (R$ 78.890) e Premier II (R$ 82.090).

Quem colocar na ponta do lápis, em busca de uma compra racional, dificilmente comprará o 208. Porém, para os clientes mais alternativos, que valorizam tecnologias de ponta, design cativante, estilo diferenciado e uma experiência única na condução, o Peugeot 208 é mais atraente. Sem condições de entrar na guerra de preço com as duas maiores marcas de carro do mercado brasileiro, a Peugeot oferece sofisticação, tecnologia e interessantes propostas de compra que garantem a revenda do carro com 100% do valor da tabela Fipe (normalmente, paga-se apenas 85%).

Comportamento dinâmico do carro é excelente e supera o de rivais famosos.
Comportamento dinâmico do carro é excelente e supera o de rivais famosos.
Foto: PSA / Divulgação

O programa “Just Drive”, por exemplo, permite que o comprador de um Peugeot 208 se preocupe apenas em utilizar o veículo e não com os compromissos chatos da posse, como manutenção, seguro etc. Já faz algum tempo que a Peugeot faz carros muito melhores do que sua fama no Brasil (muitas vezes, injusta). Seria melhor se o novo 208 contasse com um motor turbo, mais eficiente, porém, mesmo com o 1.6, ele mantém a dignidade e se destaca bastante na dirigibilidade e no prazer ao dirigir, o que não é pouco. 

Os números

  • Preço: R$ 95.990
  • Motor: 1.6 aspirado flex
  • Potência: 118 cv a 5.750  rpm (e)
  • Torque: 152 Nm a 4.000 rpm (e)
  • Câmbio: 6 marchas AT
  • Comprimento: 4,055 m
  • Largura: 1,738 m
  • Altura: 1,453 m
  • Entre-eixos: 2,538 m
  • Pneus: 195/55 R16
  • Peso: 1.252 kg
  • Porta-malas: 265 litros
  • Tanque: 47 litros
  • 0-100 km/h: 12s0
  • Velocidade máxima: 190 km/h
  • Consumo cidade: 10,9 km/l (g)
  • Consumo estrada: 13,1 km/l (g)
  • Emissão de CO2: n/d

Equipamentos

  • Câmbio automático sequencial de seis marchas
  • Grade frontal cromada
  • DRL em LED
  • Faixa traseira em preto brilhante
  • Comandos do volante com contorno em preto brilhante
  • Toggle Switches com contorno dos botões cromados
  • Abertura de portas interno
  • Teto de vidro panorâmico
  • Câmera de estacionamento traseira
  • Rodas de liga leve de 16” diamantada Kenobi
  • Escapamento cromado
  • Ar-condicionado automático digital
  • i-Cockpit® 3D
  • Volante multifuncional em couro
  • Bancos em Alcantara
  • Apoio de braço para o condutor
  • Carregador de smartphone por indução
  • Painel de bordo com acabamento Slush
  • Chave keyless (presencial) com comandos de abertura das portas e portamalas e partida do motor pelo botão Start/Stop
  • Airbags de cortina
  • Faróis Full LED
  • Capa dos retrovisores em preto brilhante
  • Aerofólio traseiro em preto brilhante
  • VisioPark 180°
  • Sensor de chuva
  • Sensor crepuscular
  • Sensor de estacionamento traseiro
  • Alerta de Colisão
  • Frenagem de Emergência Automática
  • Auxílio de Farol Alto
  • Sistema de Reconhecimento de Placas de velocidade

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