Avaliação: Mercedes GLB 200 é um SUV discreto, mas versátil
Rodamos uma semana com o Mercedes-Benz GLB 200 Progressive, um SUV 1.3 turbo silencioso e discreto, mas que leva 7 pessoas
Carros para 7 pessoas costumam ser grandalhões e chamam atenção nas ruas. Por isso, a Mercedes-Benz decidiu inovar com um carro familiar mais compacto e discreto, porém com espaço suficiente para acomodar 7 passageiros (incluindo o motorista). O próprio nome explica as pretensões do Mercedes GLB: trata-se de automóvel muito mais próximo de uma minivan do que de um SUV. A ideia é boa. Para saber se cumpre o que promete, rodamos durante uma semana com o Mercedes-Benz GLB 200 Progressive.
Esta é a versão mais cara do GLB 200 e custa R$ 290.900. Há outra mais em conta: Advance (R$ 264.900). Existem carros menores para 7 pessoas. Um exemplo é o Chevrolet Spin Activ7, que custa R$ 113.650. Porém, além de ser bem maior do que o Spin, o Mercedes GLB é um carro mais sofisticado, para o segmento de luxo (não competem entre si). De cara, o GLB traz um diferencial: é discreto. Há maiores também, como o Toyota Hilux SW4 (R$ 256.090 Flex ou R$ 364.890 Diesel) e o Caoa Chery Tiggo 8 (R$ 185.890), mas eles têm entre-eixos menor do que o Mercedes GLB 200.
O visual não encanta como o de outros Mercedes, mas agrada (especialmente na cor Azul Galáxia). Embora seja um carro médio dentro da família Mercedes, abaixo do GLC, o Mercedes GLB tem um bom porte. Ele é maior do que o Jeep Compass. Portanto, em breve terá a concorrência do Jeep Commander, cujas medidas ainda não conhecemos, mas que chega como um inédito SUV de 7 lugares. O Mercedes GLB também é inédito no mercado brasileiro. Começou a ser fabricado em julho de 2019 em Aguascalientes (México) e em Pequim (China).
O GLB 200 vendido no Brasil vem do México. Ele utiliza o mesmo motor 1.3 turbo do novo Renault Captur, porém apenas a gasolina. Sua potência é de 163 cv a 5.500 rpm. O torque é de 250 Nm. O câmbio é de 7 marchas, automático, com dupla embreagem. Com uma relação peso/potência de 10 kg/cv, o Mercedes GLB 200 é silencioso ao rodar. Também é razoavelmente econômico, pois o torque máximo está disponível na boa faixa de 1.690 a 4.000 rpm. Não é preciso exigir demais do pedal do acelerador para que ele tenha um bom desempenho.
A caixa de mudanças DCT-7 está perfeita para a proposta do carro, que tem tração dianteira. O carro tem quatro modos de condução (Comfort, Eco, Sport e Individual), mas não há excessiva mudança no comportamento dinâmico entre uma e outra. O mesmo não se pode dizer de alguns itens de condução semi autônoma, que são bastante invasivos. A assistência de permanência em faixa não apenas mantém a trajetória, mas também freia o carro.
O painel de instrumentos digital e a multimídia estão juntos, num enorme display instalado atrás do volante. São duas telas de alta definição muito bonitas e que fornecem uma série até exagerada de opções de visualização, bem como de informações. A multimídia MBUX é um dos orgulhos da Mercedes. Há ainda botões e um mouse no console para auxiliar nas operações. Não há botões no display (sentimos falta deles).
De uma maneira geral, tanto a multimídia quanto os comandos do volante são fáceis de memorizar, mas há ocasiões em que um pequeno esbarrar do dedo num dos dois "micro mouses" do volante acabam modificando a tela. Outro desafio é não mexer na alavanca do câmbio quando a intenção é acionar o limpador de parabrisa, pois seu comando fica do lado esquerdo. Claro que os proprietários de Mercedes se acostumam.
O carro não é muito grande pela enorme pretensão que tem. Por isso, dá para perceber que a Mercedes-Benz precisou livrar alguns espaços. Os controles elétricos dos bancos dianteiros, por exemplo, ficam no painel das portas, o que sempre leva o motorista e o passageiro a levar a mão até eles quando quer apenas abrir a porta do carro. Os bancos são de couro e têm até um extensor de assento. Mas, a despeito disso, está longe de ser o banco com a melhor ergonomia na linha Mercedes.
O espaço interno é razoável. Na fileira do meio, o banco é bastante versátil. Tem ajuste de profundidade e também do encosto, além de ser rebatível individualmente. Para acomodar a terceira fileira, entretanto, o banco do meio terá que ser deslocado para frente. O espaço para as pernas vai diminuir bastante. Da mesma forma, na terceira fileira, os dois bancos só vão acomodar bem crianças ou pessoas de baixa estatura. Uma pessoa de 1,80 m bate a cabeça. Mas os pequenos bancos são escamoteáveis e de boa qualidade.
O porta-malas tem bons 500 litros de capacidade. Na configuração para 7 pessoas são apenas 130 litros com bastante altura e pouca largura, de forma que é quase impossível transportar uma mala nessa ocasião. Portanto, essa configuração é mais para necessidades pontuais e deslocamentos curtos.
Com apenas 135 mm de vão livre, ângulos de entrada e saída de 18 graus e ângulo de transposição de rampa de apenas 14 graus, o Mercedes GLB 200 não tem muita coisa de SUV. Mas, por outro lado, o centro de gravidade mais baixo colabora para a boa estabilidade do carro. A suspensão traseira é independente e as rodas de 19” são calçadas por pneus relativamente largos (235/50). Na versão Advance, as rodas são de 18” com pneus 235/55.
Ao contrário de outros carros da Mercedes-Benz, o GLB 200 não é fascinante, mas funcional. Isso não significa que o seu acabamento ou a parte mecânica tenha menos capricho do que os seus irmãos mais vistosos. Trata-se apenas de posicionamento. Para quem busca a alternativa dos 7 lugares, com luxo e qualidade construtiva, porém sem aderir a um SUV grandalhão, o Mercedes GLB 200 pode ser um carro na medida.
A versão Launch Edition não está mais no catálogo de veículos zero km da Mercedes-Benz do Brasil. Por R$ 26 mil a mais, a versão Progressive traz os seguintes itens que não estão disponíveis na Advance: assistente de desembarque, alerta de ponto cego, alerta de mudança de faixa, assistente de permanência em faixa, alerta de colisão frontal, alerta de tráfego cruzado traseiro, frenagem automática de emergência, teto solar elétrico panorâmico e abertura do porta-malas motorizada.
| ITEM | CONCEITO | NOTA |
| MOTOR | Muito bom | 7 |
| CÂMBIO | Ótimo | 9 |
| SUSPENSÃO | Ótimo | 10 |
| FREIOS | Muito bom | 8 |
| DIREÇÃO | Ótimo | 9 |
| EQUIPAMENTOS | Ótimo | 10 |
| ERGONOMIA | Bom | 6 |
| PORTA-MALAS | Muito bom | 9 |
| ACABAMENTO | Ótimo | 10 |
| DESIGN | Muito bom | 7 |
| VEREDICTO | Muito bom | 8,5 |
Os números
- Preço: R$ 290.900
- Motor: 1.3 turbo
- Potência: 163 cv a 5.500 rpm
- Torque: 250 Nm de 1.620 a 4.000 rpm
- Câmbio: 7 marchas DCT
- Comprimento: 4,634 m
- Largura: 1,834 m
- Altura: 1,659 m
- Entre-eixos: 2,829 m
- Vão livre: 135 mm
- Peso: 1.630 kg
- Pneus: 235/50 R19
- Porta-malas: 500 litros (5 lugares) e 130 litros (7 lugares)
- Carga útil: n/d
- Tanque: 52 litros
- 0-100 km/h: 9s1
- Velocidade máxima: 207 km/h
- Consumo cidade: 10,1 km/l
- Consumo estrada: 11,7 km/l
- Emissão de CO2: n/d