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Anfavea faz alerta de paralisação: pode faltar carro zero

Presidente da Anfavea, Luiz Carlos Moraes, mostra que estoque de carros está em níveis baixíssimos e há falta de matéria-prima

7 dez 2020
12h00
atualizado às 14h23
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Luiz Carlos Moraes: risco de paralisação na produção de carros é imediato e não teórico.
Luiz Carlos Moraes: risco de paralisação na produção de carros é imediato e não teórico.
Foto: Anfavea / Reprodução YouTube

O mercado de autoveículos teve uma boa reação no Brasil em novembro, mas a falta de matéria-prima para produção pode provocar paralisação da indústria e falta de carros. O alerta foi feito nesta segunda-feira (7) pelo presidente da Anfavea, Luiz Carlos Moraes, durante apresentação do balanço mensal da entidade. Os estoques de veículos estão em níveis muito baixos, suficientes para apenas 16 dias.

“Este é um risco imediato, não é teórico, já está acontecendo na forma de micro-paradas”, disse Moraes. Anfavea costuma trabalhar com cerca de quatro meses de estoque. Para dar uma ideia da situação, em outubro de 2019, o estoque era de 132 carros; em outubro deste ano caiu para 18 dias. Em novembro de 2019, o estoque era de 119 carros; em novembro deste ano caiu para 16 dias.

Segundo a Anfavea (Associação Brasileira dos Fabricantes de Veículos Automotores), o risco de paralisação das fábricas é provocado pela falta de matéria-prima. Vários fornecedores das montadoras estão sofrendo com falta de aço e de produtos eletrônicos, entre outros. Trata-se da maior dificuldade de fornecimento de insumos para a indústria automobilística dos últimos 19 anos.

Perda de valor da moeda brasileira é uma das maiores e os custos dispararam.
Perda de valor da moeda brasileira é uma das maiores e os custos dispararam.
Foto: Anfavea / Reprodução YouTube

Uma eventual paralisação na produção e a falta de veículos zero km no mercado teria consequências muito ruins. Para além das perdas econômicas e do risco de demissões, há o risco de o preço dos carros subir ainda mais. Durante a entrevista coletiva virtual, Luiz Carlos Moraes mostrou enorme preocupação com o avanço dos casos de Covid-19 -- “a gente não pode subestimar a questão da saúde”, disse -- e também comentou que os recentes aumentos de preços foram provocados pelo aumento dos custos e pela variação da moeda.

“Cada montadora está administrando sua dor da melhor forma possível”, comentou o presidente da Anfavea, referindo-se ao fato de que alguns modelos estão perdendo participação de mercado devido à instabilidade dos custos. Segundo ele, o setor não está conseguindo evitar de repassar “pelo menos parte dos custos” para o consumidor final. A Anfavea mostrou um quadro com a variação da moeda em vários países e a diferença entre o IGP-M (que inclui os custos da matéria-prima) e a inflação oficial.

Quadro exibido pela Anfavea mostra comportamento do mercado em vários países.
Quadro exibido pela Anfavea mostra comportamento do mercado em vários países.
Foto: Anfavea / Reprodução YouTube

Apesar do risco de paralisação, a Anfavea mostrou-se satisfeita com o resultado das vendas de novembro. Foram licenciados 225 mil autoveículos (inclui caminhões e ônibus) no mês passado. Isso representa um crescimento de 4,6% em relação a outubro, mas ainda um encolhimento do mercado em relação a novembro do ano passado (-7,1%). Nas vendas acumuladas, o total de 1,8 milhão de autoveículos também representa uma queda (-28,1%) em relação a 2019. 

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