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Página traduz mais de 450 gírias em letras dos Racionais MCs

Hugo Cacique juntou o interesse pelo dialeto periférico e pelo rap de Mano Brown e companhia no projeto no Instagram 'Dicionário Capão'

3 mar 2022 11h50
| atualizado às 19h32
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Hugo Cacique 'traduz' gírias dos Racionais MCs
Hugo Cacique 'traduz' gírias dos Racionais MCs
Foto: Divulgação/Dicionário Capão

Jão, fita, vida loka, gambé, pião... estas são algumas gírias presentes nas periferias de São Paulo, nas letras do grupo Racionais MCs e no Dicionário Capão. Desde 2018, essa página no Instagram traduz vários desses termos cantados por Mano Brown, Edi Rock e companhia.

O responsável pelo dicionário é o Hugo Cacique, 36, redator publicitário que morou boa parte da vida no Campo Limpo, na zona sul de São Paulo. Fã de rap, ele sempre teve interesse em estudar a forma como as pessoas falam.

Página traduz gírias das músicas dos Racionais MCs
Página traduz gírias das músicas dos Racionais MCs
Foto: Reprodução/Instagram @dicionariocapao

“Sempre achei isso muito rico. Percebia isso principalmente no trajeto de casa para o trabalho no transporte, que você vai da região central para periferia e vai percebendo como as pessoas, o repertório e o jeito que elas falam mudam”, conta Hugo, que juntou esse interesse à riqueza de termos encontrada na poesia dos Racionais.

“Um dicionário de gírias é algo comum, mas achar isso dentro da obra deles dá outro significado. A minha intenção nunca foi traduzir a obra dos Racionais, por mais que as pessoas tenham essa primeira interpretação”, diz.

“É como se fosse uma interpretação minha, como eu traduzo a obra de um modo geral, porque enxergo ali uma capacidade de traduzir as vivências periféricas.”

Desde então, mais de 450 gírias já foram traduzidas pela página. Além das traduções, outra característica marcante do Dicionário Capão são os pixos usados para apresentar cada gíria. “Ambos são expressões periféricas. O que o pixo é no campo visual, a gíria é no campo verbal”, explica o redator.

“É algo que as pessoas, quando batem no olho, não conseguem entender. A menos que você seja iniciado, já esteja naquele meio. É um código que pode ser entendido como uma arte ou como uma transgressão”, complementa.

Apesar de ser o criador de um dicionário de gírias, não é fácil para ele estar por dentro e conhecer tantas palavras novas. “A língua muda o tempo todo, ela é criada na rua, no dia a dia. Ela está se mexendo e é ótimo que a gente não consiga acompanhar. Tem muita coisa que preciso perguntar”, reflete Hugo, que atribui ao funk o surgimento de novos elementos para o dialeto periférico.

Para o futuro, ele pretende transformar o conteúdo da página em um livro físico para entregar em mãos aos integrantes dos Racionais MCs, como forma de homenagem à trajetória do grupo.

 

Agência Mural
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